Reportagem por Aline Rodrigues e Thiago Borges. Fotos: Divulgação / Prefeitura de São Paulo

Diante da pandemia de covid-19, o poder público antecipou a campanha de vacinação contra a gripe neste ano. E a medida gerou uma corrida aos postos de saúde da capital paulista, com filas para atendimento, estoques esgotados em poucas horas e a apreensão dos usuários diante de multidões e da possibilidade de contrair o coronavírus.

A professora aposentada Vera Lucia Silva, de 61 anos, foi se vacinar com o marido logo no primeiro dia da campanha (23/03). “Tinha umas 50 pessoas na frente. Começaram a atender umas 07h40 e fui atendida rápido, mas logo acabou”, conta. No dia seguinte, ela foi levar a mãe de 85 anos para tomar a vacina também, mas as doses já tinham se esgotado na unidade básica de saúde (UBS) do Jardim Castro Alves, no Grajaú, Extremo Sul de São Paulo.

Hoje (25/03), pela manhã, Vera Lucia ligou na UBS para saber se um novo carregamento tinha sido entregue. Voltou até lá, deixou a mãe esperando no táxi e aguardou mais de 1h na fila, com mais de 200 pessoas na frente.

A vacina rolou, mas diferentemente da imunização dentro do carro colocada como possibilidade pela Prefeitura, a mulher idosa teve de entrar no posto para receber a aplicação. “Disseram que não tinha espaço para fazer fila de carros ali”, diz Vera Lucia.

A campanha contra a gripe pretende imunizar inicialmente os profissionais da saúde e os idosos – exatamente o grupo considerado de “risco” na pandemia de coronavírus. Nessa primeira etapa, 1,8 milhão de pessoas devem ser imunizadas contra o vírus influenza. Além das 468 UBS, a vacinação deve ocorrer em mais de 450 escolas e outros pontos, como tendas e diretamente no domicílio de idosos acamados.

Vale ressaltar que a vacina contra a gripe não protege contra o coronavírus, mas vai auxiliar os profissionais de saúde no diagnóstico de covid-19, ao descartarem os vários tipos de gripe na triagem da população vacinada.

Fila para vacinação contra gripe (Foto: Prefeitura de São Paulo)

Joana Jovelina Marcos, de 73 anos, também foi se vacinar logo no primeiro dia de campanha. Chegou às 08h na UBS Parque Arariba, região do Campo Limpo (zona Sul de São Paulo), e encontrou uma fila enorme e com pontos de aglomeração. “Tinha gente que estava bem pertinho, mas eu mesma e a dona Antonia, minha vizinha, ficamos distante até uma da outra”, conta.

Às 09h10, ela finalmente foi atendida. “Eles alegaram para a gente que a vacina tinha chegado há alguns minutos. E eles estavam esperando a vacina ficar na temperatura certa para aplicar, para não matar a gente”, alivia-se, apesar da apreensão por ter ficado exposta ao possível contágio de coronavírus. “O governo disse que a gente ia chegar, tomar vacina e ir embora. Não foi nada disso que aconteceu”, lamenta.

Vacinação contra gripe: marcações no chão para impedir aglomeração (Foto: Prefeitura de São Paulo)

Já Joana Martinho, de 64 anos, foi se vacinar na terça-feira (24/03). Moradora do Piraporinha (zona Sul de São Paulo), ela foi até a UBS Jardim Thomas, no Jardim São Luís, aonde a enfermeira disse que as 600 doses entregues na segunda-feira tinham esgotado no mesmo dia. Joana chegou no posto às 10h e o lote daquele dia ainda não havia sido entregue na unidade. Voltou às 15h e encontrou um cenário diferente: não pegou fila e ainda encontrou o chão com marcações para manter a distância segura entre os usuários.

“A enfermeira disse que tá feliz, porque ano passado muita gente não foi tomar. Tiveram que intimar, e agora não. O pessoal tá correndo para tomar logo”, conclui.

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