Ações sociais movimentam periferias para amenizar vulnerabilidade durante o inverno

Ações sociais movimentam periferias para amenizar vulnerabilidade durante o inverno

Paula Sant'Ana

Paula Sant'Ana

O número de pessoas em situação de rua aumentou 31% em São Paulo e mais do que dobrou em regiões periféricas da cidade

Reportagem de Paula Sant’Ana. Edição: Thiago Borges

As necessidades são muitas e estão presentes nos 365 dias do ano, mas o inverno deixa tudo mais intenso. Por isso, na estação mais fria do ano, diversas campanhas de assistência a vulneráveis acontecem nas periferias.

Afinal, estima-se que 21,1 milhões de pessoas que moram em metrópoles brasileiras se encontram em vulnerabilidade. E em São Paulo, o quadro é mais crítico quando fazemos um recorte da população em situação de rua: o número aumentou 31% em 2021, chegando a 31.184 pessoas, de acordo com o censo mais recente realizado pela Prefeitura da cidade.

Antes restrita à região central, a cena de pessoas morando nas ruas das periferias tem sido mais comum: o relatório final indica que o número mais que dobrou em subprefeituras periféricas, como Perus, Itaquera, Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista, Sapopemba, Guaianazes, Itaim Paulista e M’Boi Mirim.

A situação também é reflexo da crise. Os principais motivos apontados para estar em situação de rua foram os conflitos familiares (34,7%), a dependência de álcool e outras drogas (29,5%) e a perda de trabalho/renda (28,4%).

Atuação local

“Toda hora eu ‘tropeço’ neles, né? Essas vidas são muito próximas a mim… tenho esse chamado”, conta Mara Luiza, que mora no Grajaú (Extremo Sul de São Paulo) e faz parte da Rede Nois por Nois. Com o Projeto Atalaia, Mara e o marido Paulo Rogério distribuem água e alimentos para pessoas em situação de rua nas proximidades da favela Sucupira, que fica na região.

No início, ela ia ao centro, mas tornou-se inevitável agir perto de casa. Ëntro aqui na Sucupira com muita tranquilidade, não tenho problema não. Não tenho ido tanto ao centro porque na porta da minha casa tá acontecendo”, explica.

O Atalaia também contempla espaço físico para cerca de 25 homens que querem mudar de vida, com moradia e encaminhamentos para saírem do cenário de dependência química. Mulheres também conseguem ajuda, mas são encaminhadas paara projetos parceiros que contemplam as condições adequadas.

As necessidades de quem está na precariedade das ruas são diversas e nem tudo é visível para quem não tem costume de conviver e ajudar frequentemente.

“As pessoas não lavam as mãos na rua, pra você ter ideia. [E quem não convive] não sabe, né? Então, a gente precisa provocar [essa consciência]”, comenta Mara.

Ações pontuais e trabalho com a comunidade

No Jardim São Luís (também na zona Sul), um futebol solidário foi promovido no dia 26 de junho. Os jogos tinham por objetivo arrecadar agasalhos masculinos para a realização de ações emergenciais por conta do frio em São Paulo. Além do agasalho, as pessoas podiam doar via PIX ou entregar cobertores, toucas, entre outros itens.

“A proposta era realizar um evento solidário e festivo, encontrar amigos e amigas que se comovem com a causa das pessoas que vivem em situação de rua, e assim, pudessem somar de alguma forma. O futebol foi uma artimanha pensada para fazer uma conexão entre artistas, produtores e amigos que normalmente se encontram apenas para trabalhar”, explica Fabricio Rodrigues, organizador da ação por meio da Corre Store.

Já no último 9 de julho, rolou um encontro de Fanzines em Santo Amaro. Promovido pelo Sarau Comics Edition, participantes levaram 1 quilo de alimento e um agasalho. Os produtos arrecadados foram doados para a igreja Alcance Vitória, também na região de Santo Amaro. A igreja mantém uma casa de recuperação que fica no bairro do Socorro.

“A galera mesmo levou. Fizemos uma parceria com uma casa de recuperação ”, conta Roger BeatJesus, organizador do evento.

Ainda na zona Sul, mais precisamente no Jardim Paris, no Campo Limpo, o projeto Fazendo a Diferença iniciou seus trabalhos em 2019, distribuindo marmitas na região. Com o tempo, o grupo passou a realizar ações em um espaço físico do bairro, contemplando quem mora na região e demais pessoas interessadas.

“Todas as sextas-feiras tem alimentação disponível no espaço, mas a cada sexta tem alguma coisa diferenciada, como oficina, curso e palestra”, explica Laércio Ramos, integrante da iniciativa.

E o poder público?

Segundo informações divulgadas pela Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), da Prefeitura de São Paulo, a Operação Baixas Temperaturas (OBT) realizou mais de 108 mil atendimentos à população em situação de rua, além da entrega de 385 mil itens para alimentação – sopas, bebidas quentes e águas.

Os dados são de 30 de abril até o dia 17 de maio. Porém, as tendas espalhadas por diversas regiões da cidade de São Paulo seguirão em funcionamento até 30 de setembro.

Além dos itens de alimentação, também ocorre auxílio na aplicação de vacinas para influenza e covid-19, transportes de ida e volta aos locais de acolhida quando necessários e distribuição de cobertores para aqueles que optam por não aceitar o acolhimento. As tendas são montadas em momentos em que a temperatura chega a 10 °C ou menos. Também há assistência para os pets, com cerca de 120 vagas.

Colaboração

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1 Comentário

  1. PR Daniel Almeida disse:

    Ações desta dimensão, o governo deveria estar apoiando e divulgando não nas mídias, mas sim com Kombi, carros da prefeitura nas áreas de necessidade social, para que a população tome conhecimento da grandeza destas ações sociais e voluntárias de cada cidadão!!!! DEUS seja Louvado

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