Falta dinheiro: Com mulheres e pessoas negras à frente, coletivos e organizações periféricas dependem de voluntariado

Falta dinheiro: Com mulheres e pessoas negras à frente, coletivos e organizações periféricas dependem de voluntariado

8 a cada 10 iniciativas que atuam em territórios periféricos não têm equipe remunerada, seguindo pesquisa da Secretaria Nacional de Periferias

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Tempo de leitura: 4 minutos

Nas periferias do Brasil, milhares de pessoas se organizam em torno de coletivos, associações e organizações sociais para reivindicar melhorias para seus territórios.

Diante das desigualdades sociais, o impacto é alto. Porém, a falta de recursos pode dificultar que seja ainda maior.

Isso porque 83,3% das iniciativas que atuam em regiões periféricas do Brasil não têm equipe remunerada e funcionam somente com o apoio de pessoas voluntárias. Apenas 7% possuem equipe de gestão dedicada integralmente à iniciativa.

É o que revela o Raio-X das Iniciativas Periféricas, pesquisa realizada pela Secretaria Nacional de Periferias, do Ministério das Cidades do governo federal. Acesse o estudo na íntegra aqui.

A pesquisa ouviu 1.014 coletivos, associações e movimentos sociais em todos os estados brasileiros e mapeou em quais condições atuam nas comunidades. O objetivo é reorientar as ações da secretaria no âmbito de formação, assessoria técnica e jurídica para a regularização e apoio à ampliação do trabalho desses grupos.

Mais da metade das iniciativas (50,4%) ouvidas declara gasto anual de até R$ 10 mil por ano, 27,5% têm orçamento entre R$ 10 mil e R$ 50 mil, 11,1% de R$ 50 mil a R$ 100 mil, 6,6% de R$ 100 mil a R$ 200 mil e apenas 4,4% têm orçamento superior a esse valor.

LEIA MAIS: ‘Os problemas do Brasil precisam começar a ser resolvidos a partir dos territórios periféricos’, defende Secretário de Periferias do governo Lula

Lideranças negras e femininas

Distribuição de marmitas apoio em catástrofes climáticas, atividades para crianças e adolescentes no contraturno escolar, mobilizações por saúde e moradia, ações culturais e esportivas, lutas por moradia e segurança…

À frente de organizações desse tipo, estão sobretudo mulheres e pessoas negras. Em dois terços das iniciativas (64,3%), a atuação é majoritariamente de mulheres, enquanto em 85,4% há predominância de pessoas negras.

Quanto ao perfil racial, 9 em cada 10 pessoas atendidas (89,5%) são pessoas negras (pretas e pardas), e 10,5% são de outras composições raciais.

O Mapa das Periferias, criado pela Secretaria, registra mais de 6 mil iniciativas em âmbito nacional e estima que o universo de pessoas atendidas pelos projetos seja de 689 mil pessoas.

Desejo de reguarização

O Raio-X das Iniciativas Periféricas aponta que 6 em cada 10 iniciativas periféricas não têm CNPJ e 68,7% delas alegam falta de recursos financeiros para realizar o processo de regularização.

Entre as iniciativas não formalizadas, 91% têm interesse em se formalizar e 99% reforçam a importância da capacitação e do acesso ao conhecimento para facilitar esse processo.

As principais fontes de recursos utilizadas são doações de pessoas físicas, sendo que 48,2% dos mapeados acessam esse tipo de recurso, e 45,5% citam editais públicos como fonte de financiamento.

A realização de eventos foi citada por 29,9% das pessoas entrevistadas, e a venda de produtos e serviços por 24,8%.

Além do prêmio Periferia Viva, criado em 2023 para reconhecer e fortalecer iniciativas periféricas que transformam suas comunidades, a Secretaria Nacional de Periferias vem desenvolvendo uma incubadora com programa de formação e mentoria voltados ao fortalecimento de quem promove transformação sócio-territorial nas comunidades.

Com informações da Fundação Perseu Abramo aqui

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