Preto, pobre, preso

Periferia em Movimento

Periferia em Movimento

Condenado nos protestos de 2013 por portar Pinho Sol, Rafael Braga foi novamente acusado, agora num flagrante duvidoso, por tráfico de drogas

Na última quinta-feira, 20 de abril, Rafael Braga foi condenado a 11 anos e três meses de prisão e pagamento de R$ 1.687,  por crimes de tráfico de drogas e associação ao tráfico. Acusação tão duvidosa quanto a de junho de 2013, quando foi condenado por portar Pinho Sol durante protesto e foi o único condenado daquelas manifestações.

Desta vez, foi acusado de portar 0,6 g de maconha, 9,3 g de cocaína e um rojão. Mas no depoimento, Rafael alegou que nada disso o pertencia, e que havia sido ameaçado pelos policiais. No julgamento, testemunhas alegaram ver que no momento da abordagem Rafael não portava nenhum dos itens.

Quem julga Rafael é a justiça para pretos e pobres que vivem nas ruas. Não é a justiça da lava-jato, do foro privilegiado, que tem delação premiada com direito a coffe-break e transmissão no Jornal Nacional.

Mas o povo sabe que Rafael é mais um dos 6222.202* presos no Brasil. Grande parte sem passar por julgamento, sem direitos fundamentais, privados de liberdade hoje e sempre, desde o nascimento.
Contra essa realidade,

nessa segunda-feira, movimentos estarão reunidos em Vigília Contra a Condenação de Rafael Braga.

A partir das 18h, todos vestidos de preto no Vão Livre do MASP.

 
Analisando a realidade brasileira, fica a questão: estão querendo acabar com as drogas ou com as vidas? Desde a Lei de Drogas, de 2006, o aumento de prisões por tráfico de drogas aumentou muito (339% de 2006 até 2013).

“É importante antes dessa avaliação reconhecer que o proibicionismo surge no mundo a partir da perspectiva também de controle de populações e não apenas de mercado, e no Brasil o controle da população negra egressa da escravidão formal é central para essa política”,

é o que apontou Dudu Ribeiro, coordenador da Iniciativa Negra por uma Nova Política de Drogas (INNPD), em na reportagem “Tá metido com drogas” A quem serve a proibição dos entorpecentes?” do Periferia em Movimento.
Hoje, um em cada três presos no Brasil responde por tráfico de drogas, segundo este levantamento. A linha entre traficante e usuário é muito tênue na justiça brasileira. Se você é branco, tende para o lado do usuário, se é negro, vai pra cela até que provem o contrário.
Em entrevista ao Brasil de Fato, Débora Maria da Silva, do Mães de Maio, afirmou que a decisão da justiça no caso de Rafael mostra a seletividade do Judiciário. Ele criminaliza a pobreza e encarcera em massa jovens negros. “Há provas de que esse crime foi forjado. A vigília é uma resposta dos movimentos contra um sistema de justiça classista e racista que precisa de uma reforma urgente. O que está acontecendo com Rafael é inaceitável”, afirma.
*dados do Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias, divulgado pelo Ministério da Justiça em abril de 2016, referente a 2014

Autor

Compartilhe:

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on pinterest
Pinterest
Share on linkedin
LinkedIn

Comente usando o facebook

Nosso manifesto:

Nossas redes sociais:

Notícias recentes:

1 Comentário

  1. […] a Rafael Braga. O jovem foi condenado no dia 20 de abril a 11 anos de prisão. Como relembramos nessa reportagem, Rafael é mais um dos presos no Brasil por serem Pretos, Pobres e viver nas periferias da […]

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Confira também

Posts relacionados:

Apoie!
Skip to content