Caótico, paralisante, estarrecedor. Que ano foi esse, 2019?

Da lama em Brumadinho ao bailão em Paraisópolis, dos 80 tiros a esmo aos chicotes que estralaram nos fundos do mercadinho, fomos soterrados de notícias ruins e que vitimam nosso povo há 05 séculos. Com o fascismo no poder, os discursos e práticas racistas, machistas, lgbtfóbicos ganharam legitimidade. Como resistir a tudo isso?

Para nós da Periferia em Movimento, 2019 foi um ano de andar mais devagar, respirar com calma, observar, refletir e decidir com cautela quais caminhos seguir para continuar resistindo à concentração da mídia e para ter nossos direitos garantidos sendo quem somos.

Completamos 10 anos de atuação como produtora de jornalismo de quebrada e, com certa maturidade, fincamos raízes: estabelecemos uma sede no Grajaú, Extremo Sul de São Paulo, nosso território originário; ampliamos e fortalecemos nossas articulações em rede, com objetivo de valorizar os saberes periférico-ancestrais e em busca da construção de um plano de poder realmente popular; aprofundamos nossa produção de conteúdo, ressaltando as experiências de quem veio antes e de quem tá chegando agora.

Produzimos mais de 60 reportagens e artigos próprios, entre vídeos e textos, além de publicarmos notas destacando atividades culturais, cursos e oficinas nas periferias de São Paulo – buscando dar visibilidade a quem está na frente de luta pela garantia de direitos nas quebrada. Com isso, chegamos a uma média de 100 mil pessoas por mês em nossos canais – site, redes sociais e Youtube – em projetos como a série de reportagens “Matriarcas” ou com “Pense Grande Sua Quebrada” e “No Centro da Pauta” (esses 02 últimos apoiados respectivamente por Fundação Telefônica e Fundação Tide Setúbal).

Por isso apostamos na democratização da mídia na prática, promovendo cursos, oficinas, palestras e vivências sobre periferias, comunicação e direitos humanos. Ao todo, foram mais de 100 horas de encontros de aprendizagem em diferentes lugares de São Paulo com envolvimento direto de mais de 120 pessoas de todas as idades (especialmente adolescentes estudantes de escolas públicas), que discutiram e produziram conteúdos próprios, além de palestras e debates acompanhados por mais de 200 pessoas. Esses encontros foram realizados no âmbito da UniGraja – Universidade Livre Grajaú; do projeto Usina de Valores, liderado pelo Instituto Vladimir Herzog; dos Sescs Osasco e Pompeia; e das vivências jornalísticas apoiadas pelo Programa VAI da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

E seguimos articulados com coletivos e movimentos do Extremo Sul da cidade e também de outras pontas, em fóruns e redes diversos. Em 2019, particularmente, nos envolvemos na realização da pesquisa “Mapa do Jornalismo Periférico: Passado, Presente e Futuro”, junto aos coletivos Desenrola e Não Me Enrola, Historiorama e Preto Império, além das pesquisadoras Mariana Belmont e Gisele Brito, que no âmbito do Fórum Comunicação e Territórios mapeou 97 iniciativas de comunicação nas periferias.

E em 2020, com esses mesmos coletivos mais o Alma Preta, vamos lançar o InfoTerritório – uma plataforma focada na produção e distribuição de conteúdos jornalísticos com georreferenciamento com apoio da Google News Initiative.

Cola com a gente!

Relembre o que foi destaque em nossos canais:

– Série “Matriarcas”, com histórias de mulheres que cavaram os alicerces das lutas

– Série “Nosso Bonde”, destacando pessoas e organizações importantes na história da Periferia em Movimento

– Série “No Centro da Pauta”, contando o ciclo de vida periférico

– Projeto “Pense Grande Sua Quebrada”, destacando o empreendedorismo correria

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