Reportagem e fotos de Julia Vitoria. Edição de Thiago Borges

A professora de educação infantil Adriana Ferreira da Silva, de 53 anos, passou 2020 realizando aulas à distância. Em 2021, com o retorno das atividades presenciais, ela continuou em casa. Dessa vez, de braços cruzados.

“Tô em greve em proteção a mim, a minha família e toda comunidade escolar”, aponta ela, que trabalha numa escola municipal de São Miguel Paulista (zona Leste de São Paulo). Imunizada com a Coronavac, ela ainda não teve desconto salarial, mas acredita que deve sofrer o impacto no próximo pagamento. Enquanto isso, mobiliza apoio para socorrer outros colegas na sua região e assim manter a greve ativa. “A vida é a mãe de todos os direitos”.

Adriana Ferreira da Silva, professora (Foto: Julia Vitoria)

Adriana participou do ato que marca os 100 dias de greve na educação municipal de São Paulo. Paralisados desde 10 de fevereiro, nesta quinta-feira (20/5) cerca de 200 manifestantes caminharam da sede da Prefeitura, no Centro, até a sede da Secretaria Municipal de Educação, na Vila Clementino (zona Sul). A passeata passou em frente ao Hospital do Servidor Público Municipal, onde manifestantes fizeram um minuto de silêncio em respeito às pessoas doentes ou mortas pela covid-19.

Segundo o Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep), cerca de 12 mil professores estão em greve na cidade. Os grevistas reivindicam uma negociação aberta com o prefeito Ricardo Nunes (MDB) por transparência no número de vacinados no segmento e em relação ao corte no ponto de professores, adequação das escolas com ventilação, vacinação de toda a comunidade escolar e fornecimento de máscaras do tipo PFF2, entre outras demandas.

“Estamos lutando para que nossas vidas sejam preservadas”, aponta o professor Maciel Nascimento, que é secretário de educação e formação do Sindsep. Ele observa que essa é a greve mais longa da história da Prefeitura de São Paulo.

Patricia Souza, professora (Foto: Julia Vitoria)

Moradora do município de Carapicuíba (na região metropolitana), Patrícia Souza, 49, leciona desde 2008 e atua em uma escola de ensino fundamental no Butantã (zona Oeste da cidade). “Estou paralisando hoje em respeito aos demais profissionais que estão aqui e estão sujeitos a estarem no chão da escola se colocando em risco presencialmente, sem direitos e reconhecimentos”, diz ela, que já tomou as 2 doses da Coronavac. Como ela conseguiu o direito de trabalhar remotamente por ter comorbidades, não teve desconto na folha de pagamentos.

Já Cristina Oliveira, que é professora há 12 anos e hoje atua no Butantã (zona Oeste), ainda aguarda a vacina chegar ao seu braço. “Nunca chegamos a um caos desse. A nossa luta não tem nada haver com dinheiro, é pela vida. Eu quero trabalhar. Só quero condições para isso”, conclui.

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