Por Khadja Ferraz. Edição: Thiago Borges
Grupos e criadores de conteúdo discutem o papel do homem em meio à crescente das discussões sobre masculinidade nas redes e a atenção voltada a ondas como a “Red Pill”, que usam a internet para pregar uma falsa “superioridade” masculina sobre as mulheres.
A autopercepção é fundamental. Segundo uma pesquisa do Papo de Baile do Mais Um com homens da periferia do Rio de Janeiro, 51% dos entrevistados não se consideram machistas. Entretanto, 55,5% dizem que precisam melhorar muito as suas atitudes e 40% afirmam já ter tido atitudes violentas.
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A Periferia em Movimento reuniu algumas das iniciativas que abordam a desconstrução da masculinidade na perspectiva periférica – não foi fácil encontrar, o que demonstra a urgência de mais ações desse tipo. Confira:
Programa “E agora José?”
O projeto “E Agora, José?” trabalha com a reeducação de homens autores de violência doméstica, com foco na prevenção de novas agressões. A proposta é promover reflexões sobre masculinidade, responsabilidade e formas de se relacionar sem violência.
A iniciativa atua em conjunto com às medidas previstas na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340) , recebendo principalmente homens encaminhados pela Justiça, por condenação, intimação e medida protetiva em vigor.
Mas também há participação por procura espontânea e formação de mediadores de grupos reflexivos.
Os encontros são semanais, com duração de duas horas, ao longo de 20 semanas, e acontecem tanto de forma on-line quanto presencial a depender do local.
Para mais informações acesse a página do instagram: @grupodehomenseagorajose ou entre em contato a partir do número: 11 94916-3920.
Happy Black Hour – Encontro de Homens Pretos
O Encontro de Homens Pretos (EHP) foi criado em junho de 2023 por um grupo de amigos, com o intuito de dar início a um espaço seguro para que homens pretos possam falar sobre sentimentos, desafios do dia-a-dia, família, carreira e saúde mental.
Em 2025 o coletivo realizou 10 encontros presenciais, reunindo mais de 400 homens que passaram pelas rodas de conversa e atividades. Nos encontros, são debatidos temas como saúde mental, afeto, vulnerabilidade, carreira, empreendedorismo e pertencimento, abordados de forma direta e prática, desconstruindo a ideia de que para ser homem não se pode ser sensível.
Os encontros costumam acontecer na terceira quinta-feira do mês, mas podem variar. Para acompanhar a programação e saber mais, é só se atentar às redes sociais: @happyblackhour.
Boxe Autônomo
O Boxe Autônomo é um coletivo que une esporte, política e com atuação social no combate ao machismo, à homofobia, ao racismo e ao fascismo. Funciona como uma academia popular com a proposta de democratizar o acesso ao boxe e criar um espaço de formação crítica dentro e fora do ringue.
Os treinos começaram no fim de 2015, na Ocupação Leila Khaled, no bairro da Liberdade, onde conviviam brasileiros, sírios e palestinos refugiados. Depois, o coletivo passou por praças da cidade e pela Ocupação Mauá, na região da Luz. Desde 2017, atua na Favela do Moinho, considerada a última favela do centro de São Paulo, localizada sobre os trilhos da Linha 7 da CPTM.
As aulas acontecem de segunda a quinta-feira, no período da noite, e aos sábados, pela manhã. Para participar, é necessário preencher o formulário disponível na bio do Instagram do coletivo: @boxe_autonomo.
Diego Silva – Parentalidade Preta
A Parentalidade Preta é uma iniciativa do educador parental Diego Silva, que discute paternidade, maternidade e masculinidades negras a partir de uma perspectiva afrocentrada, criando espaços de escuta, troca e reflexão.
O projeto produz conteúdos como podcasts e entrevistas, além de promover rodas de conversa online e outras atividades formativas.
Nos encontros, são abordados temas como afetividade entre pais e filhos, masculinidade preta e a ruptura de ciclos de violência e ausência paterna.
Com uma abordagem política, mas também focada no cuidado, a iniciativa ajuda a construir redes de apoio entre pais negros, fortalecendo vínculos e incentivando outras formas de viver a paternidade. Você pode ter acesso aos conteúdos na página do Instagram: @parentalidade_preta e no Spotify.
Professor Moises Machado
Moisés Machado é professor e influenciador digital e utiliza suas redes sociais para discutir educação, racismo e consciência social a partir do cotidiano escolar.
Seus conteúdos trazem reflexões sobre racismo estrutural, vivências negras e o ambiente educacional.
Além disso, usa sua visibilidade para denunciar situações de racismo, inclusive em casos públicos, ampliando o debate para além da sala de aula e conectando essas discussões com a realidade de jovens e estudantes.
Seus conteúdos podem ser acompanhados pelo Instagram: @profmoisesmachado.






