Foto de capa: reprodução do Blog Mulherias

Tá na boca da população, da mídia, dos especialistas, dos políticos: a educação garante nosso futuro enquanto sociedade. Mas quem tá olhando pra educação, de fato?

Pois uma escola pública na periferia da zona Sul de São Paulo virou referência nacional com seu modelo inclusivo: o Centro de Integração de Educação de Jovens e Adultos – CIEJA Campo Limpo. Durante 20 anos, uma pessoa esteve à frente desse projeto: Dona Eda Luiz.

Dona Eda faz parte do #NossoBonde, série que a Periferia em Movimento publica todas as segundas-feiras de 2019. Confira aqui. Neste ano em que completamos uma década de jornalismo de quebrada, convidamos moradoras e moradores das quebradas que nos ajudaram a refletir sobre a realidade na perspectiva periférica ao longo desse período – e, também, pra saber como imaginam os próximos 10 anos.

Entrevista no CIEJA Campo Limpo, em 2017

Hoje com 71 anos, essa educadora aposentada tem 52 anos de trabalho em escolas públicas. No CIEJA Campo Limpo, criou uma escola aberta para receber jovens e adultos que não concluíram o ensino no tempo regular. Os estudantes são divididos pelo nível de conhecimento (alfabetização, pós-alfabetização, intermediário e final), com turmas em diferentes horários e flexibilidade para que frequentem a aula no período mais adequado.

As disciplinas foram divididas por áreas de conhecimento, como Ciências do Pensamento (Ciências e Filosofia), Ciências Humanas (História e Geografia), Ensaios Lógicos e Artísticos (Matemática e Artes).

O sucesso do CIEJA Campo Limpo rendeu à unidade o reconhecimento como Escola de Educação Transformadora para o Século 21, concedido em 2017 pela UNESCO. Hoje, são mais 1.200 alunos, sendo que mais de 200 tem alguma necessidade especial, como ensino em braile ou Libras. Em 2017, a Periferia em Movimento ouviu algumas das pessoas atendidas na escola. Confira aqui.

Nos últimos 10 anos, Dona Eda viu muitas mudanças acontecerem nas quebradas. Por outro lado, ela percebe que permanecem a violência policial, o medo, o julgamento de sujeitos periféricos, a falta de visão do poder público. “Tudo isso faz com que o povo periférico precise lutar mais”, ressalta.

“Muitos movimentos surgiram para defender direitos, tem uma maior conscientização de pessoas interagindo com outros seres humanos. Muita arte. Menos violência armada”

Dona Eda Luiz, 71 anos, moradora da Zona Sul de São Paulo

Atualmente, ela coordena o Projeto Jovens, com a proposta de retirar jovens que trabalham em semáforos e recolocá-los em escolas, com uma formação para ressignificar a própria vida. Também participa de movimentos de valorização das escolas, da inclusão, da vida. Extremamente otimista, como a própria se define, daqui a 10 anos ela crê que “as crianças e jovens irão romper as barreiras das pontes e estaremos numa cidade mais humana e solidária”. Também acreditamos nisso, Dona Eda.

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