Os craques do Mundial de Futebol de Rua

Periferia em Movimento

Periferia em Movimento

Nada de Messi, Benzema ou Cristiano Ronaldo. Sem salários milionários, quem brilha no Mundial de Fútbol Callejero são mais de 300 jovens acostumados a rolar a pelota em ruas e campinhos de terra batida em periferias de 20 países.

Sede da última Copa da FIFA, a África do Sul não participou da edição deste ano. Mas no torneio de futebol de rua, o país está bem representado no campeonato, que acontece na cidade de São Paulo. “É muito bom estar aqui, ter contato com tantas culturas e línguas. Não esperava isso”, diz o jogador Athaphelele Ngwendu, 16, que desde criança se diverte com a bola nos becos da cidade de Port Elizabeth.

É num terrão de La Portada, em La Paz, que o boliviano Joel Vidal, 16, passa boa parte de seus domingos. Há sete anos, ele conheceu o fútbol callejero, metodologia que utiliza a prática esportiva para mediar conflitos e disseminar a cultura de paz. “Nós buscamos aplicar os valores dentro e fora de campo”, garante ele.

Vidal é um dos integrantes da seleção da Bolívia. Antes do Mundial, a maior distância que ele havia percorrido em uma viagem foi até Santa Cruz de la Sierra, dentro de seu país natal, para um torneio nacional. Mas o trajeto para São Paulo não foi tão fácil: os bolivianos encararam três dias de busão.

Sacrifício? Que o diga os jogadores da Colômbia, que por dois anos venderam marmitex para pagar as passagens até o Brasil. “Me sinto orgulhoso por representar meu país e quero levar o troféu para casa”, promete o atleta Aldair Rodriguez.

Primo distante” de James Rodriguez, que foi a sensação colombiana na Copa da FIFA, o rapaz de 19 anos cresceu chutando bola nas ruas de Barranquilha, considerada uma das cidades mais violentas do país. Há três anos, pratica o fútbol callejero e é um dos destaques da delegação no Mundial. No jogo válido pelas oitavas de final, Rodriguez marcou um dos quatro gols contra a Costa Rica.

Apesar da goleada, não tem rancor no lado adversário. “Estamos convivendo com pessoas de outros países e aprendendo muitas coisas”, diz Gisela Ríos, 16 anos, da equipe costa-riquenha. “São coisas que me ajudam a ser uma pessoa melhor e me mostram que eu também tenho meu valor”, completa a amiga Fabiola Siqueira, 18.

Gisela e Fabiola vivem, respectivamente, em Carpio e Alguelita (comunidades pobres da capital San José) e praticam o fútbol callejero há pelo menos quatro anos. Antes, já jogavam bola, mas sem a devida atenção a regras como respeito e solidariedade entre adversários.

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A concepção sobre o esporte também mudou para o equatoriano Josué Romero, 19, da cidade de Guaiaquil. “Antes, eu jogava só para mim. Agora, jogamos pelo coletivo e com as meninas junto”, diz ele, que também faz sua primeira viagem internacional. “É muito bom ver tanta gente junta com o mesmo objetivo, jogando pela paz”, completa. Além do título, Romero espera voltar ao Equador com uma nova visão de mundo e já planeja iniciar a faculdade de Engenharia Civil.

Isaac Donkor, 17, também faz planos. Ele faz parte da seleção de Gana, mas só conheceu o fútbol callejero ao ser convidado para participar do campeonato. “Quero voltar ao meu país, ensinar esse tipo de futebol nas nossas comunidades e fazer parte desse movimento”, diz.

E, mesmo para quem ficou de fora do torneio, a viagem valeu a pena. O goleiro peruano Alessandro Garcia, 19, sofreu uma contração muscular no primeiro dia do Mundial e está impedido de jogar até regressar a Lima. Enquanto isso, ele avalia o desempenho dos adversários e aproveita para trocar conhecimento, como aprender danças típicas da Colômbia e Bolívia. “Minha vida está mudando. Estou mais responsável, amadurecendo minhas ideias e quero voltar para o Peru como mediador”, conclui. Afinal, quem disse que era o fim da linha?

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