Obras na Estrada do M’Boi Mirim prejudicam acesso a escolas e unidade de saúde

Obras na Estrada do M’Boi Mirim prejudicam acesso a escolas e unidade de saúde

Intervenção de R$ 446 milhões divide opiniões entre quem reconhece necessidade, mas critica falta de cronograma e apoio no trânsito local

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Moradores da região do M’Boi Mirim, na zona Sul de São Paulo, questionam a condução das obras de duplicação e requalificação da Estrada do M’Boi Mirim, que atendem os bairros de Vila Calú, Jardim Capela, Chácara Sonho Azul, Vila do Sol e Bananal.

A intervenção, dividida em três fases, está atualmente na sua primeira etapa em um trecho entre a Avenida dos Funcionários Públicos e a divisa da capital com Itapecerica da Serra, na altura da Rua Humberto Marçal, e tem provocado congestionamentos e dificuldades de acesso para quem vive na região.

Escolas e sistema de saúde

Obras Trecho 1 – M’Boi Mirim./Foto: Arquivo Pessoal

Entre os afetados estão moradores, usuários do sistema de saúde da região e estudantes de três escolas públicas próximas: uma escola estadual, uma EMEI da Prefeitura de São Paulo e uma creche conveniada.

Uma mulher, que preferiu não se identificar, é moradora da região e mãe de uma aluna de uma das escolas afetadas. Ela relata que, além das dificuldades de deslocamento e dos possíveis atrasos nas aulas, a instalação de banheiros químicos para dar suporte à obra, próximos ao portão de saída, tem gerado insegurança devido ao fluxo intenso de pessoas.

Um servidor público que trabalha na região e pediu para não ser identificado por receio de represálias, confirmou a informação e afirmou à reportagem que, embora a obra seja considerada necessária, as críticas se concentram na falta de previsibilidade no cronograma da obra e na ausência constante de equipes de apoio para organizar o trânsito.

A UBS Vila Calú, unidade de saúde de cobertura na região, também é afetada pelo fluxo de trânsito das obras.

“Situações emergenciais necessitam de vias de escape para um Pronto Atendimento numa emergência. Posso atestar que estas situações não são raras”, confirma a fonte ouvida pela reportagem.

A subprefeitura confirmou, por meio de boletim, que a primeira fase do trabalho foi iniciado em janeiro deste ano e deixou em aberto a data de conclusão, prevista para o fim do primeiro semestre de 2026. Também não há relato de apoio para o trânsito local.

Impacto no transporte público

Obras Trecho 1 – M’Boi Mirim./Foto: Arquivo Pessoal

Antes das intervenções, o transporte público da região era atendido por três linhas urbanas e quatro intermunicipais. A Prefeitura de São Paulo informou que a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte e a SPTrans adotaram um plano emergencial de desvios e uma operação temporária para manter o atendimento a moradores e trabalhadores do território.

A Estrada do M’Boi Mirim tem cerca de 16 quilômetros de extensão e liga o Jardim São Luís ao Jardim Ângela. Segundo a prefeitura, aproximadamente 33 mil passageiros utilizam, em dias úteis, o trecho que corresponde à primeira fase da obra. As rotas alternativas para o transporte público foram divulgadas pela administração municipal neste site.

Sobre a obra

A obra de duplicação e requalificação da Estrada do M’Boi Mirim foi iniciada em janeiro pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, em parceria com o Governo do Estado, com investimento previsto de R$ 446,7 milhões.

Segundo a prefeitura, a intervenção prevê nova pavimentação, modernização do sistema de drenagem, instalação de iluminação em LED, enterramento de fiação, arborização e adequação de calçadas.

Em nota, a Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras afirmou que as primeiras atividades foram as escavações subterrâneas para implantação da rede de drenagem, com o objetivo de reduzir impactos no trânsito durante as festas de fim de ano. As intervenções viárias, com interdição da via, começaram em 5 de janeiro. De acordo com a pasta, o cronograma segue o planejamento original e a previsão é concluir o Trecho 1 em agosto.

Sobre a instalação de banheiros químicos próximos a escolas, a gestão municipal informou que a empresa responsável foi acionada para verificar a situação e realizar eventuais ajustes.

A Companhia de Engenharia de Tráfego declarou que mantém liberado o acesso ao trânsito local nas escolas próximas à obra e que, nas unidades situadas no desvio principal, na Avenida José Estima Filho, agentes estão organizando a entrada e a saída de alunos. O acesso à UBS Vila Calu, segundo a prefeitura, também está liberado para o trânsito local. A administração municipal informou ainda que disponibilizou um canal exclusivo de atendimento por WhatsApp para dúvidas da comunidade.

A resposta, no entanto, não esclarece se as intervenções da Sabesp em vias secundárias integram o mesmo contrato ou qual é o prazo para conclusão desses serviços. Também não foi informado se há plano específico para atendimento rápido em situações de urgência envolvendo a comunidade escolar, além da manutenção do acesso local.

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