Ouça esse post
A Periferia em Movimento, organização independente de jornalismo e educação midiática sediada no Extremo Sul de São Paulo, é liderança estratégica de redes e metodologias do ‘Fellowship de Mudanças Exponenciais no Jornalismo’.
Lançado em agosto, o programa é orquestrado pelo Desenrola e Não Me Enrola como parte de uma nova metodologia para fortalecer o jornalismo de interesse público territorial.
A iniciativa conta com a participação de mídias territoriais de Pernambuco (Sargento Perifa), Bahia (Conquista Repórter) e Pará (Tapajós de Fato), que têm acompanhamento da Periferia em Movimento.
O protótipo vai difundir no país uma abordagem inovadora de escuta qualificada e mensuração de impacto das produções jornalísticas.
“A Periferia em Movimento sempre teve o público no centro de nossa atuação e, ao longo do tempo, testamos diferentes metodologias para fazermos uma escuta cada vez mais qualificada e efetiva”, destaca Aline Rodrigues, co-fundadora e diretora de relações institucionais da Periferia em Movimento.
“Agora, queremos fazer parte da rotina, ser alguém mais próximo e que entrega conteúdo jornalístico para que as pessoas acessem seus direitos” – Aline Rodrigues
Com o método de produção e distribuição de conteúdo, populações de territórios periféricos, indígenas e quilombolas são o elo fundamental entre a notícia e seus desdobramentos.
Essa metodologia vem sendo criada desde 2025 pelo Desenrola e Não Me Enrola, com participação da Periferia em Movimento, a partir das bases da mudança exponencial e impacto sistêmico elaboradas e difundidas pelo Centre for Exponential Change, da Índia, e aqui no Brasil pelo Centro para Mudanças Exponenciais e Instituto Beja.
Tecnologia territorial, alcance nacional
O Território da Notícia, que também é gerido por Periferia em Movimento e Desenrola, desenvolve a infraestrutura digital que intermedia a coleta de dados locais, análise, geração de pautas e distribuição de conteúdos a partir dos interesses e prioridades da população de cada localidade.
“Acumulamos muitos saberes com a distribuição de conteúdo nas periferias de São Paulo. Por ano, são 4 milhões de pessoas alcançadas por nossos totens. No entanto, entendemos que o jornalismo no Brasil precisa de mais ferramentas que façam a notícia chegar a quem mais precisa”, explica Thiago Borges, gerente de produtos do Território da Notícia e co-fundador da Periferia em Movimento.

Plataforma desenvolvida por Território da Notícia agrega e interpreta dados de cada localidade (foto: Conquista Repórter)
Com o uso de um modelo próprio de Inteligência Artificial (IA) generativa, a plataforma interpreta os dados para sugerir abordagens com maior ‘match’ com a população de cada território.
Dessa forma, as notícias podem ser anguladas de acordo com interesses e prioridades territoriais, além da interatividade personalizada com cada pessoa usuária.
“Se a Meta e o Google forem como a Uber, nós, jornalistas, somos os motoristas. Queremos transformar o jornalismo no Brasil para que ele opere a partir de um sistema soberano de tecnologia nacional. Esse é o papel da metodologia que desenvolvemos: ela coloca os interesses das pessoas na frente dos interesses dessas empresas”, ressalta Ronaldo Matos, diretor executivo do Desenrola.

Jéssica Alves e Carolaine Nunes, Agentes de Integridade da Informação da Periferia em Movimento, batem de porta em porta para ouvir população (foto Periferia em Movimento)
Inovação social no jornalismo
Para implementar essa mudança no jornalismo, o Desenrola desenvolveu uma metodologia específica que foi implementada oficialmente em 2025, em Guaianases (na Zona Leste de São Paulo) , e aprimorada ao longo dos últimos meses.
Rompendo com o modelo tradicional, a jornada proposta foca em escutar as pessoas, produzir conteúdo, verificar aprendizagens para produzir novamente, gerando um ciclo em espiral ascendente.
“Nós nos perguntamos ‘qual o impacto disso na vida das pessoas?’. Em um mundo dominado pela enxurrada de conteúdos que recebemos na tela do celular, queremos que o que produzimos gere impacto, gere aprendizagem, para nós e para as pessoas”, conclui Thais Siqueira, diretora de articulação política do Desenrola e responsável pela equipe de educação midiática.


