Com jornalismo e educação midiática, Periferia em Movimento fortalece trabalho em territórios físico e digital

Com jornalismo e educação midiática, Periferia em Movimento fortalece trabalho em territórios físico e digital

Em meio à crise do jornalismo e ao excesso de informação, a Periferia em Movimento aposta no reencontro com os territórios e na "inteligência ancestral" para responder às urgências reais

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Quem procura notícia quando somos bombardeados por mensagens (informativas ou não) e a vontade maior é desligar o celular?

A Periferia em Movimento começou 2025 celebrando 15 anos de um trabalho marcado por inovação e reinvenção. E no último período, iniciamos uma fase: a de reencontro com os territórios.

Afinal, os desafios não são poucos. O jornalismo brasileiro acumula perdas de credibilidade e de interesse por parte do público. Falta representatividade, sobra distanciamento – e é no jornalismo das periferias e territórios de resistência que encontramos soluções.

Sem dinheiro, com bloqueios das multinacionais de tecnologia, em meio ao apocalipse climático e das “ameaças” da Inteligência Artificial, apostamos no vínculo com os territórios para questionar e responder urgências reais. É a chamada “Inteligência Ancestral”, como uma liderança comunitária nos ensinou recentemente, e que queremos enraizar em 2026 por meio do jornalismo e da educação midiática.

Por um jornalismo a partir das margens

Entre notícias, reportagens, artigos e curadorias, no último ano a Periferia em Movimento produziu e publicou mais de 100 conteúdos jornalísticos em texto, fotos e vídeos.

Quando o Brasil sediou a COP 30, falamos dos impactos da crise climática sobre as periferias. Mas também abordamos temáticas como a transformação digital e o envelhecimento em diferentes pautas – cultura, saúde, educação, moradia, trabalho e renda -, sempre atravessadas por questões de classe, raça, gênero e territórios.

As histórias que reforçam o protagonismo periférico e as frentes de luta por garantia de direito chegaram a mais de 120 mil pessoas por mês, por meio de nosso site, whatsapp e redes sociais, além da Movimenta – a newsletter gratuita e exclusiva que traz análises da equipe envolvida nas produções.

Para ampliar a acessibilidade do público, a organização contou com apoio da Fundação Ford para aprimorar e implementar melhorias no site, como o plugin de Libras e alto contraste, além da implementação de uma ferramenta de IA que transforma textos em áudios.

A Periferia em Movimento também ampliou sua presença física. Por isso, fortalecemos a atuação com o Território da Notícia, iniciativa que lideramos com o Desenrola e Não Me Enrola para desenvolver tecnologias de distribuição de notícias em periferias.

Neste ano, integramos um grupo de 19 mídias de periferias que entregaram juntas 1,4mil conteúdos de interesse público a mais de 4 milhões de pessoas por meio de 15 totens digitais instalados em 16 estabelecimentos comerciais.

Mais do que produzir ou entregar, é preciso garantir que os conteúdos virem conversa no dia a dia das pessoas.

Letramento em mídia para todas as idades

Também fortalecemos o Repórter da Quebrada, metodologia de educação midiática que utiliza técnicas jornalísticas para ampliar o olhar apreciativo das pessoas sobre seus territórios e a cidade.

Com apoio do Programa de Fomento à Cultura da Periferia, uma política pública criada por movimentos populares de São Paulo, iniciamos o ano com uma roda de saberes sobre Longevidade nas Periferias. Esse foi o pontapé que deu início ao curso Repórter da Quebrada, que contou com 12 participantes entre 14 e 65 anos do Grajaú, Parelheiros, Ermelino Matarazzo e Centro de São Paulo.

Em 14 semanas, o público refletiu e debateu temas como identidades periféricas, jornalismo no Brasil e o jornalismo feito a partir das periferias; territórios periféricos e a luta por direitos; transformação digital, crise climática e racismo ambiental. A partir das discussões e vivências, o grupo produziu conteúdos jornalísticos multimídia, com apoio da nossa equipe, que foram publicados em nossos canais.

