Um espaço de trocas, vivências e práticas em torno da produção de conhecimento. Assim se define a Unidiversidade de Saberes, uma rede formada por acadêmicos, militantes de movimentos sociais, artistas, pesquisadores independentes e griôs que se reúnem desde 2017 em encontros pelas quebradas paulistanas.

E neste início de 2021, a iniciativa promove uma série de escambos on-line junto ao público de bibliotecas municipais de São Paulo sobre a luta das mulheres, juventudes, coletivos culturais, comunicação periférica, educação popular, racismo e pandemia, entre outros. As lives, que começaram na última segunda-feira (15/2) e vão até sexta-feira que vem (26/2), são transmitidas na página da Unidiversidade de Saberes no facebook. Clique aqui para acessar.

Confira abaixo a programação

17/2, quarta-feira, 17h – Educação e organização popular em tempos de distanciamento social. Mais informações aqui.

Movimentos de cultura estão na luta por uma distribuição mais justa de recursos e equipamentos públicos não somente de cultura, mas de saúde, educação, entre outros. Nos últimos anos, alguns movimentos e coletivos de cultura decidiram ocupar alguns espaços públicos, onde desenvolvem diferentes atividades. O encontro propõe uma roda de diálogo com gestores de ocupações culturais que transformaram espaços públicos ociosos em espaços de produção cultural coletiva de base comunitária.

Participam da conversa Gustavo Soares, cofundador e gestor da Associação de Arte e Cultura Periferia Invisível, integrante da rede Movimento Cultural Ermelino Matarazzo, que faz a gestão colaborativa da Ocupação Cultural Mateus Santos; Paloma Xavier, cofundadora da Via Vento Cia., do Pepalantus Núcleo e da Coletiva Levante Mulher, ela faz parte da gestão do Espaço Cultural Cita; a mediação é de Marcello Nascimento de Jesus, professor de geografia e membro da Okupação Cultural Coragem.

18/2, quinta-feira, 17h – Periferia, substantivo feminino: mulheres na linha de frente para a garantia de direitos. Mais informações aqui.

Para o encontro, é retomado o conceito de periferia definido no Manifesto Periférico para pensarmos o papel das mulheres na organização e à frente das lutas. A “periferia, não por acaso, substantivo feminino no qual se inscreve a história corrente de inúmeras mulheres” é espaço de moradia, experiências cotidianas e resistência de milhões de trabalhadoras. As mulheres historicamente estão na linha de frente para subverter a lógica e reafirmar os direitos essenciais para todas e todos.

Neide Abati, da União Popular de Mulheres do Jd. Maria Sampaio (Foto: Agência Solano Trindade)

Para o debate, o grupo convida Neide Abati, presidenta da União Popular de Mulheres do Campo Limpo e Adjacências e fundadora do Banco Comunitário União Sampaio; Dalva da Silva, aposentada pela Prefeitura de São Paulo, trabalhou no Centro de Convivência e Cooperativa Chico Mendes onde desenvolvia oficinas terapêuticas com portadores de necessidades especiais; e mediação de Ellen Rio Branco, atriz das Filhas da Dita, jongueira da Comunidade Jongo dos Guaianás, arte-educadora, articuladora culturak e moradora de Cidade Tiradentes.

19/2, sexta-feira, 17h – Educação e território: relações e articulações possíveis. Mais informações aqui.

Bike da UniGraja foi estratégia para distribuir zines informativos, revistas e tocar podcasts e músicas de artistas da quebrada

A educação nas periferias está intimamente ligada à ideia de educação pública, educação popular e todas essas a história de lutas realizadas por muitos, especialmente por mulheres que buscam melhores condições de vida. Nesse contexto de luta, a escola e seu currículo não podem existir apartados da realidade vivida do lugar, nem da prática efetiva da cidadania e da cultura, baseadas na defesa dos direitos sociais e dos direitos humanos. Por isso, o encontro proporcionará um momento para conhecer projetos desenvolvidos nas periferias.

Entre as convidadas, estão Estela Cunha, pesquisadora do tema Alfabetização Ecológica como processo de melhoria do desenvolvimento ecossocial dentro de escolas públicas e integrante do Coletivo Organicidade, da Unigraja – Universidade Livre do Grajaú, Associação Imargem e Orgânicas Para Todes; Valquíria Cândido, catadora, integrante da Cooperativa de Catadores do Parque Cocaia (Cooperpac), membro do Movimento Nacional dos Catadores e da Rede Cata Sampa; Uriel Lira, idealizadora e articuladora do Grupo Da Mata e integrante da comunidade de cultura popular Cordão Folclórico de Itaquera. A mediação será de Camila Cardoso, produtora cultural, arte-educadora e jongueira da Comunidade Jongo do Coreto.

