A produção cultural e intelectual negra sempre foi forte no Brasil. Nomes como Conceição Evaristo, Carolina Maria de Jesus e Maria Firmina dos Reis ajudam a dimensionar esse percurso, deixando fundamentos que articulam literatura, memória e posicionamento político para o presente e o futuro.
Isso sustenta a construção de narrativas sobre o próprio movimento negro e periférico no País.
Neste dia 13 de maio, que marca os 118 anos da Abolição da Escravatura ainda inconclusa, a população negra ainda luta por equidade de direitos. E a Periferia em Movimento levantou conteúdos e iniciativas que ajudam a entender como as narrativas foram construídas e seguem em disputa hoje.
Podcast ‘Pluralidade em Pauta’
O Pluralidade em Pauta reúne conversas entre pessoas de diferentes trajetórias para discutir experiências ligadas à identidade, trabalho e território. Criado em 2020 pelo jornalista André Sant’Anna, do Grajaú (Extremo Sul de São Paulo), em 2026 adotou um formato em estúdio, mantendo episódios também em vídeo.
Na nova temporada, os encontros partem de vivências concretas, como crescer na periferia de São Paulo nas décadas de 1980 e 1990, conectando memória e presente.
Disponível no YouTube, Spotify e principais plataformas de áudio, em episódios quinzenais.
Podcast ‘Vida Palmarina’
O podcast Vida Palmarina revisita a história do Quilombo dos Palmares como uma sociedade organizada, indo além da ideia de símbolo de resistência.
A série, lançada em abril, reúne pessoas da pesquisa e lideranças quilombolas ao longo de cinco episódios para ampliar a compreensão sobre o território e suas formas de organização política, econômica e social.
Série documental em áudio em 5 episódios disponível em: Spotify, Apple Podcasts, Amazon Music e demais plataformas.
Exposição ‘Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon’
O pensamento do psiquiatra e filósofo anticolonial Frantz Fanon ganhou novas leituras na exposição em cartaz no Museu das Favelas, localizado no Largo Pateo do Colégio, 148 (Centro Histórico de São Paulo).
A mostra reúne mais de 130 obras de artistas de oito países e propõe um diálogo entre arte contemporânea e questões ligadas à identidade, território e imaginação.
Dividida em quatro eixos temáticos, a exposição organiza trabalhos que colocam a imaginação como ferramenta de transformação. Está em cartaz até 24 de maio, de terça a domingo, das 10h às 17h. Os ingressos gratuitos estão disponíveis aqui.
Exposição ‘Foto de Quebrada’
No mesmo espaço, a exposição reúne produções fotográficas de periferias de diferentes regiões do País. As imagens organizam registros que passam por cotidiano, trabalho e relações, ampliando as formas de ver esses territórios.
Selecionada por meio do chamamento “Favela Ocupa”, a exposição foi aberta em 14 de abril e os ingressos estão disponíveis aqui.
Exposição ‘Zumví Arquivo Afro Fotográfico’
O Instituto Moreira Salles (avenida Paulista, 2424) apresenta uma retrospectiva do Zumví Arquivo Afro Fotográfico, criado em Salvador em 1990 com o objetivo de valorizar o protagonismo negro por meio da fotografia.
A exposição reúne cerca de 400 imagens distribuídas em dois andares.
O conjunto de trabalhos registra diferentes dimensões da vida da população negra na Bahia, com imagens de movimentos sociais, manifestações culturais e do cotidiano.
A visitação pode ser de terça a domingo e feriados, até 23 de agosto, das 10h às 20h. A entrada é gratuita.
- Militantes do Movimento Negro Unificado (MNU) recepcionando Nelson Mandela, praça Castro Alves, Salvador, BA, 1991. Foto de Rogério Santos / Zumví Arquivo Afro Fotográfico.
- Grupo de Crianças no evento no terreiro Ilê Axé Opô Afonjá. Circa 1980. Foto de Rogério Espírito Santo. Zumví Arquivo Afro Fotográfico.
Estudos acadêmicos
Carla Akotirene e a interseccionalidade
A escritora, doutora em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismos, Carla Akotirene, é uma das vozes que estruturam o debate sobre interseccionalidade, conceito que explica como diferentes formas de opressão atuam juntas, como racismo, machismo e desigualdade de renda. E lançará um novo livro esse ano.
Ela é autora do livro “Interseccionalidade“, da série “Feminismos Plurais“, e seu novo livro “Amor Preto: Escrevivências sobre Racismo e Interseccionalidades” está em pré venda, com lançamento no dia 15 de junho.
A discussão sobre o colorismo com Gabriela Bacelar
Em meio a discussões ambíguas sobre mestiçagem e colorismo, a doutoranda Gabriela Bacelar parte do debate sobre identidade racial para discutir como essas classificações foram construídas.
Em seus conteúdos e no seu livro “Contramestiçagem Negra e Colorismo”, ela trata a ideia de raça como parte de um sistema de classificação criado no período colonial, que organizou pessoas a partir de marcas físicas e definiu hierarquias que seguem operando.
Muniz Sodré e o racismo pós-abolicionista
O sociólogo, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é um dos principais intelectuais do país nos campos da comunicação, cultura afro-brasileira e educação, destacando-se pela análise do racismo e a construção de um pensamento transdisciplinar.
É autor do livro “O fascismo da cor: Uma radiografia do racismo nacional”, que fala sobre o racismo brasileiro pós-abolicionista.





