FELIZS: Feira literária periférica celebra liderança indígena Jerá Guarani

FELIZS: Feira literária periférica celebra liderança indígena Jerá Guarani

Em 12ª edição, evento discute ‘tornar-se selvagem’ entre 20 e 26 de setembro, e deve reunir 10 mil pessoas em espaços culturais do Campo Limpo e região

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Tempo de leitura: 5 minutos

As culturas indígenas marcam presença na FELIZS – Feira Literária da Zona Sul, que se consolida como um dos principais eventos do calendário cultural paulistano. Confira a programação completa aqui.

O evento começa neste domingo (20/9) e se estende até o próximo sábado (26/9), com programação gratuita em escolas, bibliotecas, centros culturais e outros espaços do Campo Limpo e região.

Com o tema “Tornar-se Selvagem – outras poéticas para confluir”, neste ano a FELIZS faz uma mulheragem a Jerá Guarani (foto de capa), formada em Pedagogia pela USP e autora do texto “Ju’i Poranduja” na coletânea “Nós”.

A educadora é uma das lideranças da aldeia guarani mbya Kalipety, que faz parte da Terra Indígena Tenondé Porã, localizada em Parelheiros, no Extremo Sul de São Paulo.

Na próxima segunda (21/9), a partir das 19h, Jerá participa da pré-estreia do curta-metragem “Nem tão Juruá Assim”. No filme, Jerá caminha por territórios de São Paulo, lançando um olhar antropológico sobre os juruá (não-indígenas).

Na sequência, o Coral Guarani da aldeia Kalipety se apresenta, seguido do Sarau do Binho com participação do Jongo Candongueiros do Campo Limpo. A programação noturna acontece no Espaço Clariô de Teatro, que fica na rua Santa Luzia, 96, em Taboão da Serra (região metropolitana de São Paulo).

Confira abaixo o documentário produzido em 2023 pela Periferia em Movimento sobre o trabalho de Jerá na Kalipety:

‘Tornar-se selvagem’

Para a escolha do tema deste ano, a equipe se debruçou sobre os textos de Jerá, além dos escritos de Ailton Krenak e Nego Bispo para explorar os conceitos de resgate da relação com a natureza, do que é “ser civilizado” e de tecnologias ancestrais para sobrevivência em tempos de colapso climático.

“’Tornar-se selvagem’ é uma provocação à ideia de evolução, de avanço, onde a preservação de recursos naturais é desconsiderada frente ao consumo descontrolado crescente”, frisa Diane Padial, produtora idealizadora da FELIZS.

A provocação é contemplada em diversas atividades.

Na próxima quarta (23/9), às 14h, o assunto volta à tona em uma conversa literária sobre o reconhecimento das juventudes em culturas ancestrais presentes nas periferias.

A educomunicadora e designer Julia Neres, idealizadora do projeto Mirante Coletivo, apresenta o jogo “Nanderekô” para divulgar a percepção dos povos guarani. O bate-papo mediado pelo jornalista Tony Marlon conta também com Alanshark, arte-educador do Coletivo Fora de Frequência, que desenvolve ações educativas e comunicativas a partir da cultura do hip-hop.

O encontro acontece na Biblioteca Helena Silveira, localizada na rua José Viriato de Castro, 78 – Campo Limpo (Zona Sul de São Paulo).

A cultura guarani volta a ter destaque na sexta (25/9), com a conversa “Poéticas Urbanas e Re-existência Guarani na Caminhada de Owerá”,  com o jovem escritor e rapper guarani Owera. O encontro ocorre às 14h, na Fábrica de Cultura do Capão Redondo (rua Bacia de São Francisco, s/n).

No mesmo horário, o escritor Daniel Munduruku conversa com jovens estudantes da zona sul sobre literatura indígena para os próprios povos indígenas e para não-indígenas no Brasil. No CDC Cleusa Bueno, que fica na rua Jaracatiá, 20 – Jardim Umarizal.

E no sábado (26/9), a FELIZS faz seu encerramento com feira de editoras, eventos culturais e rodas de conversa a partir das 11h, na Praça do Campo. Às 14h, o Coral Guarani volta a se apresentar, seguido do bate-papo “Viver com o suficiente, alimentar-se de corpo e alma, saber quem somos – literatura e vida”, com Jerá Guarani.

Jerá Guarani na Aldeia Kalipety (foto: Pedro Salvador)

Outros destaques

Entre encontros com autoras e autores, saraus e rodas de conversa, na próxima quarta (23/9), o Sesc Campo Limpo (rua Nossa Senhora do Bom Conselho, 120) recebe a conversa literária “Como ser um educador antirracista – epistemologias, ciências e artes negras e educação”, com Bárbara Carine, escritora, palestrante e professora da UFBA.

Já na quinta-feira (24/9), às 19h30, o Sesc recebe o Sarau Poesia de Todo Canto, com poetas de São Paulo, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Ceará, Moçambique e África do Sul.

No sábado (26/9), às 18h, a FELIZS encerra esta edição com o Sarau do Binho e o show ‘Revoada’, da banda Veja Luz.

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