Reportagem coletiva: Indígenas guaranis noticiam o que acontece na aldeia Tenondé Porã

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A aldeia indígena guarani Tenondé Porã está localizada em Parelheiros (extremo Sul de São Paulo), a 40 quilômetros do centro da capital, e é uma das três terras indígenas demarcadas da cidade. Com mil habitantes, muita coisa acontece na comunidade.

Na escola, líderes discutem o impacto da duplicação de uma ferrovia próxima. No centro da aldeia, homens assentam tijolos para erguer a futura casa das lideranças, enquanto mulheres participam de uma oficina de miçangas. Mais abaixo, voluntárias aplicam remédio contra pulgas e vermes em gatos e cachorros.

Casa da liderança

No centro da aldeia, uma casa está sendo erguida, mas muitos moradores da comunidade não sabem os motivos da construção. “Ouvi falar que é para fazer reuniões”, diz Marli, funcionária da cozinha da escola municipal.

Reuniões políticas e sobre a vida na aldeia são realizadas na Casa de Reza, espaço de cerimônias religiosas dos guaranis de Parelheiros. Para separar as coisas, há alguns meses está em construção a Casa da Liderança, ideia do novo cacique e vice-cacique, segundo a Jerá Guarani Giselda Pires Lima.

A obra ainda deve demorar três meses para ser concluída, segundo Pedrinho, um dos responsáveis pela construção. Falta verba disponível para erguer o espaço, por isso guaranis se esforçam para vender artesanato e preparam uma feira cultural para outubro, com o objetivo de arrecadar fundos.

Fonte de renda

Marisa e suas três filhas fazem pulseiras, colares e brincos de diferentes formas e cores que pretende vender na feira de artesanato do dia 19 de outubro. A mais velha das meninas diz não ter preferência. “Gosto de fazer de tudo”. Ela conta que seguem uma disciplina: “nos fins de semana nós ficamos aqui por quatro horas nos dois dias. Durante a semana, fazemos um pouco depois da escola”.

Cada família é responsável por seus produtos e cada integrante recebe o dinheiro pela venda do que produziu. A mãe disse que geralmente o que recebe usa para comprar comida. Já seu filho caçula, Alvimar, quando resolve ajudar na produção prefere comprar pipas e bolachas, mas garante guardar um pouco do dinheiro também.

A confecção dos acessórios é feita geralmente pelas mulheres da aldeia. Os meninos que entrevistaram a família assumiram não ter noção do trabalho que dá produzir um colar, por exemplo. Descobriram que em média se consegue fazer apenas três por dia.

Doações

No final de agosto, um grupo de voluntárias esteve na aldeia para entregar 130 pacotes de ração (totalizando 1.500kg) para cães e gatos, além de vacinar e aplicar remédios contra pulgas nos animais. É a primeira vez que o grupo visita a aldeia em Parelheiros, apesar de já ser comum desenvolverem um trabalho com os parentes da comunidade indígena do Jaraguá.

Facebook

Em setembro, a equipe de comunicadores da aldeia criou seu primeiro canal de comunicação oficial. A página Aldeia Tenonde Porã no Facebook tem objetivo de mostrar o que acontece na comunidade para o mundo.

“Tenho bastante orgulho do envolvimento de todas as pessoas quando tem algum projeto na aldeia, porque isso é pra preservar nossa cultura”, diz a Jerá.

Manifestação

Os guaranis se preparam para o grande Ato Indígena na Avenida Paulista, que acontece na próxima quarta (dia 02 de outubro), a partir das 17hs, em defesa das terras indígenas no Brasil.

Abaixo, veja o vídeo sobre o assunto gravado na aldeia.

Realizada durante a Oficina Repórter da Cidade, do Periferia em Movimento, esta reportagem teve a apuração coletiva e fotos de: Laudiceia Guarani, Alison Gabriel, Vilmar Wera, Aline Jwauka, Nilson Vera da Silva, Priscila Para Poty, Adnilson Vera, Leonildo, Claudio Pires, Claudia Gonçalves, Luciano Kuaray, Eliana Ara Poty, entre outros.

Orientação: Aline Rodrigues e Thiago Borges.

Fotos e apoio operacional: Aparecido Alves e Gustavo Vale dos Anjos

Texto final: Thiago Borges

Agradecimentos: Mariana Belmont e equipe da Virada Sustentável, Jerá Guarani e comunidade Tenondé Porã