Por Thiago Borges

Foto em destaque: Maloka Socialista

O feriado da Independência (7/9) não será de folga para Well Amorim, de 26 anos. Morador do Jardim Ângela (zona Sul de São Paulo), ele deve viajar cerca de 30 quilômetros até o Vale do Anhangabaú (no centro da cidade) para participar de um ato contra Jair Bolsonaro. “Tem uma política de extermínio que já existia antes da pandemia e que vem se agravando com diferentes medidas do governo federal”, diz ele, que faz parte da Maloka Socialista, coletivo que articula militantes culturais das quebradas paulistanas, de Aracaju (SE) e Governador Valadares (MG).

Nessa manifestação, o grupo deve se juntar ao “bloco preto”, que é puxado pela Coalizão Negra por Direitos. A iniciativa convocou mais de 200 organizações do movimento negro para reivindicar a derrubada da “política de morte do governo federal que atinge, principalmente, o povo negro, 56% da população brasileira”, nas palavras da articulação. Segundo a Coalizão, são 131 atos confirmados em 125 cidades brasileiras e em vários países ao redor do mundo. Confira a programação.

No mesmo dia, devem acontecer “protestos a favor” do governo, divulgados pelo próprio Presidente da República e apoiados por representantes do agronegócio, militares e setores fundamentalistas das igrejas evangélicas. Com caravanas de outras partes do País dirigindo-se a São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, a manifestação bolsonarista acendeu o alerta em lideranças políticas e comentaristas da imprensa sobre o risco de um “golpe”.

Grafite contra Bolsonaro em muro do Grajaú, Extremo Sul de São Paulo

“A gente entende também que a vitória que a gente precisa pra derrotar Bolsonaro é ocupando as ruas”, sinaliza Well. Por isso, nesta segunda-feira (6/9) a Maloka Socialista também pretende panfletar na região do M’Boi Mirim para divulgar o ato e também informar a população sobre medidas recentes do governo federal e do Congresso. Estão na lista o preço de alimentos, combustíveis, energia elétrica, o avanço da fome e a gestão da pandemia, que já fez mais de 580 mil vítimas fatais.

“A gente vê o avanço do ‘ultraneoliberalismo’, com direitos básicos sendo colocados à venda (…) Pra gente na quebrada, é fundamental fazer com que esse discurso não avance”, aponta Well.

Segurança

Na cidade de São Paulo, o ato no Anhangabaú acontece a partir das 14h e se soma ao Grito dos Excluídos, que desde 1995 anos marca o dia da Independência reivindicando direitos da população mais pobre. A manifestação pelo “Fora, Bolsonaro” chegou a ser proibida pelo governador João Doria, mas foi liberada pela Justiça. O governo paulista entendia que poderia haver o risco de conflito, uma vez que a avenida Paulista deve ser ocupada por grupos bolsonaristas.

Para evitar esses possíveis encontros no trajeto para o ato, a Maloka Socialista e outros grupos da frente “Fora, Bolsonaro” do M’Boi Mirim (como o cursinho popular Ubuntu e o espaço Quilombar, entre outros) fretaram um ônibus para levar militantes da região ao centro da cidade.

Por meio do whatsapp, a Periferia em Movimento perguntou ao nosso público sobre as percepções a respeito dos protestos deste dia 7 de setembro. Para participar da lista de transmissão, clique aqui. As posições se dividem, como mostram algumas das respostas que publicamos abaixo.

O medo de sofrer alguma violência e o risco da variante delta do coronavírus fizeram com que Ana Morbach, 31, decidisse ficar em sua casa no Butantã (zona Oeste). “O que mais me angustia com relação a esse dia é nós sermos pautados e acuados por essas pessoas violentas e sem caráter”, diz a estudante atualmente desempregada.

Já a estudante Leila Sousa Lopes, 20, acha importante ter um ato para fazer frente no mesmo dia à manifestação pró-governo. Ainda assim, apesar da vontade de protestar, ela sente receio diante da possibilidade de policiais bolsonaristas participarem do ato. “Manifestações contrárias vão ser recebidas com a violência que estamos acostumados a ver”, acredita ela, que mora no Capão Redondo.

Ronaldo Vieira, 56, não pode sair de casa mas pretende divulgar as manifestações de sua casa no Jardim Santo Antônio (zona Sul da capital paulista). “O povo em maior parte demorou muito para despertar do estado de coisas que estão fazendo em prejuízo da população periférica, menos favorecida financeiramente. O prejuízo para o povo brasileiro é muito grande”, acredita.

Morador do Parque Peruche (zona Norte de São Paulo), Sidinei Roberto Nobre Junior, 44, pretende colar no ato junto a uma amiga, que é professora em Guarulhos. “Os atos ‘Fora, Bolsonaro’ são uma necessidade. O País está um caos. O racismo e o ódio estão instalados no governo federal”, diz o secretário escolar. “Não dá pra aceitar um governo genocida, racista e corrupto como este”, completa.

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