Por Aline Rodrigues (reportagem, roteiro e apresentação) e Paulo Cruz (reportagem, roteiro, apresentação e edição de áudio). Artes por Rafael Cristiano

O último domingo (19/9) foi marcado por manifestações sobre o legado de Paulo Freire, que completou 100 anos de história nesta data. E nós da Periferia em Movimento conversamos com 2 profissionais da educação da cidade de São Paulo sobre como os estudos do educador seguem muito atuais e presentes nas práticas cotidianas nas escolas, nas culturas populares e movimentos sociais que estão nas quebradas e favelas do Brasil.

Elas também contam como, em especial, a educação infantil se baseia de diferentes formas em Freire em sua relação e apoio ao desenvolvimento das crianças. Confira abaixo conversa completa que fizemos com Núbia Amorim e Luciana Dias:

“Ele militava pela educação. Não era alguém que só falava, produzia algum tipo de conhecimento e esperava vender seus livros. Não, ele acreditava muito na sua prática como uma ação política (…) e ele tinha que contar para as pessoas, tinha que movimentar as pessoas”, compartilha Núbia Amorim, mãe, afroindígena, moradora de Embu Guaçu, professora da educação infantil na escola pública do município de São Paulo e que se declara “freiriana”.

O educador é presente na memória e no cotidiano de Luciana Dias, moradora do Guarapiranga (Zona Sul de São Paulo) por 50 anos e filha de Ana Dias e Santo Dias. Nos anos 1970 e 1980, Ana liderou o movimento de mulheres contra a carestia no Jardim Nakamura (zona Sul de São Paulo), enquanto Santo era líder operário e foi executado por um policial quando fazia um piquete em frente a uma fábrica no Campo Grande.

“Ele falava que a criança da educação infantil tinha que ser feliz, em primeiro plano, ser feliz. E eu cresci dentro dessa luta, já desde 2 anos de idade ouvindo falar de Paulo Freire (…) e via a participação dos meus pais em todos esses movimentos”, lembra Luciana, que cruzava com Freire nos corredores da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), onde fez Pedagogia e assistiu ao vivo palestras do patrono da educação.

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Hoje já professora aposentada, Luciana atua com formação de outres profissionais da educação no Projeto de Valorização do Educador e Melhoria da Qualidade de Ensino (PROVE) e lembra do questionamento comum do alfabetizar ou não as crianças na primeira infância.

Ela reforça que, assim como previa Paulo Freire, “o contato com o livro ele se dá de forma lúdica (…) A criança ela aprende no brincar, no conviver, no organizar, no coordenar a brincadeira, o educador ele tem que ter essa sensibilidade”.

A escola sonhada por crianças e suas famílias

Os desenhos presentes na arte dessa reportagem foram feitos por crianças e suas famílias durante uma das atividades das Rodas de Conversa sobre Primeira Infância, Escola e Direitos Humanos, realizadas pela Periferia em Movimento em parceria com a psicóloga Elânia Francisca, do Espaço Puberê, e o apoio da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.

Foram 91 famílias  inscritas e 10 selecionadas para participar de um ciclo de 4 encontros. Entre adultes e crianças, as conversas transbordaram muita escuta, acolhimento e troca de conhecimento que tiveram como base o desenvolvimento integral infantil, com centralidade na perspectiva das crianças, seus direitos, a relação com a família, a escola e a comunidade a sua volta.

Todas as prosas inspiraram as produções de reportagem da série “Primeira Infância, Escola e Direitos Humanos”, presente entre agosto e setembro nos canais da Periferia em Movimento. E este é o último conteúdo da série.   

Acesse as demais reportagens:

Aulas presenciais: Entre o medo de quem fica em casa, a ansiedade de quem volta e a acolhida pela escola

Sem aula, sem merenda: O impacto da pandemia na alimentação de crianças distantes da escola

Desenvolvimento das crianças depende de compromisso de toda a sociedade

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