(Foto: Daniel Pascowitch)

Criolo e o samba: o nó é na garganta

Por Paulo Motoryn, na revista Vaidapé

O álbum Nó na Orelha, de 2011, consagrou Criolo como um dos grandes nomes da música brasileira. Com um repertório eclético, indo do reggae ao clássico com a mesma destreza que atualmente transita pelo Brasil e pelo exterior apresentando seus shows, o músico finalmente atingiu o ápice de sua carreira.

Na última sexta-feira, dia 30, na sua primeira apresentação no Encontro Estéticas das Periferias, Criolo surpreendeu novamente. Com um repertório exclusivo para o evento, contando apenas com sambas, ele levou cerca de 650 pessoas ao delírio na Sala Adoniran Barbosa, no Centro Cultural São Paulo.

Acompanhado de quatro parceiros do Grajaú, Criolo entrou ao palco com sua habitual humildade, saudando a todos e convidando o público a abandonar suas cadeiras para sentar ao seu redor, em cima do palco.

Em um clima verdadeiramente intimista, fez seus fãs sambarem ao som das músicas do Pagode da 27, tradicional grupo da zona sul. Se nas suas composições próprias Criolo denuncia o descaso dos poderosos com a favela e a desigualdade, por exemplo, os sambas que interpretou não deixam por menos:

“Povo guerreiro

Bate tambor,

Comemora a liberdade

Mas a igualdade não chegou”

Ou ainda:

“Não aceito essa indisciplina

Acho que você não entendeu

Meus meninos são o que você teceu

Em resistência ao mundo que Deus deu”

De seu álbum mais conhecido, apenas a música Linha de Frente fez parte do repertório. Em uníssono, a plateia cantou o samba do início ao fim e concluiu que “na Turma da Mônica do asfalto, Cascão é rei do morro e a chapa esquenta fácil.”