Ouça esse post
O Capão Redondo, na periferia de São Paulo, lidera os índices de roubos de celulares e alianças na capital paulista. A ação dos chamados ‘garimpeiros do asfalto’, em busca do ouro que reluz entre os dedos, aumenta a sensação de insegurança no território conhecido nacionalmente pelas músicas dos Racionais MCs.
Nas últimas semanas, a região também foi marcada por bloqueios de vias importantes como protesto por mortes causadas pela Polícia paulista. Parte considerável da população pede, justamente, mais policiamento por conta da tal ‘insegurança’. Resolve o problema?
Enquanto a maioria dos crimes não são investigados, índices de feminicídio e as diferentes formas de violência contra mulheres, crianças e adolescentes seguem em alta e mobilizam menos enfrentamento pelo Estado – em São Paulo, o governador Tarcísio inclusive cortou verba de combate à violência doméstica.
O que o público nos diz?
O medo da violência está presente, mas é diferente para cada público: o assalto, o assédio ou o esculacho da polícia não atingem todo mundo da mesma forma.
No primeiro semestre deste ano, nós da Periferia em Movimento escutamos nosso público e representantes de movimentos sociais para pautar a cobertura destas eleições.

‘Café com Pauta’: encontro com lideranças sobre temáticas das eleições de 2026, no CDHEP Campo Limpo
A violência apareceu, mas outros medos também foram mencionados: a perda de direitos garantidos por grupos minorizados, como cotas raciais ou casamento igualitário; a perda de emprego; e a fome, sempre à espreita.
O medo também reflete uma ruptura nas redes de confiança. E no tempo em que ser o ‘próprio patrão’ é regra para a maioria, em que falamos para bolhas algorítmicas e tudo tem que ser pra ontem, o individualismo contribui com essa quebra.
Com o mundo temeroso lá fora, estamos nos agarrando ao que tá próximo: a família, o líder religioso, a influenciadora digital que fala diretamente com a gente e a promessa de ficar milionário jogando no tigrinho. Na falta de perspectivas, cada um faz teu corre em busca da salvação individual.
Sobra lugar para a esperança?
Ela parece algo distante e dependente de fatores externos: passar invisível às situações de violência, voltar com vida para casa, seguir com vida dentro de casa, não sofrer os impactos do clima, conseguir se aposentar com saúde, garantir um futuro melhor para descendentes… Enfim, ter uma vida mais digna.
E dignidade passa pelo acesso a direitos assegurados por políticas públicas. A esperança só se tornará completa com medidas para a coletividade.
A política institucional bebe do medo para manter o eleitorado tutelado ou apela para promessas personalizadas para falar com cada pessoa imersa em sua tela de celular.
Mas o medo e a solidão não pode restringir nossos sonhos.
Para nós – mulheres, LGBTs, indígenas, pessoas negras e pessoas periféricas em geral -, o passado nunca foi favorável. O futuro parece nebuloso, mas só nos resta construir o que queremos.
O que esperar da gente?
As eleições deste ano serão marcadas pela desinformação e uso de inteligência artificial nas campanhas, além da intervenção do governo dos Estados Unidos.
Nesse cenário, a cobertura da Periferia em Movimento se debruça sobre o que mobiliza medo, fé e esperança a partir dos territórios paulistanos: a inseguranca; a fé juvenil no corre individual; o futuro incerto para quem sempre acreditou nos frutos do próprio esforço; e a religiosidade construindo redes de apoio.
Vamos contar histórias de pessoas das quebradas, ouvir movimentos sociais, questionar candidaturas de pessoas periféricas sobre esses temas e analisar planos de governo de candidaturas à Presidência da República e ao Governo do Estado de São Paulo.
Contamos com sua companhia e apoio para comentar, criticar e disseminar conteúdos que comuniquem propostas de esperança.


