Texto produzido por estudantes da EMEF José Pegoraro. Supervisão: Aline Rodrigues. Edição: Vênuz Capel
Quando se fala em Mata Atlântica, muita gente ainda imagina uma floresta distante da realidade urbana. Mas, para quem vive nas periferias do Extremo Sul de São Paulo, como o Grajaú, esse bioma faz parte do cotidiano, mesmo que nem sempre seja percebido.
A Mata Atlântica é um dos biomas mais ricos em biodiversidade do mundo, reunindo diferentes formações vegetais e ecossistemas. Muitas das espécies que existem nela não são encontradas em nenhum outro lugar. Mais do que isso, ela desempenha um papel fundamental para a vida nas cidades.
É a Mata Atlântica que ajuda a regular o clima, proteger o solo contra deslizamentos e garantir o abastecimento de água para mais de 120 milhões de pessoas no Brasil. Em territórios periféricos, onde os impactos ambientais costumam ser mais intensos, essa presença faz ainda mais diferença.
No Grajaú, a Mata Atlântica resiste em áreas como a Ilha do Bororé, o Parque Natural Municipal Bororé, a Floresta Municipal Fazenda Castanheiras e o Parque Prainha Pabreu. Esses espaços fazem parte de um corredor ecológico importante, conectado aos mananciais da região, como a Represa Billings.
Essa vegetação tem impacto direto na vida da população. Ela contribui para um ar mais limpo, temperaturas mais amenas e maior disponibilidade de água. Também atua como uma barreira contra o avanço urbano desordenado, ajudando a preservar o equilíbrio ambiental.
Por outro lado, a Mata Atlântica enfrenta ameaças constantes. O desmatamento, as queimadas, a ocupação irregular e a falta de políticas públicas colocam em risco áreas fundamentais para a qualidade de vida nas periferias.
Preservar esse bioma passa por diferentes caminhos: evitar o desmatamento, denunciar crimes ambientais, apoiar projetos de reflorestamento, plantar espécies nativas e fortalecer iniciativas locais de cuidado com o território.
Mais do que uma questão ambiental, a preservação da Mata Atlântica está diretamente ligada ao acesso a direitos básicos, como água de qualidade, saúde e bem-estar. Por isso, falar de meio ambiente também é falar de justiça social.
Confira o mapa do Aqui tem Mata:
Juventude, comunicação e justiça climática
Entre março e abril de 2026, a Periferia em Movimento realizou a oficina “Repórter da Quebrada no Clima” com foco em letramento climático e produção de conteúdo jornalístico sobre temas relacionados à crise climática, a partir das vivências da turma. Este conteúdo, também publicado em nossas redes, foi produzido por adolescentes da EMEF Padre José Pegoraro, no Grajaú, Zona Sul de São Paulo, que investigaram sobre como a Mata Atlântica se faz presente no território onde moram.
Porque falar de clima também é falar de desigualdade, acesso a direitos e território. E quando a juventude ocupa esse debate, a comunicação se transforma em ferramenta de mudança.
A atividade faz parte de uma iniciativa do Planeta Território, projeto do Território da Notícia com apoio do Instituto Clima e Sociedade (iCS), que reúne mídias periféricas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte para debater adaptação climática e o uso de tecnologias no jornalismo independente.



