De que forma os meios de comunicação formaram nossa forma de ver o mundo? E como nossas andanças e vivências pela periferia transformaram nossos sentidos?

No minidocumentário “Interrompemos a Programação (?)”, a produtora independente de jornalismo de quebrada Periferia em Movimento parte desses questionamentos para discutir uma cena em que as mídias marginais ganham impulso construindo e fortalecendo narrativas e identidades contra as violações de direitos e pela participação nos espaços de poder.

A investigação foi atravessada pela pandemia de coronavírus – e isso também entrou no resultado final. Nós interrompemos de fato uma programação? Existia uma programação? Confira abaixo:

“A primeira vez que me dei conta da comunicação foi quando saiu na Folha de S. Paulo, em 1997, uma matéria sobre o ‘triângulo da morte’. Foi a primeira vez que li uma matéria de jornal porque isso teve impacto coletivo, e me fez perceber a mídia”, observa a socióloga Anabela Gonçalves, moradora do Jardim São Luís (zona Sul de São Paulo).

“O território influencia na maneira como eu falo, como eu me visto, nas minhas referências”, diz a artista Mariana Rosa, empreendedora do Espaço Boom Box e moradora do Grajaú (Extremo Sul de São Paulo). “Esse brincar e essa vivência na rua influenciou as minhas formas de expressão de hoje”, complementa o fotógrafo André Bueno, também do Grajaú.

Anabela Gonçalves em entrevista com Thiago Borges e Pedro Ariel Salvador (Foto: Aline Rodrigues / Periferia em Movimento

Pandemia

O minidocumentário começou a ser produzido em outubro de 2019, ano em que a Periferia em Movimento completou uma década de atuação. Com entrevistas com moradoras e moradores das periferias que têm uma atuação transformadora em seus territórios, os relatos estavam estavam confluindo para o ponto em que as narrativas periféricas geram algumas rachaduras no sistema, como se fosse um curso natural das coisas.

Erika Hilton em entrevista com Thiago Borges e Pedro Ariel Salvador (Foto: Aline Rodrigues / Periferia em Movimento)

Porém, a investigação foi interrompida em março de 2020 com a pandemia de coronavírus e necessidade de distanciamento social. A situação, que paralisou algumas ações e acelerou outras em toda a sociedade, refaz as perguntas iniciais: qual é o papel da comunicação nesse momento?

“Não é simplesmente pegar o celular e fazer uma live. É pensar também como manter a comunicação com quem a internet não chega, não tem computador, e a gente precisa construir”, ressalta Will Ferreira, educador social no Projeto RUAS, fundador do Espaço Kamohelo e morador de Parelheiros (Extremo Sul de São Paulo).

Quem faz?

Produzido entre outubro de 2019 e julho de 2020, “Interrompemos a Programação (?)” entrevistou 12 pessoas em São Paulo:

  • Anabela Gonçalves (socióloga, presidente da Associação Bloco do Beco e moradora do Jardim São Luís);
  • Andreará (jornalista, educomunicador e integrante do Coletivo Contágio);
  • André Bueno (fotógrafo, educador e morador do Grajaú);
  • Elaine Mineiro (integrante da Uneafro Brasil, da Coalizão Negra por Direitos e moradora da Cidade Tiradentes);
  • Erika Hilton (co-deputada estadual pela Bancada Ativista);
  • Felipe Carvalho (artista, empreendedor na VOS Estilo de Rua e morador do Grajaú);
  • Gisele Brito (pesquisadora e jornalista do podcast Pandemia sem Neurose);
  • Mariana Rosa (artista, empreendedora no Espaço Boom Box e moradora do Grajaú;
  • Tabata Alves (agente de prevenção, vice-presidente da ONG Conviver é Viver e moradora de Cidade Ipava);
  • Tiely (multiartista, historiador e cria de São Miguel Paulista);
  • Will Ferreira (educador social no Projeto RUAS, fundador do Espaço Kamohelo e morador de Parelheiros);
  • e William Mangraff (artista, integrante do Salve Selva e morador do Grajaú).

A captação e edição de imagens foi feita por Pedro Ariel Salvador, com entrevistas e roteirização de Thiago Borges. Aline Rodrigues, Laís Diogo e Wilson Oliveira auxiliaram na produção. Todos e todas compõem a equipe da Periferia em Movimento, que conta ainda com Camila Lima e Karina Rodrigues. O minidocumentário também tem imagens de drone da Fxo Imagens e do Graja na Cena e utiliza áudios que compõem os podcasts Pandemia Sem Neurose, O Corre e Daqui Onde Nasce a Humanidade.

Morada Jornalística

Vivência jornalística com adolescentes (Foto: Aline Rodrigues / Periferia em Movimento)

O minidocumentário compõe um projeto maior da Periferia em Movimento. Apoiado pelo Programa VAI, uma política pública elaborada pela sociedade civil e executada pela Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, o projeto “Morada Jornalística” consiste em utilizar a casa-sede da Periferia em Movimento como plataforma de formação, elaboração e criação de conteúdos jornalísticos.

Entre 2019 e 2020, o espaço foi sede de vivências jornalísticas e desafios virtuais com adolescentes (confira aqui), da realização de 15 edições do programa de entrevistas ao vivo “Quebra das Ideias” (clique para ver) e da produção da série de encontros on-line “Repórter da Quebrada despertando os sentidos” (assista abaixo).

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