Saberes da Natureza: “Sem fazer nada, o índio faz mais do que o branco – que só destrói” No primeiro episódio da série, ouvimos o filósofo e escritor Olivio Jekupe, que fala da importância da literatura nativa e da demarcação de terras do povo Guarani Mbya inclusive para a sobrevivência da maior cidade brasileira

Nas bordas da maior metrópole do País, a pouco mais de 40 quilômetros do centro da cidade, um povo originário resiste ao avanço da mancha urbana. No Extremo Sul de São Paulo, às margens da represa Billings, fica a terra indígena Tenondé Porã. Demarcada em 1987, essa TI tinha até 2016 apenas 26 hectares, onde cerca de 2 mil Guarani Mbya se amontoavam nas aldeias Tenondé Porã e Krukutu.

O filósofo e escritor Olivio Jekupe é um deles. Natural do Paraná, ele se mudou para a capital paulista há mais de 20 anos para estudar na USP. Após a mulher ter problemas de saúde na cidade, eles se mudaram para a Krukutu, que fica na divisa entre São Paulo e o município vizinho de São Bernardo do Campo. Na aldeia, Olivio se fixou como uma das lideranças e obteve conquistas, como a implantação de posto de saúde indígena e um Centro de Educação e Cultura Indígena (CECI).

A luta dos Guarani Mbya no Extremo Sul não é de hoje. Desde 2002, eles reivindicam a ampliação da TI Tenondé Porã. Em 2013, os indígenas iniciaram uma campanha para o Ministério da Justiça publicar as portarias declaratórias que reconhecem esses territórios. Isso só aconteceu nas últimas horas do governo Dilma Rousseff, no início de maio de 2016, antes da ex-presidenta ser afastada do cargo pelo Senado Federal.

A portaria declaratória que reconhece a Tenondé Porã destina 16 mil hectares entre o Extremo Sul de São Paulo e os municípios de São Bernardo do Campo e Itanhaém para os Guarani Mbya. Apesar desse reconhecimento, a demarcação ainda está sob processo de homologação – o que coloca em risco a garantia das terras para os indígenas.

Porém, essa vitória ainda que parcial já reflete em mudanças para os moradores desse território. Ao menos quatro novas aldeias foram fundadas. A população também aumentou. E Olivio escreve sobre o ponto de vista dos Guarani Mbya da história para que a mesma não seja contada apenas pelo olhar do homem branco.

Nessa entrevista, ele fala sobre literatura nativa, demarcação de terras e o que isso tudo tem a ver com a preservação do meio ambiente:

Escambos Periféricos

Com apoio da agência Purpose no âmbito do projeto “Clima e Territórios”, o Periferia em Movimento realiza mais um escambo periférico. Dessa vez, pretendemos investigar como o meio ambiente – e os ataques a sua preservação – influenciam na manutenção de culturas tradicionais nas periferias. E estamos fazendo isso na região de Grajaú e Parelheiros (Extremo Sul de São Paulo), onde a gente atua, e em diferentes comunidades do Recife e Olinda, em Pernambuco (com apoio dos coletivos Favela News e Caranguejo Uçá), de onde inclusive muitas e muitos dos que vivem em nossas quebradas vieram. Clique e acompanhe!