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No ano passado, o número de mortes cometidas por agentes de segurança do Estado de São Paulo bateu recorde. Foram 834 vítimas da polícia em 2025, uma alta de 2,7% em relação ao ano anterior. Nos últimos sete anos, o Estado acumula 4.774 vítimas.
Segundo a sétima edição do relatório Pele Alvo, publicado nesta quarta-feira (1/7) pela Rede de Observatórios da Segurança, há um descompasso com o uso da tecnologia.
Isso porque, nos primeiros anos de implementação de abordagens por câmeras corporais nas fardas, as mortes causadas por policiais caíram de 814, em 2020, para 419, em 2022.
A adoção das câmeras demonstrou ser capaz de reduzir a letalidade policial, mas o relatório aponta que as transmissões frequentemente são interrompidas em momentos decisivos, contrariando determinações do Supremo Tribunal Federal (STF).
Esse aumento ocorreu mesmo em um contexto de queda de crimes relevantes, como furtos (queda de 6,3%), roubos (-18,8%) e latrocínios (mais de 50,0% de queda), sugerindo que a elevação da letalidade não acompanha necessariamente a dinâmica criminal, mas reflete escolhas na condução da política de guerra de segurança pública.
A capital concentrou 30,5% das ocorrências de mortes cometidas por agentes de segurança pública. As pessoas negras representam 40,9% da população paulista, mas correspondem a 64,6% das vítimas fatais da ação policial.

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Genocídio
O estudo monitora dados de letalidade policial fornecidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) pelas secretarias de segurança de nove estados — Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.
Com os dados obtidos nesses estados, a Rede de Observatórios da Segurança aponta um aumento de 6,4% na letalidade policial em 2025. Em todas essas localidades, as polícias mataram 4.330 pessoas no ano passado, sendo que 86,3% das vítimas (3.104 pessoas) eram pessoas negras.
O perfil das vítimas da letalidade policial também revela um recorte geracional, territorial e de gênero bastante definido: jovens de até 29 anos representam 64,8% do total de mortos (2.804 vítimas), e vivem majoritariamente em periferias e favelas e, em sua imensa maioria, são homens.
“Os dados mostram que não estamos diante de uma fatalidade ou de casos isolados. Ano após ano, a principal vítima da letalidade policial continua sendo a juventude negra das periferias. Se esse padrão se repete há sete edições do Pele Alvo, totalizando 28.799 mortes, fica evidente que ainda não existe uma política pública efetiva voltada para proteger essas vidas” – Silvia Ramos, cientista social e diretora da Rede de Observatórios da Segurança.
A Rede de Observatórios é uma iniciativa do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC) dedicada a acompanhar políticas públicas de segurança, fenômenos de violência e criminalidade em nove estados, com produção cidadã de dados.
Foto de capa: André Santos, em ato contra violência policial na Cidade Tiradentes (2022)


