“A língua portuguesa invadiu nosso corpo-território”

“A língua portuguesa invadiu nosso corpo-território”

Paulo Cruz

Paulo Cruz

Encontro "Linguagens Opressoras" reflete sobre o racismo perpetuado pela comunicação. Confira a conversa com Lyryca Cunha e Salloma Salomão

Foto em destaque: Lyryca Cunha / arquivo pessoal

Você é racista? Se essa pergunta mexe com você, que tal falarmos mais sobre o que significa ser racista no nosso dia a dia, nos detalhes, nas palavras, expressões, comportamentos e discursos que adotamos?

Para Lyrica Cunha, a própria língua portuguesa em perpetua o racismo, uma vez que é a linguagem do colonizador do imenso território indígena que é o Brasil. “A língua portuguesa invadiu nosso corpo-território, invadiu nosso espaço, a nossa mente”, aponta ela, que é indígena em retomada, multiartivista, psicóloga e idealizadora do projeto O Não Lugar – Retomadas Indígenas.

Esse foi o mote da segunda conversa da série “Linguagens Opressoras”, realizada pela Periferia em Movimento em 1º de julho, que teve a participação de Lyrica e de Salloma Salomão, compositor, educador, ator, dramaturgo e pesquisador.

Ouça um resumo no podcast publicado em nosso canal no Spotify, no Anchor ou clicando abaixo:

Salloma lembra que essa linguagem se expressa não apenas pelo verbo, mas também pelas ações: “A mensagem que as forças de segurança estão dando através do gesto e do corpo é: ‘se eu quiser eu te mato a qualquer momento’. E essa é uma linguagem – linguagem corporal – que tem haver com humilhação social, subalternização, e só entende essa linguagem quem foi educado por ela”.

“Linguagens Opressoras” faz parte da proposta de encontros abertos e periódicos de Comunicação com Cuidado, que têm o objetivo de promover processos saudáveis na produção comunicacional e jornalística nas periferias e de fortalecer quem está nessa área nas quebradas. Os encontros são realizados pela Periferia em Movimento e o Programa de Fomento à Cultura da Periferia da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Confira a conversa na íntegra:

Organização, apresentação e produção: Aline Rodrigues, Pedro Ariel Salvador e Vitori Jumapili. Artes: Rafael Cristiano. Seleção e edição de áudio por Paulo Cruz. Edição de texto por Thiago Borges.

Colaboração

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2 Comentários

  1. […] algumas semanas, a gente conversou com a artista Lyrica Cunha, que mora na periferia de São Paulo e é uma indígena em processo de retomada. Ela explica melhor […]

  2. […] “O que é o pardo se não uma confusão? É uma ilusão, uma alucinação”, aponta Lyryca Cunha, multiartista moradora da periferia de São Paulo e mulher indígena em “retomada”, ou […]

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