As chuvas fortes de verão, agora, com as mudanças climáticas, colocam os bairros de São Paulo em riscos reais de alagamento com cada vez mais frequência – especialmente os periféricos. Em poucas horas, ruas viram rios e as casas são invadidas pela força e volume da água.
Saber como agir antes, durante e após uma enchente pode evitar ferimentos e até salvar vidas. Por isso, a Periferia em Movimento preparou um guia que reúne orientações básicas de segurança, cuidados em caso de contaminações e caminhos para buscar ajuda na capital.

Lixos e pertences arrastados pela enchente em União de Vila Nova, São Miguel Paulista, zona Leste de SP (foto: Pedro Salvador)
O que fazer ao primeiro sinal de alagamento
Ao primeiro sinal de alagamento ou ao receber alertas de chuvas intensas pela Defesa Civil, as ações imediatas devem focar na segurança da sua família e na prevenção de acidentes graves.
Se ficar isolado na área ou notar qualquer princípio de deslizamento de terra, ou risco iminente, a primeira ação deve ser sair do local e acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou a Defesa Civil pelo 199. Não tente resolver a situação sozinho se houver risco.
Muitas doenças podem ser transmitidas pela água, por isso, é importante não consumir alimentos que tenham tido contato com a água da inundação e evitar ao máximo possível o contato com a água da enchente. Além disso, é possível que galhos, buracos e outros objetos sejam arrastados pela correnteza e estejam onde você não consiga ver.
É muito importante manter distância de postes, fios de energia e linhas de transmissão caídas. A água funciona como meio para a corrente elétrica circular, aumentando a área de risco mesmo para quem não encosta diretamente na fonte elétrica.
Se for possível, em segurança, comunique a companhia de energia para que a rede seja desligada na área afetada. Em São Paulo, a Enel disponibiliza canais de atendimento para informar a situação. Evite usar equipamentos elétricos molhados ou permanecer em áreas ainda energizadas. Também não toque em manchas de óleo ou recipientes químicos danificados, pois há risco de intoxicação.
Se notar infiltrações, rachaduras nas paredes do local ou ouvir estalos e barulhos incomuns na estrutura da casa, abandone imediatamente o local.

União de Vila Nova, São Miguel Paulista, Zona Leste de SP.
Também é importante evitar se aproximar de correntes de água, que costumam ter grande velocidade, volume e força, além de carregar objetos que podem causar ferimentos. Sabemos que os itens são importantes, por isso, os de maior valor devem ser colocados em lugares mais altos da casa, mas apenas após a segurança de todos.
Se for inevitável o deslocamento pela área alagada, caminhe junto a muros ou paredes e, se possível, com apoio de outras pessoas ou com uso de corda para dar mais estabilidade.
Em situações extremas, caso seja necessário atravessar a água para resgatar alguém, utilize cordas presas em um ponto fixo e firme, sempre posicionada em diagonal em relação ao fluxo da água, e não reta, nem totalmente contra a força da corrente.
Como agir com crianças, idosos, pessoas com deficiência e animais
Seguindo a cartilha de Orientação à População no Período de Alerta de Chuvas Intensas, elaborada pelo Ministério da Saúde, em enchentes, grupos mais vulneráveis precisam de planejamento prévio.
Medicamentos e receitas importantes devem estar reunidos em um kit de emergência (com documentos, receitas médicas e medicamentos de uso contínuo).

União de Vila Nova, São Miguel Paulista, Zona Leste de SP.
Crianças devem estar incluídas em um plano de evacuação da família, ou seja, todos os moradores da residência devem saber como agir e para onde ir em casos extremos, com um ponto de encontro definido em sua residência.
O cartão de vacinação de todos os moradores precisa estar atualizado para evitar doenças e ser mantido em local de fácil acesso. Além disso, é essencial reforçar a higiene e impedir que ninguém fique na água ou na lama.
Idosos podem ajudar na organização da evacuação, mas podem ter dificuldade de locomoção e precisar de apoio. Pessoas com deficiência exigem plano de saída que considere suas necessidades específicas.
Animais domésticos não devem ser abandonados. É importante manter as vacinas em dia e, ao receber o alerta de possível risco de alagamento, recolhê-los, preparar um kit com ração, água e documentos veterinários e mantê-los longe da água contaminada.
Como lidar com ferimentos e contaminação
Em enchentes, o risco não termina quando a água começa a baixar. Cortes, contaminações e choques elétricos exigem cuidado imediato. Se houver ferimento, lave com água potável e sabão, depois procure atendimento.
Febre, dor no corpo, diarreia ou mal-estar após contato com água de enchente são sinais de alerta e podem indicar infecção. Nesses casos, a orientação sugerida é buscar uma unidade de saúde o quanto antes.
Contatos importantes em São Paulo (capital)
- Emergência
Defesa Civil: 199
Corpo de Bombeiros: 193
SAMU: 192
Polícia Militar: 190
- Saúde e orientação
Disque-Saúde: 136
Disque-Intoxicação (Anvisa): 0800-722-6001
Secretaria Municipal da Saúde (Prefeitura de São Paulo): 156
Centro de Controle de Zoonoses (Divisão de Vigilância de Zoonoses): 156
- Serviços urbanos
Sabesp (água e esgoto): 0800-055-0195
Enel São Paulo (central de emergência): 0800 72 72 196
Também é importante ter anotado o telefone da sua Unidade Básica de Saúde (UBS), do hospital público mais próximo que aplique soro antiveneno e do CRAS ou equipamento de assistência social da sua região, para casos de desabrigamento.
Além dos números oficiais, mantenha uma lista atualizada com contatos de familiares e amigos que morem em áreas seguras e possam oferecer apoio ou abrigo temporário.
É preciso, para além desse guia, estar atento à cartilha de Orientação à População no Período de Alerta de Chuvas Intensas e ao guia de recomendações da Defesa Civil de SP.
Edição: Hysa Conrado.

