Posicionamento da Periferia em Movimento

Salve! Licença pra chegar. Como é que estão as coisas por aí?

Depois de uma pausa necessária, a Periferia em Movimento retoma os trabalhos neste 25 de janeiro de 2021. A data marca os 467 anos da fundação de um colégio por padres jesuítas vindos da Europa na antiga aldeia Piratininga. Surgiu, dessa forma invasiva, o que viria a ser a cidade de São Paulo – e com ela, as várias formas de resistência ao que isso significou e ainda significa.

Daqui das margens da represa Billings, um lago construído pelas mãos do homem que também é morada dos indígenas remanescentes guarani-mbya, a gente segue nessa resistência e gera centralidade: observa, registra e dissemina informações em busca da emancipação popular em todo o território brasileiro.

E é deste chão em que iniciamos a caminhada para mais um ano de trabalho. Pensando a partir de onde nossos pés pisam, é necessário indicar a que viemos nesse período.

O ano mudou, mas a pandemia taí piorando problemas bem antigos.

O Brasil entrou janeiro com mais de 200 mil mortes por covid-19, em meio a festas de fim de ano e aglomerações de verão. Com uma quarentena mais ou menos, que fecha espaços não essenciais no fim de semana e deixa aberto nos dias úteis, o governo paulista não decide se combate o vírus ou agrada o empresariado. O retorno às aulas presenciais foi adiado, enquanto 4 hospitais da periferia paulistana fecharam as portas para dar conta exclusivamente de casos de covid-19.

Sem orientação, cada indivíduo segue seu próprio protocolo enquanto todos assistimos o crime cometido em Manaus, em que governos federal, do estado e município deixaram dezenas de pessoas morrerem sem oxigênio em hospitais – não tiveram sequer a chance de lutar pela vida. Assistimos pela TV torcendo pra não chegar nossa vez.

Jair Bolsonaro, atual ocupante da cadeira de Presidente da República, fez pouco caso enquanto defendia um inexistente tratamento precoce contra a doença. Seu rival político no campo da direita – o governador paulista João Doria – aplicou a primeira vacina contra o coronavírus em Monica Calazans, uma mulher preta, periférica de Itaquera (zona Leste de São Paulo) e enfermeira em UTI do Hospital Emílio Ribas. O simbolismo da primeira imunização logo deu lugar à treta da vacina, aos fura-filas País afora e à humilhação internacional que nosso povo vem sofrendo em busca de insumos. Estamos longe de vacinar toda a população.

Enquanto isso, ir ao supermercado é tarefa dolorosa. O preço dos principais alimentos deu um salto absurdo. O bolso vazio não significa sacolas cheias. Nem pra cozinhar tá fácil, por conta do preço do gás. O auxílio emergencial, que ajudou a segurar as pontas em 2020, acabou. E a mera possibilidade de prorrogar a medida “assusta” os capitalistas.

A classe média, da esquerda à direita, bate panelas na varanda faz carreatas. Pedem a saída de Bolsonaro da cadeira de Presidente, uma vez que o atual governo só mostra competência na capacidade de ser genocida. Mais preocupado com a eleição de seu sucessor na presidência da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia está sentado em mais de 60 pedidos de impeachmentum deles, protocolado pela Coalizão Negra por Direitos e assinado por mais de 600 organizações do movimento negro, incluindo a Rede Jornalistas das Periferias, da qual a Periferia em Movimento faz parte.

Diante disso tudo, o horizonte parece nebuloso visto aqui dessa margem. Não vamos superar mais essa crise sem vacina para todos, todas e todes. Assim como não vamos aguentar na fila sem dinheiro na carteira. Ao mesmo tempo, manter Bolsonaro e seu grupo aonde estão hoje é jogar a favor da fome, da doença e da morte.

Ainda estamos em janeiro e já tá foda, né?

Precisamos reivindicar e defender a vacina (todas elas, de todas as fabricantes possíveis) de forma gratuita e universal para imunizar o mais rapidamente possível a maior parte da população. A gente também precisa cobrar saídas econômicas realistas e urgentes pra situação: enquanto não há imunização, é preciso seguir com o auxílio emergencial e outras medidas possíveis para amenizar o impacto do desemprego e da inflação. E precisamos de impeachment.

Vamos falar disso tudo no grupo de zap da família, comentar no ponto de ônibus sobre o preço do arroz e a responsabilidade de Bolsonaro, desmentir notícias falsas sobre eficácia da vacina e compartilhar o funk do MC Fioti exaltando o Instituto Butantan nas redes sociais.

Mas sem ilusão, porque aqui ninguém tá de chapéu.

Se tem mais uma coisa que essa pandemia reforçou é que estamos “nós por nós”, e quem tá no andar de cima não vai se mexer por livre e espontânea vontade. Por isso, precisamos seguir com campanhas de solidariedade e dialogar com nossas quebradas, movimentos e famílias (até aqueles que apostaram na aventura fascista representada por Bolsonaro) para forçar quem tem o poder a se movimentar.

Tudo isso ao mesmo tempo e agora, sem esquecer que o racismo, o machismo e a lgbtfobia seguem massacrando objetivamente e subjetivamente a nossa gente.

Que a gente se cuide da gente e dos nossos… e bora pra luta!

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