22/2, segunda-feira, 17h – Coletivos periféricos e período popular da história: Milton Santos, caminhos e possibilidades. Mais informações aqui.

A proposta é discutir como a globalização neoliberal como processo histórico e o período técnico científico informacional não é irreversível. Há décadas, movimentos sociais e organizações populares tomam o protagonismo para pensar o mundo, o lugar e suas possibilidades. E os movimentos e coletivos culturais também têm refletido sobre um outro possível.

Os convidados para a conversa são Antonio Carlos Billy Malachias é ativista social, educador e geógrafo; Almir de Souza Moreira Junior, professor e integrante da Comunidade Cultural Quilombaque; e mediação de Nanda Nascimento, engenheira civil especialista em desenvolvimento sustentável e educadora popular.

23/2, terça-feira, 17h – Cursinhos populares e educação popular: periferias e educação como movimento social. Mais informações aqui.

O processo histórico na formação dos cursinhos populares e os desafios de manter espaços educativos nas periferias, através da articulação dos movimentos sociais e educacionais emancipatórios, são estratégias desenvolvidas nas periferias para criar condições mínimas para o acesso dos jovens periféricos à universidade pública.

Cursinho Santo Dias, na região do Jardim Ângela (Foto: Divulgação)

Pra falar disso, o encontro convida Day Moreira, coordenadora do Cursinho Popular Jaçanã-Núcleo Sérgio Lapaloma e co-organizadora da Casa Cultural Hip Hop Jaçanã; Thais Santos Silva, educadora popular, fundadora da Comunidade Cultural Quilombaque e coordenadora da Uneafro Brasil; a mediação será de Renata Eleutério, integrante do coletivo de pesquisadores periféricos do CPDOC Guaianás.

24/2, quarta-feira, 17h – Pandemia, comunicação popular e narrativas contra-hegemônicas: A produção de fake news e o papel das mídias populares no contexto atual. Mais informações aqui.

Em tempos de disseminação desenfreada de fake news e dos monopólios da informação, se faz emergente ou urgente a reflexão sobre a produção de informação e a difusão de estratégias de comunicação popular que que permitam condições para a produção de outras narrativas e o acesso e o direito efetivo à informação.

Entre as debatedoras, estão Jéssica Moreira, moradora de Perus, escritora e jornalista cofundadora do Nós, mulheres da periferia; Ingrid Felix, videomaker, editora de vídeo, coordenadora geral do coletivo Casa no Meio do Mundo eintegrante da coletiva de audiovisual Crespas; a mediação é de
Julia Santiago, produtora de conteúdo e repórter no jornal Embarque no Direito.

25/2, quinta-feira, 17h – Cidades e desigualdades socioespaciais: periferias, racismo e pandemia. Mais informações aqui.

Durante a pandemia, moradores das periferias das grandes cidades têm sofrido mais que moradores de outras áreas urbanas. Trabalhadores e trabalhadoras, muitos deles negros, vivem anos a sanha da construção de um senso e de uma política urbana baseados no racismo que lhes tira os direitos mais básicos e humanos.

Para refletir sobre isso, o encontro convida a DJ e articuladora cultural Bia Sankofa, graduada em Serviço Social e moradora de Cidade Tiradentes; Ricardo Barbosa da Silva, geógrafo e professor do Instituto das Cidades; e mediação de Gisele Brito, jornalista, mestranda em planejamento urbano e membro da Rede Jornalistas das Periferias.

26/2, sexta-feira, 17h – Experiências, tramas e territorialidades: política e juventude nas periferias urbanas. Mais informações aqui.

A juventude periférica carrega em si as heranças do passado e a construção de um futuro possível. Garantir caminhos efetivos de combate ao genocídio da juventude periférica e, principalmente, o protagonismo dos jovens nos espaços de participação política é estratégia para adiar o fim do mundo.

Foto: Arquivo Pessoal

O debate ocorre com a participação de Tiaraju Pablo D’Andrea, coordenador do Centro de Estudos Periféricos (CEP) e autor do livro “40 ideias de periferia”; Júlia Santos, bibliotecária, gestora cultural e mediadora de leitura da Biblioteca Comunitária Espaço Jovem Alexandre Araújo Chaves – EJAAC; e mediação de Lucas Veloso, jornalista e um dos cofundadores da Agência Mural.

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