Educação libertadora: da alfabetização de adultos à escola indígena

Texto e fotos da Agência Popular de Cultura Solano Trindade

Educação tem jeito?

No último dia 29 de novembro, aconteceu no CIEJA Campo Limpo, a discussão Educação Popular – para além dos muros da escola, que contou com a presença das educadoras: Eda Luiz – CIEJA Campo Limpo, Anabela Gonçalves – Coletivo Katu, Poty Porã – Aldeia Tenondé Porã e Neide Abati, da União Popular de Mulheres.

O evento faz parte da programação do Percurso em Defesa da Diversidade Cultural, que desde agosto vem discutindo várias temáticas ligadas ao cotidiano a periferia na perspectiva da política pública. A proposta é colocar no mesmo debate, governo e sociedade civil com o objetivo de refletir sobre as demandas da periferia da Zona Sul de São Paulo.

Como resultado, o Percurso culminará no Observatório Popular de Direitos, plataforma virtual que tem como objetivo agrupar, analisar e propor possíveis caminhos para os problemas apresentados nestas discussões.  Também servirá como plataforma de denúncia através de texto, vídeo, foto, podcast e da ferramenta VOJO,  uma tecnologia que vem sendo construída em parceria com o Instituto Mídia Étnica (BA) e o Center for Civic Media, de Massachusetts Institute Of Techonology (EUA), e que possibilita a transmissão de informações sem precisar acessar a internet ou estar conectado a computadores. Tudo funciona através de um 0800.

A reflexão sobre a educação é fundamental e necessária, mas há uma dificuldade de diálogo com o Governo, parte importante no processo, como ressaltou Eda Luiz: “o poder público não acredita em algumas coisas e tivemos que lutar muito para conseguir este projeto“, relata a educadora que após muita dedicação da comunidade escolar, consegue ser hoje “uma escola alternativa que vai na contramão do formato de escola pública que está ai hoje“.

Para a socióloga e educadora Anabela Gonçalves, a experiência do CIEJA e de outras escolas são importantes para o coletivo que ela atua. “A ideia do Katu era pensar sobre a atual educação e as metodologias aplicadas nas escolas“. O coletivo milita pela educação libertária, e para atingir seus objetivos organizam encontros abertos quinzenalmente no Sacolão das Artes e também fazem trabalho de base atuando em escolas da Zona Sul. Para Anabela, a proposta de atuar com a escola é para fazer um trabalho em sala de aula que possa possibilitar uma ação social de transformação”.

As ações do coletivo Katu, sem dúvidas é a continuidade de um trabalho  importante em prol da educação. Isso fica evidente quando há encontro de gerações: Katu (na figura da Anabela) e o MOVA através da educadora Neide Abati: “Em 1968 começamos a alfabetizar na região de Campo Limpo e Capão Redondo. Em plena ditadura militar. Usávamos o método Paulo Freire escondidos em casas“. Neide ressalta a importância da educação popular e do trabalho de base. Afirma que “politicamente há muito o que conquistar“. 

A educação na Aldeia Tenondé Porã também chega pronta, porém alguns contextos são questionados, por exemplo quando se trata da “descoberta do Brasil” que os livros de histórias tratam. “Na nossa educação nós não falamos que o Brasil foi descoberto, dizemos que foi invadido”, ressalta a educadora Poty Porã, que classifica a educação indígena de duas formas, nova e milenar:“a educação escolar indígena é nova, mas a educação e sabedoria indígena é milenar“. 

As próximas atividades de discussão do Percurso será em 2014. Três temáticas já foram escolhidas: Segurança Pública, Saúde e Mulher.

No dia 20 de dezembro será realizado o lançamento da plataforma do Observatório Popular de Direitos, que acontecerá no CEU Cantos do Amanhecer às 15h. A atividade é aberta e todas organizações, coletivos, indivíduos estão convidados.