Por Laís Diogo (reportagem) e Thiago Borges (edição de texto). Colaboração de André Lorente e Wilson Oliveira (transmissões). Fotos: divulgação

Cinco dias respirando literatura: 59 artistas e coletivos envolvidos em 46 atrações culturais e mais de 50 horas de atividades com a participação de pessoas de todas as idades.

Na semana passada, milhares de crianças, adolescentes, adultos e idosos tiveram a rotina tomada intensivamente pelas palavras: a primeira Festa Literária do Grajaú (FLIG) ocupou os poucos espaços públicos do Extremo Sul de São Paulo com verso e prosa.

“Por um bom tempo a arte foi algo do centro das elites, e a periferia tomou conta desses espaços também”, conta Kamila Monteiro, professora-orientadora de sala de leitura na rede municipal de ensino.

“Celebrar a diversidade cultural de nosso território, ser uma vitrine para ver e ser visto, trocar experiências e contato com outros colegas de outros coletivos. O espaço foi muito rico para que isso acontecesse”, aponta Aline Tavella, hoje bibliotecária do CEU Perus, mas com atuação de sete anos no Extremo Sul.

Dos saraus diversos, como Sobrenome Liberdade, do Grajaú ou Quinta em Movimento, aos shows de Denise Alves na abertura e a sequência de apresentações no encerramento de sábado, a FLIG cumpriu o seu papel.

“Já tem um tempo que o Grajaú vem explodindo em arte, explodindo em cultura, e precisava mesmo de um evento que juntasse esses artistas, coletivos e grupos que estão produzindo essa arte”, continua Kamila.

Articulação

Inspirada em festas como FLIP (em Paraty, litoral do Rio de Janeiro), a FLUPP (nas favelas cariocas), da Flipenha eFlict (ambas na zona Leste de Snao Paulo), e da Felizs (no Campo Limpo), a FLIG começou a ser pensada em agosto do ano passado na biblioteca do CEU (Centro Educacional Unificado) Vila Rubi.

O evento começou a ganhar corpo com a rede de bibliotecárias dos cinco CEUS da região – Cidade Dutra, Navegantes, Três Lagos e Parelheiros, além do Vila Rubi –, e articulou escritores e coletivos culturais da região.

“Essa festa serve para dar visibilidade para os artistas da região, porque artistas nós sabemos que temos bastante”, explica Cintia Mendes, bibliotecária do CEU Cidade Dutra.

“Fizemos o papel de agitadoras culturais, e fizemos toda a festa de forma coletiva”, complementa Beatriz Cristiane de Araújo, também do CEU Cidade Dutra.

“Em vários momentos, eu vi mulheres chorando, meninas de 12 anos se vendo em histórias. E é muito louco isso, porque não imaginávamos que tocaria nelas dessa forma”, conta Lilian Lorentte, bibliotecária no CEU Navegantes, sobre a mesa de debates que discutiu a presença das mulheres na literatura.

Aline Tavella agradece a todos que se voluntariaram para realizar a FLIG. “E é disso que a sociedade está precisando no momento: nutrir esperanças num futuro construído com gente do bem”, conta Aline, que acredita no desenvolvimento das próximas gerações, que deram seu recado na contação de histórias realizada pela escritora Lucimeire Juventino. “A melhor arma que temos é um livro”, escreveram os pequeninos.

Confira abaixo as transmissões ao vivo feitas pela Periferia em Movimento das mesas de debate:

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