A quebrada une, mas a cor separa: Luta contra racismo precisa de engajamento de pessoas brancas periféricas

A quebrada une, mas a cor separa: Luta contra racismo precisa de engajamento de pessoas brancas periféricas

Fernanda Souza

Fernanda Souza

Nesta reportagem, a psicóloga e pesquisadora branca e periférica Cibele Bitencourt explica que, mesmo com vantagens que pessoas brancas pobres levam em relação a não-brancas, quem tá na quebrada tem muito pouco a ganhar com a manutenção da branquitude

Entrevistas de Fernanda Souza e Paula Sant’Ana. Roteiro: Letícia Padilha. Revisão: Thiago Borges. Orientação e apoio técnico: Gisele Brito. Captação, edição de imagens e finalização: Vitori Jumapili. Edição de áudio: Paulo Cruz. Design: Rafael Cristiano

Apesar da ideia difundida de que vivemos em uma democracia racial, é preciso dizer: não somos iguais, nem mesmo na pobreza. Isso porque vivemos sob a branquitude, um sistema de poder que favorece pessoas brancas em todos os campos da sociedade: na educação, no mercado de trabalho, na política.

A psicóloga e pesquisadora branca e periférica Cibele Bitencourt explica quais são as vantagens que pessoas brancas levam em relação a não-brancas, mesmo sendo pobres e vivendo em periferias, e por que é preciso reconhecer e lutar contra isso. “A gente tem muito menos a ganhar com a branquitude”, aponta ela.

ASSISTA:

Em todo Brasil, 42,7% da população se autodeclarava branca até 2019. Na cidade de São Paulo, a população branca é maioria e apenas 37% das pessoas se autodeclaram pretas ou pardas. Ainda assim, esse índice é maior em 42 distritos paulistanos, sendo que apenas a Sé (com 38,3%) fica na região central. O percentual chega a 60% no Jardim Ângela (zona Sul) ante 5,8% em Moema (distrito rico também na zona Sul).

O Grajaú (Extremo Sul) continua sendo o distrito mais populoso da cidade e é o segundo mais negro, com 56,8% da população autodeclarada preta ou parda, que também é maioria em Parelheiros (56,6%), Lajeado (56,2%), Cidade Tiradente (56,1%), Itaim Paulista (54,8%), Jardim Helena (54,7%), Capão Redondo (53,9%), Pedreira (52,4%) e Guaianases (51,5%).

Não é por acaso que as periferias recebem menos investimento público e também impacta pessoas brancas que vivem nessas regiões, apesar das vantagens dasquais a coletividade branca se beneficia no dia a dia. Segundo o Mapa da Desigualdade 2021, é nas quebradas que há mais pessoas vivendo em favelas ou dividindo a mesma casa que nos bairros centrais e mais ricos, além de estarem mais distantes de postos de trabalho formal.

A diferença impacta inclusive na idade média ao morrer, que chega a mais de 22 anos: enquanto uma pessoa de Alto de Pinheiros (zona Oeste) vive em média até os 80,9 anos, em Cidade Tiradentes (Extremo Leste), ela chega em média aos 58,3 anos.

Esta reportagem foi produzida pela Periferia em Movimento no âmbito Repórter da Quebrada: uma morada jornalística de experimentações. O programa de residência em jornalismo de quebrada é realizado com apoio do Fomento à Cultura da Periferia da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo

Agradecimentos especiais pela consultoria para realização deste conteúdo: Alex Barcellos, Cibele Bitencourt e Janaína Soares

Colaboração

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