Documentário “A periferia é o centro” mostra impacto de dez anos do Programa VAI nas quebradas

Dos campinhos de pelada de Guaianazes no Extremo Leste à aldeia guarani no Extremo Sul, Peu Pereira e João Claudio de Sena consumiram oito meses de trabalho para registrar parte do impacto nas periferias paulistanas após dez anos da criação de uma lei cultural.

Em vigor desde 2004, o VAI é um programa da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo para fomento e valorização de iniciativas culturais nas periferias que já apoiou mais de 1.000 projetos independentes.

A transformação da cidade após dez anos de vigência da lei é retratada e debatida no documentário“A Periferia é o Centro”. Confira abaixo:

Política pública

“É preciso que esse tipo de iniciativa chegue no maior número de gente possível, e esse programa tem que ser replicado para todas as cidades do País”, aponta Peu Pereira, um dos diretores do filme. “Os ícones da cultura surgem sempre das periferias, das bordas, das lonjuras onde o estado só chega em forma de violência na figura da polícia”, continua.

Morador do Campo Limpo, na zona Sul, o próprio Peu foi contemplado duas vezes pelo programa: a primeira em 2006, quando realizou o documentário “Panorama Arte na Periferia”; e a segunda, em 2008, com o projeto “Contos do Bairro”.

Para o documentário que será lançado esta semana, a rotina de mais de 20 grupos e coletivos culturais da cidade foi acompanhada.

O filme apresenta uma reflexão sobre a produção cultural realizada por grupos e coletivos jovens de várias regiões de São Paulo, que debatem sobre periferia geográfica ou social e como isso se relaciona com suas motivações, compromissos e estéticas. Eles refletem ainda sobre a produção e acesso à cultura como direito, sobre as relações com o poder público e o cenário das políticas públicas de cultura nos últimos dez anos.

“O que chamou a atenção nesse processo foi a pluralidade de linguagens que o programa semeou nas mais diversas geografias da cidade”, complementa João Claudio de Sena, morador do Jardim Monte Azul (na zona Sul) e também diretor do documentário.