COP30: ‘Carta das Periferias pelo Clima’ define pautas urgentes para as próximas eleições

OPINIÃO

COP30: ‘Carta das Periferias pelo Clima’ define pautas urgentes para as próximas eleições

Por: Fernanda Naxara*

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Tempo de leitura: 6 minutos

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Foto: Fernanda Naxara e Paulo Santiago

Mais uma Conferência das Partes (COP) sobre a crise climática se encerrou, desta vez em Belém do Pará, no coração da Amazônia. E, mais uma vez, os grandes negociadores mundiais presentes falharam em um acordo ambicioso, claramente por inércia financeira e falta de vontade política.

Contudo, este encontro teve um grande diferencial: foi marcado pela legítima reivindicação dos pequenos sonhadores e ativistas que, antes invisíveis e à margem da sociedade, finalmente ganharam voz.

Nós, sujeitos periféricos, assumimos a vanguarda e coletamos as pautas climáticas com o olhar das periferias ao longo de 2025. Travamos uma grande batalha por todos aqueles que lá não puderam estar para dizer: Basta!

Nosso primeiro Encontro das Periferias, em 2024, foi fruto de uma grande mobilização que culminou em nosso manifesto inaugural. Com essa experiência, aprendemos a reivindicar por mais. Agora, chamamos ao levante toda a população para pedirmos mudanças pela nossa mãe Terra, lançando a “Carta das Periferias pelo Clima”.

O mundo precisa entender que a nossa maior riqueza é o nosso próprio jardim, que temos que preservar cada um o seu espaço, para juntos encontrarmos caminhos para as soluções climáticas.

Exigimos a transformação, o fim do descaso dos governantes para conosco, e temos a intenção de negociar diretamente. As próximas eleições serão pautadas por nossos apontamentos, consolidando nossa voz como uma força política incontornável.

Ano eleitoral e a pauta climática

Podemos estar tranquilos para o ano que vem, ano de mais uma disputa eleitoral? Claramente não! Seremos todos muito ingênuos ao apenas aguardarmos que as nossas propostas sejam incorporadas às dos candidatos a parlamentares. Devemos analisar friamente as propostas, olhando o campo progressista com equilíbrio, e abrindo os olhos para as promessas que ocorrem em ano de eleição, pois muitas não dão frutos.

Desejamos que os políticos estejam comprometidos com as nossas pautas, pois estão claras em nossa carta. Deixaremos de lado a empatia para olhar de fato o
comprometimento. Nosso escutar com atenção nos fez levar, para a COP30, todos os anseios por soluções da quebrada, detalhados a seguir.

Foto: Fernanda Naxara e Paulo Santiago

Esperamos continuar a incidência nas periferias de São Paulo, promovendo melhor conhecimento e maior engajamento sobre nossas pautas. Assim, evitamos que as periferias sejam tomadas pelas promessas feitas por candidatos ligados a líderes espirituais, que sabemos ocorrer. E que votos, que em ano de eleição são negociados, sejam usados, após a posse de deputados, para nos prejudicar.

E, como dizemos em nosso “grito de guerra”: De quebrada pra quebrada, o papo é reto!

A Frente Periférica por Direitos exige que as pautas contidas na Carta da Periferias pelo Clima, as quais traduzem os anseios por soluções da quebrada, sejam incorporadas e prioritariamente endereçadas pelos políticos, com base em compromisso e ação concretos.

 

1. Soluções efetivas para enchentes e gestão de águas pluviais: as periferias são as primeiras e mais severamente afetadas por eventos climáticos extremos. A falta de infraestrutura adequada, como drenagem eficiente, resulta em perdas materiais, riscos à vida e interrupção do cotidiano, sendo um indicador direto do descaso do poder público.
2. Combate aos descartes irregulares de resíduos: o descarte irregular em córregos, terrenos baldios e vias públicas agrava o risco de enchentes (obstruindo a drenagem) e cria focos de doenças, afetando diretamente a saúde pública. Implica em políticas de coleta seletiva, educação ambiental e fiscalização adequadas.
3. Combate ao racismo ambiental e às ilhas de calor: o racismo ambiental se manifesta na alocação desigual de riscos ambientais. A falta de áreas verdes e arborização (causando ilhas de calor) é uma questão de saúde pública e conforto térmico, exigindo uma distribuição mais justa dos recursos naturais e urbanos.
4. Fim do desmatamento para dar lugar a aterros sanitários: o desmatamento descontrolado e a substituição de áreas verdes por aterros sanitários comprometem o meio ambiente local, aumentam a erosão e afetam a qualidade do ar e da água, sendo uma política de segregação espacial que compromete o futuro ambiental da região.
5. Melhorias na saúde pública e criação de áreas de lazer: as questões ambientais (enchentes, lixo, poluição) estão intrinsecamente ligadas à saúde (doenças de veiculação hídrica, respiratórias). A falta de áreas de lazer compromete o bem-estar social e físico, indicando uma qualidade de vida urbana negligenciada.
6. Melhoria na mobilidade urbana e no transporte público: um transporte público ineficiente e caro (ou inexistente) isola as periferias dos centros de emprego, educação e saúde. É uma pauta social e climática, pois impacta a qualidade de vida e o tempo gasto em deslocamento, além das emissões de gases.
7. Priorização da segurança alimentar e segurança cidadã: a vulnerabilidade climática agrava a fome. A segurança alimentar é crítica. Além disso, a segurança para os moradores deve ser priorizada em vez da violência policial, uma realidade cotidiana que atinge desproporcionalmente a juventude periférica.

*Fernanda Naxara, da Frente Periférica por Direitos.

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1 Comentário

  1. MARCOS PAULO PACHECO BARBOSA disse:

    Como faço para participar desse movimento?, como a minha periferia pode participar?, tenho dúvidas

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