Por Aline Rodrigues, Karina Rodrigues, Laís Diogo e Thiago Borges. Colaboração de Camila Lima, Paulo Cruz e Pedro Ariel Salvador

UTIs lotadas, pessoas agonizando à espera de um leito de hospital, preço dos alimentos e desemprego em alta, pobreza crescente e a volta do fantasma da fome. Com 2.349 mortes por covid-19 registradas na quarta-feira (11/3), o Brasil atingiu um novo recorde e contabiliza até o momento 272.889 vítimas fatais. Com apenas 4,26% da população vacinada, o País se tornou o epicentro da pandemia decretada há 1 ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para tentar conter o avanço do contágio, a partir de segunda-feira (15/3) todo o Estado de São Paulo entra na chamada “fase emergencial”, a mais rígida já decretada pelo governador João Doria. Eventos esportivos, igrejas e templos religiosos não poderão funcionar nesse período, serviços administrativos deverão ser feitos à distância e as empresas que dependem da presença física de funcionários precisarão adotar escalas de trabalho para evitar a lotação nos transporte público em horários de pico. Das 20h às 5h, vai vigorar um toque de recolher. Quem estiver nas ruas sem razão poderá ser multado e até preso.

Na cidade de São Paulo, o prefeito Bruno Covas decretou a suspensão das aulas presenciais a partir da próxima quarta-feira (17/3).

Já uma nova rodada de pagamento do auxílio emergencial finalmente poderá acontecer, após a Câmara dos Deputados ter aprovado nesta madrugada uma controversa proposta de emenda constitucional (PEC) emergencial. A PEC congela por até 15 anos os reajustes salariais de servidores públicos, como médicos, enfermeiros e professores.

Os parlamentares definiram um teto de R$ 44 bilhões para pagar a renda emergencial por 4 meses. O montante é muito menor do que o disponibilizado no ano passado (R$ 294 bilhões), com parcelas de R$ 250 em média e, segundo movimentos sociais, deve excluir 1 em cada 4 beneficiários – mais de 17 milhões de brasileiros devem ficar sem receber.

Como sobreviver diante do boicote sistemático ao combate à pandemia por parte do governo federal chefiado pelo ex-capitão do Exército Jair Bolsonaro, sem uma coordenação federal liderada pelo Ministério da Saúde e com medidas de restrição nem sempre efetivas decretadas por governos estaduais e municipais?

Há exatamente 1 ano, a Periferia em Movimento listou 16 perguntas sobre o impacto da pandemia na vida de moradoras e moradores de periferias urbanas, povos do campo e da floresta e marginalizados em geral. Naquela época, apontamos que em um País marcado por desigualdade social, machismo, racismo e LGBTfobia, com cortes em políticas públicas e desemprego recorde, o coronavírus tinha potencial de impactar não apenas nossa saúde como também nossa frágil convivência em sociedade. E isso pautou toda nossa cobertura nesse período.

Agora, com o agravamento da situação, precisamos fazer novos questionamentos. Por isso, lançamos 23 novas perguntas que precisam de resposta (a lista segue em atualização – envie sua pergunta pelo whatsapp).

1. O auxílio deve beneficiar um número muito menor este ano. Qual será o critério para selecionar beneficiários nesta nova rodada?

2. Considerando o preço médio da cesta básica em São Paulo, de R$ 631 em janeiro deste ano, como as pessoas que dependem do recurso conseguirão sobreviver sem se expor ao vírus?

3. Por que governos estaduais e prefeituras municipais não complementam essa renda, a exemplo do que a cidade de São Paulo faz ao destinar R$ 100 a famílias mais vulneráveis, e Belém começou a fazer agora, com R$ 450?

4. Quais outras medidas urgentes têm sido tomadas para combater a fome?

5. A cobrança das tarifas de água e de luz será novamente suspensa para famílias de baixa renda?

6. O Governo do Estado de São Paulo retomará a gratuidade nos restaurantes Bom Prato?

7. Como micro e pequenos empreendedores estão sendo socorridos para evitar falência?

8. A longo prazo, qual será o efeito da proposta de emenda constitucional (PEC)?

9. Qual é o impacto no orçamento de famílias que perderam algum ente querido para a doença?

10. O Estado brasileiro vai indenizar órfãos e familiares de vítimas da covid-19?

11. A morte de profissionais de saúde que morreram na linha de frente será considerada acidente de trabalho?

12. Autoridades públicas vão responder criminalmente pelas mortes causadas pela gestão da pandemia?

13. O poder público vai disponibilizar máscaras mais seguras (como N95 ou PFF2) à população, ou ao menos a quem atua em serviços essenciais?

14. Como será a abordagem de policiais e outros agentes públicos nas periferias enquanto vigorar o toque de recolher no Estado de São Paulo?

15. Quais medidas serão ou estão sendo tomadas para reforçar o atendimento à saúde mental da população?

16. E como o poder público está se preparando para tratar pessoas com sequelas físicas da covid-19?

17. O que está sendo feito ou proposto para conter o avanço das desigualdades sociais, raciais e de gênero?

18. Como conter a evasão escolar sem colocar em risco estudantes e profissionais da educação?

19. Que tipo de apoio será dado a trabalhadoras terceirizadas de creches e escolas, que voltaram a trabalhar recentemente e agora devem retornar para casa?

20. Como as mudanças do último ano alteraram a garantia de direitos trabalhistas?

21. O que está sendo feito para combater casos de violência contra mulheres, idosos, crianças e adolescentes?

22. Quando e onde serão abertos novos hospitais de campanha?

23. Qual é a perspectiva de vacinação de toda a população?

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3 comentários

  1. Parada tá séria!
    O trampo de vcs é nossa arma de resistência
    Trazendo a informação de um jeito que a Quebrada entende!
    Resistimos por vcs existirem!

  2. A galera precisa entender que o cuidado é pra todos ficarem Bem , pra não pegar e não transmitir Covid . Um por todos e todos por um….

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