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Depender do busão faz parte da rotina de quem precisa trabalhar, estudar, cuidar da saúde ou circular pela cidade. Mas no Jardim Castro Alves, bairro do Grajaú (Extremo Sul de São Paulo), a população reclama dos longos intervalos, veículos lotados e linhas que não circulam no fim de semana.
Um exemplo é a linha 675G-41, que faz o trajeto entre o bairro e o Metrô Jabaquara e circula apenas em dias úteis.
Aos sábados, domingos e feriados, quem precisa seguir até o Jabaquara precisa caminhar até a avenida Dona Belmira Marin ou fazer baldeação nos terminais Grajaú ou Santo Amaro..
A situação foi relatada em uma escuta territorial realizada pela Periferia em Movimento.
Durante o reconhecimento na região do Grajaú, Agentes de Integridade da Informação passaram pela avenida João Paulo Barreto, onde fica a UBS Jardim Castro Alves, e identificaram um ponto atendido diariamente por linhas que fazem a ligação com os terminais Grajaú e Santo Amaro.

Jéssica Alves e Carolaine Nunes, Agentes de Integridade da Informação da Periferia em Movimento, batem de porta em porta para ouvir população (foto Periferia em Movimento)
Já a ligação com o Jabaquara funciona apenas em determinados dias. Quem depende da linha, precisa reorganizar o trajeto conforme o dia da semana.
A situação também se relaciona às mudanças provocadas pelo Domingão Tarifa Zero, que ampliou o uso do transporte público aos domingos e feriados. A medida alterou os deslocamentos pela cidade e colocou em evidência problemas como demora e lotação dos ônibus nas periferias.
A Periferia em Movimento já mostrou como a tarifa zero alterou a rotina de quem se desloca pela cidade e os desafios encontrados no transporte. Leia a reportagem da PEM sobre o tema.
Mas, afinal, quando uma linha demora demais para passar, chega lotada ou deixa de atender o território em determinados dias, o que o passageiro pode fazer?
Onde reclamar?
A SPTrans recebe reclamações sobre problemas como falta de partidas e intervalos excessivos. O registro pode ser feito pelo Portal SP156 ou pelo telefone 156.
Na hora de reclamar, vale reunir o máximo de informações possível: número e nome da linha, data, horário, local e uma descrição do problema. Também é importante guardar o número do protocolo para acompanhar a solicitação.
Existe uma diferença entre registrar uma reclamação sobre uma ocorrência e pedir uma mudança na programação da linha.
Para solicitar especificamente a reprogramação de horários ou a redução dos intervalos, a SPTrans orienta que o pedido seja encaminhado formalmente, com a identificação de quem está solicitando e uma justificativa para que a equipe técnica avalie a necessidade de mudança.

Fila no terminal Santo Amaro, Zona Sul de São Paulo: Tarifa zero aos domingos está em vigor desde dezembro de 2023 (foto: Prefeitura de São Paulo)
Ônibus lotado
Quando o problema é a superlotação, você pode solicitar acréscimo de veículos na linha.
Para isso, é importante informar qual é a linha, em que horário o problema acontece e em qual ponto ou trecho os ônibus chegam lotados.
Por exemplo:
- Linha: 675G-41
- Horário: 7h
- Local: Avenida Dona Belmira Marin
- Problema: os ônibus chegam lotados e passageiros ficam no ponto.
E se o problema for do bairro inteiro?
Quando a dificuldade atinge várias pessoas, a população pode reunir informações para mostrar que aquele é um problema recorrente no bairro.
Uma forma de fazer isso é registrar durante alguns dias os horários em que a linha passa, momentos de maior lotação, pontos e dias mais afetados.
Com esses dados, é possível fazer uma reivindicação coletiva por mais viagens, redução dos intervalos ou mudanças na operação da linha.
A SPTrans também mantém atendimento para representantes de bairros, comunidades e organizações que precisam tratar de demandas relacionadas às linhas. Reclame, mas guarde o protocolo
Você também pode ter outros direitos
Desembarque noturno: mulheres e pessoas com 60 anos ou mais podem solicitar o desembarque fora do ponto entre 22h e 5h, desde que a parada esteja no trajeto da linha e seja permitida pelas regras de trânsito.
Pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida: podem solicitar o desembarque fora do ponto em qualquer horário, respeitando o itinerário e as regras de trânsito, com exceção dos corredores exclusivos de ônibus.
Para conhecer outros direitos de quem usa o transporte público em São Paulo, confira também o “E agora, PEM?” sobre transporte público.
Edição: Thiago Borges



