Contrárias à privatização do Metrô e de outras estatais, pessoas periféricas divergem a respeito da greve

Contrárias à privatização do Metrô e de outras estatais, pessoas periféricas divergem a respeito da greve

Paralisação de 24 horas do Metrô, CPTM e Sabesp chama atenção para plebiscito popular a respeito da venda de estatais pelo governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos); concedida à iniciativa privada, linha 9-esmeralda parou devido a pane elétrica

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Reportagem de André Santos, com colaboração de Thiago Borges. Apoio na cobertura: Vênuz Capel

O congestionamento nas ruas da cidade de São Paulo chegou a 600 quilômetros na manhã desta terça-feira (3/10). O rodízio foi suspenso, enquanto a frota de ônibus foi reforçada. Nos pontos e terminais, filas de pessoas tentando embarcar rumo ao trabalho ou outros compromissos do dia. O cenário é efeito da greve de profissionais do Metrô, da CPTM e da Sabesp, que contou com apoio de outras categorias.

O trabalho foi interrompido para protestar contra as propostas de privatização das empresas públicas pelo governo do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que pretende cumprir a promessa de vender tudo que é estatal até 2025. Curiosamente, a linha 9-esmeralda, que é operada pela empresa privada Via Mobilidade, sofreu uma pane na tarde de hoje e as pessoas precisaram desembarcar na linha férrea. Ônibus do sistema PAESE foram acionados para amenizar o problema.

Enquanto isso, a reportagem da Periferia em Movimento percorreu as estações Guilhermina, Patriarca e Artur Alvim – da linha 3-vermelha, na zona Leste de São Paulo, a mais afetada pela paralisação. Fechadas, nem mesmo as escadas rolantes funcionavam. Profissionais da limpeza e das bilheterias, muitas vezes de empresas terceirizadas, seguiam com o trabalho mesmo com as estações travadas. Pessoas paravam no portão para pedir informação a seguranças sobre como seguir o trajeto por outros meios.

Em conversa com algumas dessas pessoas, a Periferia em Movimento ouviu uma concordância generalizada contra a privatização, mas com diferentes visões sobre as estratégias de luta contra a medida.

“Eu acho a greve necessária, sou totalmente contra a privatização. Mas talvez poderia ter outra forma, porque tem muita gente que depende do transporte público e o patrão não quer saber”, conta a administradora Adriana Santos, de 49 anos, que tentava ir ao trabalho nesta manhã.

Para Juliano Domingo, 50, que esperava por uma pessoa, o protesto é fundamental para afirmar o interesse da população. “O que falar desse nosso País? É difícil pra nós entregar o que é nosso pra, de repente, uma empresa lá de fora vir comprar. Porque com certeza vai vir lá de fora, no nosso Brasil não vai ter ninguém pra comprar uma CPTM, Metrô ou Sabesp da vida”, reforça.

O estudante Marcelo Henrique, 24, tentava ir para a faculdade. Ele nota que seria importante ter mais divulgação sobre as motivações da paralisação para que a população se mobiliza também. De fato, havia quase nenhuma panfletagem na porta das estações.

“Acho que precisa acontecer a greve, ninguém nunca conseguiu nada ficando parado, mas precisa de mais apoio da população, que às vezes não aceita ou entende bem. Então acho que deveria ter uma popularização maior dos motivos, uma explicação maior das próprias companhias que estão em greve, pra população não achar que só são vagabundos querendo parar de trabalhar”, completa.

 

Motivações

Em decisão judicial concedida ao Governo do Estado, o desembargador do trabalho Ricardo Peel Furtado de Oliveira afirmou que a greve dos metroviários é “política”. A liminar proíbe a greve e estabelece que a operação deve ser de 100% nos horários de pico e 80% nos demais horários.

O Sindicato dos Metroviários, por sua vez, manteve a paralisação e alegou considerar a decisão judicial um “ataque ao direito constitucional de greve”.

Durante a manhã, o governador Tarcísio de Freitas alegou em pronunciamento oficial que a greve é “ilegal, abusiva e claramente política”.

Os Sindicatos se defendem e exigem a realização de um plebiscito com toda a população do estado sobre a privatização das 3 empresas públicas. Na semana passada, uma frente contra a venda das estatais promoveu um ato de rua na zona Sul de São Paulo. A Periferia em Movimento acompanhou. Relembre:

No metrô, a Linha 4-Amarela, da ViaQuatro, e a Linha 5-Lilás, da ViaMobilidade, são as únicas funcionando integralmente. As Linhas 1-Azul, 2-Vermelha, 3-Verde e 15-Prata, de responsabilidade do MetrôSP, seguem com as catracas bloqueadas.

Já na CPTM, a Linha 7-Rubi está operando parcialmente (entre Luz e Caieiras), assim como a Linha 11-Coral (entre Luz e Guaianases). Já as Linhas 10-Turquesa, 12-Safira e 13-Jade estão paralisadas. Por outro lado, a já citada (e problemática) Linha 9-Esmeralda deveria estar funcionando normalmente, mas apresenta instabilidades. A Linha 8-Diamante segue com a operação normal.

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