Com 4 encontros on-line, o “Repórter da Quebrada despertando os sentidos” busca discutir o que forma as bases do jornalismo de quebrada: memória e identidade; garantia de direitos; protagonismo na narrativa; e ocupação dos espaços de poder.

Aplicada em mais de 3 mil horas de encontros de aprendizagem presenciais com mais de 3,5 mil pessoas desde 2013, em especial jovens e adolescentes, a metodologia desenvolvida pela Periferia em Movimento foi adaptada ao ambiente virtual por conta do distanciamento social imposto pela quarentena.

O jornalismo de quebrada é o conceito criado pela Periferia em Movimento para definir seu próprio trabalho enquanto produtora de conteúdo sobre, para e a partir das periferias, com protagonismo periférico e o objetivo de colaborar com uma sociedade livre de racismo, machismo, lgbtfobia e desigualdade social. (E se você quiser entender melhor sobre Jornalismo de Quebrada, clique aqui e acesse o trabalho de conclusão de curso da pesquisadora Juliana Salles).

Para participar desses encontros on-line, a produtora convidou educadores, ativistas e militantes originários do Extremo Sul de São Paulo e que compartilham seus saberes para construção desse jeito de fazer jornalismo.

Encontro #1 – Quem eu sou e que lugar é esse?

Com objetivo de discutir memória e identidade, o primeiro encontro recebe Alan Zas. Homem negro, morador do Grajaú, professor, músico, compositor, contramestre de capoeira Angola e agente sociocultural multitarefas, Alan questiona o que é suficiente para definir alguém.

Encontro #2 – Direitos por que e pra quem?

Somos nós uma cebola? O vegetal amplamente utilizado como tempero é formado por camadas diferentes umas das outras: algumas maiores, outras menores, umas mais finas, outras mais grossas. Apesar disso, todas juntas formam uma cebola. Da mesma forma, é a sociedade: diferentes camadas, com diferentes acessos a direitos.

A comparação é feita pela educadora Regiane Soares, que propõe a dinâmica para discutir desigualdades sociais e o equilíbrio que só pode ser propiciado com políticas que garantam nossos direitos.

Encontro #3 – Falando por si só

Por que é importante a gente contar a nossa história, sem intermediários?

A provocação de Lucimeire Juventino, escritora, pesquisadora e professora de educação infantil, dá a tônica neste encontro, que reflete sobre a construção da memória, identidade, do território e do patrimônio por quem é detentor ou detentora dessas vivências.

A convidada aborda o território como movimento, a memória como algo que afirma a cidadania e o jornalismo como mobilizador de conhecimentos dispersos.

Encontro #4 – Tomar o que é nosso!

Prefeitura, Governo do Estado, Presidência. Câmara de vereadores, dos deputados, Senado. Em ano de eleições municipais, o papel que nos cabe é apenas ir até a urna depositar nosso voto? “Como fazemos para ocupar esses espaços”, questiona Mariana Belmont, jornalista e articuladora.

Ela aborda a construção política de quem vive o cotidiano das cidades de verdade, da presença das mulheres, da população negra, periférica, LGBT nos espaços em que as decisões são tomadas – e qual é o papel da mídia nisso. “Construir outra cidade é possível. É um sonho, um horizonte”, diz.

Esse conteúdo faz parte do projeto “Periferia em Movimento – Morada Jornalística”, contemplado pelo Programa VAI – Modalidade 2 de 2019, da Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de São Paulo.

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