Natural do Grajaú (distrito periférico do Extremo Sul de São Paulo), a artista plástica Sabrina Fênix vive em Paris, na França, para onde se mudou para estudar. E lá, vive há 01 mês confinada diante da pandemia de coronavírus. O governo francês e a população local demoraram a agir diante da crise e hoje contabiliza 17 mil mortes. Sabrina envia um recado a todas as quebradas. Confira o relato dela abaixo.

Os aeroportos pra voos internacionais estão fechados até setembro, onde terá uma nova avaliação da situação nesse momento pra saber se serão abertos ou não.

Um novo pico na Ásia começou, quando pensávamos que já estava bom.

O Brasil tá longe de terminar. Um pico tava previsto pra abril, mas agora já sabemos que vai durar até junho no mínimo se os movimentos continuarem do jeito que estão.

“Não dá pra parar a economia por causa de alguns que vão morrer”.

São 30.425 registrados, quase 2.000 mortos [dados de quinta-feira, 16/04]. Fora todos aqueles que não foram testados. Se tivéssemos mais, estaríamos em pânico.

A economia já está morrendo, no mundo todo, não apenas no Brasil. Escolher entre a economia e a vida é um absurdo nesse momento.

Se continuar nesse ritmo, será como foi aqui em muitos países da Europa. Mesmo com um sistema de saúde melhor que o Brasil, os hospitais estão impossibilitados de acolher pacientes com covid-19 ou sem.

Tem muita gente precisando de tratamento aqui mas não tem condições de receber. Nem temos testes suficientes.

Na Itália, um homem teve que passar 48h em casa com sua irmã falecida pelo vírus sem ninguém pra vir buscá-la. O presidente de lá se arrependeu de não ter tomado medidas rígidas desde o princípio.

A economia se reconstrói. Sempre se reconstrói. Não é a primeira crise sanitária que o mundo está passando. Será que vamos cometer os mesmos erros na oportunidade de evoluir?

Infelizmente, tivemos que esperar o mau exemplo dos nossos países vizinhos e toda a crise que isso ocasionou pro governo daqui tomar medidas rígidas. Não vai dar pra esperar o governo daí, que não está preocupado com a população.

165.027 casos aqui na França com 17.920 mortos registrados. E os que não foram testados e registrados? Que morreram achando que era uma “gripezinha”?

Nós não podemos sair de casa – apenas pra compras necessárias, consultas e trabalho que não dê pra fazer em casa. Com uma atestação obrigatória em caso de controle. Multa de 135 euros [equivalente a R$ 771] pra quem não apresentar o comprovante ou estiver na rua sem apresentar as normas.

Não está na hora de bater perna, ir ver o amigo… Quantos mais formos prudentes e ficarmos em casa, mais protegemos aqueles que não podem de forma alguma. Porque quando chegar nas periferias, vai ser um genocídio. E o sistema de saúde não vai estar pronto pra testar nem acolher nem a metade da população.

Não dá pra esperar pra quando for o filho da vizinha pra começar a se cuidar. É agora, já passou da hora.

Aqui na França não levamos a sério e chegamos aonde estamos.

Mais de 1 mês confinados, com muitas famílias passando por necessidade e não sabemos quando vai terminar. Pensem o que quiserem, mas deixem o egoísmo de lado.

Tá difícil, tá pesado, se a gente cuidar um do outro estando em casa vai passar.

Se tudo isso estiver afetando tua saúde mental, espiritual, estou a disposição pra ouvir, conversar, meditar. Não sou ninguém. Mas precisamos nos unir.

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