Repórteres da Quebrada também participaram do “Escambo Periférico”, proposta de imersão que se baseia na metodologia para promover trocas de saberes sobre comunicação e cultura com outras comunidades.

Ao todo, 30 pessoas (incluindo integrantes da equipe da Periferia em Movimento e do território local), realizamos um intercâmbio de 3 dias no Quilombo Kimbundo do Cafundó, que fica na cidade de Salto de Pirapora, interior de São Paulo, onde tivemos a oportunidade de interagir entre gerações, as perspectivas de igualdade e diferenças nos territórios negros.

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O projeto também originou a exposição “Gerações Periféricas Conectadas”, que recebeu mais de 200 pessoas entre julho e agosto, no Centro Cultural Grajaú. O público pode conferir as fotos, vídeos, áudios e textos produzidos durante o projeto em uma experiência interativa sobre o papel da comunicação para diferentes gerações de periferias.

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Ainda na frente de educação midiática, em parceria com o projeto Cria Coragem, a Periferia em Movimento realizou oficinas de jornalismo e infâncias com a turma de Imprensa Jovem da EMEF Jorge Americano, no Valo Velho; e com mulheres atendidas no SASF do Parque Arariba, ambos na Zona Sul de São Paulo. Também fizemos rodas de conversa e laboratórios jornalísticos com jovens e adolescentes nas unidades do Sesc em Itaquera, Pompeia, Osasco e Interlagos.

Como a falta de direitos na infância gera traumas na vida adulta?

Ao todo, foram mais de 100 horas de atividades de educação midiática promovidas em 2025. E em 2026, ano importantíssimo para enfrentar a desinformação e fortalecer a democracia, começamos com uma parceria com a Unesco para disseminar conceitos de direitos humanos utilizando a comunicação e o fanzine entre pessoas beneficiárias do Bolsa Família; e com um curso de pós-graduação em Jornalismo Independente pela Faculdade Cásper Líbero, para apoiar profissionais em formação.

Articulação e incidência

Todo o ciclo começa e termina no mesmo ponto: os territórios periféricos.

Por isso, em 2025 a Periferia em Movimento retomou o processo de articulação territorial e identificou mais de 200 agentes em localidades de São Paulo – entre movimentos sociais, organizações, coletivos e profissionais de equipamentos públicos. Em novembro, alguns deles participaram de mais uma edição do Café com Pauta, um encontro para trocar ideia sobre acesso à informação e práticas de comunicação.

O objetivo é acompanhar mais de 1 mil iniciativas para gerar maior integração e entregar ações de educação midiática e produção de conteúdo que representem e façam sentido junto ao nosso público prioritário.

Esse processo acontece graças ao apoio que recebemos da Fundação Ford e do Bem-Te-Vi Diversidade, que também contribuíram para maior incidência periférica no ecossistema do jornalismo brasileiro.

A Periferia em Movimento também segue articulada com a Coalizão de Mídias Periférica, Favelada, Quilombola e Indígena, que representa 10 organizações de seis estados brasileiros; e, em 2025, formamos o grupo de 15 iniciativas da primeira leva contemplada pelo Fundo de Apoio ao Jornalismo (FAJ), que ajudamos a construir anos atrás e que nos próximos três anos vai fortalecer nosso trabalho.

Firmamos presença em importantes eventos do setor, como o Festival 3i, onde palestramos sobre o caso do Território da Notícia e da educação midiática. Colamos na Conferência de Jornalismo de Periferias e Favelas; e nos Congressos Inova.aê, de jornalismo e acessibilidade, Jeduca, de jornalismo e educação, e de Jornalismo Investigativo da Abraji; e dialogamos com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência e o Ministério da Cultura.

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A Periferia em Movimento participou, ainda, do Congresso GIFE, da Conferência Ethos, da ExpoFavela e da Expo Catadores. Estivemos na programação do Prêmio MOL de Solidariedade, no júri do Prêmio Aberje e, pelo oitavo ano, na comissão organizadora do Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog, o mais prestigiado do País.

Neste ano de 2026, entre as disputas da Copa do Mundo e das eleições, seguimos em movimento e sempre rumo aos territórios periféricos.

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