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Milhões de pessoas foram às urnas neste domingo (25/10), em todo o Brasil. Diante dos números de abstenções, as campanhas – especialmente a de Lula (PT) – buscaram o voto de quem não participou do primeiro turno.
Porém, na cidade de São Paulo, o que brecou a participação foi a oferta de transporte público.
Às 15h20, com dados da SPTrans obtidos por meio do aplicativo Infobus, a Periferia em Movimento apontou que apenas 70% dos ônibus (9.731 de 13.743 da frota municipal) estavam em circulação na cidade.
A determinação do Tribunal Regional Eleitoral era de que a Prefeitura de São Paulo, chefiada por Ricardo Nunes (MDB), colocasse 100% dos ônibus nas ruas.
O descumprimento acendeu o alerta de que a administração do prefeito bolsonarista estaria favorecendo seu aliado, Flávio Bolsonaro (PL), que no primeiro turno perdeu para Lula (PT) com ampla margem na cidade – especialmente, nas regiões periféricas.
O maior impacto foi na área 5 – Sudeste, que atende distritos e bairros populosos da Zona Leste, como São Mateus, Sapopemba e a favela de Heliópolis. Na região, apenas 55,1% da frota estava em circulação.
Confira no mapa elaborado pela Periferia em Movimento com base nos dados do aplicativo Infobus:
Caos
Desde o início da tarde, a Periferia em Movimento recebeu inúmeros relatos sobre o longo tempo de espera nos pontos de ônibus e veículos lotados na capital paulista.
“Saí do trabalho no Centro de São Paulo às 14hs, para poder chegar a tempo de votar. Minha zona eleitoral é na Escola Eurípedes Simões de Paula. No terminal Grajaú pegaria o ônibus Jardim Lucélia ou Jardim Ellus. Cheguei no Terminal Grajaú às 15hs. Até 15h45, nenhum deles chegou sem previsão nos painéis do terminal. Se não vier, estou pensando de não conseguir chegar a tempo para votar”, diz uma leitora do Extremo Sul, em contato pelo whatsapp.
“Eu fiquei mais de 1 hora esperando esperando o ônibus 148P – Pedra Branca – Barra Funda passar no ponto da avenida Peri Ronchetti, 372, e não passou. E vários ônibus de outras linhas com letreiro desligado. Acabei indo de aplicativo”, aponta outra pessoa, da Zona Norte da capital.
“Uma hora e meia aguardando ônibus no Terminal Grajaú. Trem com pouquíssimos funcionários e escadas rolantes desligadas para dificultar o acesso de idosos e pessoas com mobilidade reduzida”, relata um morador do Extremo Sul.
“Saí de casa por volta das 13h, cheguei no Capão Redondo às 13h20. Aguardei o ônibus até 15h23. Quando chegou infelizmente estava lotado. O ônibus passou direto porque não tinha espaço para que as pessoas entrassem. O ponto de ônibus estava extremamente cheio, ninguém conseguiu subir. Desisti e fui pegar o ônibus intermunicipal, que também estava extremamente lotado. Cheguei na minha sessão 16h20, correndo pra conseguir votar. acredito que muitas pessoas que ficaram por lá, se atrasaram muito mais”, conta mais uma moradora da Zona Sul.
“Tô há mais de 1 hora esperando o busão perto de Itaquera, e o que passa é 99% reservado”, diz outro, da Zona Leste.
- Terminal Grajaú sem ônibus na tarde de domingo de eleições (foto: seguidora)
- Na Zona Norte paulistana, ônibus circula em direção à garagem (foto: seguidora)
Prorrogação não cumprida
Apesar dos relatos de falta de transporte público suficiente em São Paulo e outras cidades, e pedidos recebidos da federação que representa o presidente Lula, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não apresentou uma decisão até as 17h, quando as urnas seriam fechadas.
Com isso, às 17h05 o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF) , prorrogou a votação até as 19h. Porém, a essa altura muitas seções já estavam fechadas.
Entretanto, mesárias e mesários das zonas Sul e Leste da cidade relataram à reportagem que receberam ordens para encerrar as seções eleitorais. Às 18h, boa parte já estava em casa.
“A gente não fechou porque estava ligado nas redes sociais, mas outras seções da escola já tinham fechado”, diz uma presidente de seção localizada na periferia da Zona Sul.





