Coalizão de Mídias Periférica repudia contratação de José Luiz Datena pela EBC

Coalizão de Mídias Periférica repudia contratação de José Luiz Datena pela EBC

O jornalista foi convidado para apresentar programas na TV Brasil e na Rádio Nacional. Para a Coalização, contratação reforça um posicionamento que criminaliza periferias e favelas

Compartilhe!

Tempo de leitura: 4 minutos

Foto: Reprodução/Instagram

A Coalizão de Mídias Periférica, Favelada, Quilombola e Indígena publicou nesta quinta-feira (04) uma nota de repúdio contra a contratação de José Luiz Datena pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC).

O jornalista foi convidado para apresentar programas na TV Brasil e na Rádio Nacional, emissoras da empresa. Datena foi candidato à Prefeitura de São Paulo em 2024 e fez carreira na televisão em programas que exploram violência urbana e a criminalização de periferias e favelas.

Para a Coalizão, o profissional “debate a segurança pública a partir de uma chave punitivista, muitas vezes sem mediação de dados, transformando opiniões em fatos e expondo pessoas e seus familiares indevidamente, em troca de audiência.”

Leia a nota na íntegra:

Nós, Coalizão de Mídias Periférica, Favelada, Quilombola e Indígena, nos juntamos àquelas pessoas e organizações que demonstram estranhamento à contratação do jornalista Jose Luiz Datena pela Empresa Brasileira de Comunicação (EBC). A comunicação pública nasceu para servir ao interesse coletivo, não ao espetáculo a qualquer preço.

Datena construiu sua imagem em programas que exploram violência urbana, a criminalização de periferias e favelas, enquanto debate a segurança pública a partir de uma chave punitivista, muitas vezes sem mediação de dados, transformando opiniões em fatos e expondo pessoas e seus familiares indevidamente, em troca de audiência.

Esse estilo entra em choque com a missão da EBC, definida em lei: garantir informação qualificada, respeito aos direitos humanos, representatividade cultural e editorial separada de interesses políticos e comerciais.

A comunicação pública é o lugar de ampliação de repertórios. É onde um país se investiga social e culturalmente, onde um povo se observa e se celebra em sua diversidade. A contratação de Datena reforça o que existe de pior nas visões, linguagens e formatos da mídia comercial.

Coletivos periféricos, quilombolas, indígenas, ribeirinhos e de zonas rurais sustentam há décadas um ecossistema de informação que o Estado ignora e que, no entanto, depende para compreender o país que diz representar. São eles que narram conflitos fundiários, violências institucionais, memória comunitária, cultura de base, tecnologias sociais e disputas por direitos. São veículos de proximidade que fazem o que a comunicação pública deveria garantir: pluralidade, diversidade, participação e enraizamento na vida real das pessoas.

A exclusão desses coletivos das mesas de debate, de decisões, da programação e da centralidade das políticas de comunicação pública não é uma falha técnica, mas uma escolha política. É a manutenção das hierarquias e pactos que tratam os nossos territórios como público, nunca como produtores do conhecimento e da solução.

A contratação de José Luiz Datena vai contra tudo pelo qual trabalhamos todos os dias. E contra o qual precisaremos lutar, mais uma vez, nas Eleições 2026. Essa contradição nós não carregaremos.

{{ reviewsTotal }}{{ options.labels.singularReviewCountLabel }}
{{ reviewsTotal }}{{ options.labels.pluralReviewCountLabel }}
{{ options.labels.newReviewButton }}
{{ userData.canReview.message }}

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

APOIE!
Acessar o conteúdo