A Coalizão Negra por Direitos convoca um ato por comida e por vacina na avenida Paulista, em frente ao edifício do Banco Central, na manhã desta quinta-feira (18/2). A articulação, que reúne mais de 200 de organizações do movimento negro no Brasil, também chama manifestações em todo o País contra a gestão da pandemia até o momento e por medidas urgentes para conter a crise.

Em manifesto publicado esta semana, o grupo aponta que “negar o direito à saúde é genocídio” e responsabiliza o governo do ex-capitão do Exército, Jair Bolsonaro, que coleciona mais de 60 pedidos de impeachment protocolados no Congresso – um deles, inclusive, movido pela própria Coalizão. Confira o manifesto na íntegra aqui.

“Essa tragédia de mortes causadas pela covid-19 no Brasil é fruto da política de morte implementada pelo governo Bolsonaro. É agenda desse governo de extrema-direita, declaradamente racista e inimigo dos direitos humanos”, diz o manifesto.

O texto chama a atenção para as mais de 230 mil mortes por covid-19 registradas no Brasil, além da subnotificação – as mortes provocadas pela doença podem ser entre 30% e 50% acima dos dados oficiais, considerando o aumento de mortes causadas por síndromes respiratórias no período.

A Coalizão também observa que a dinâmica de contaminação e mortalidade da covid-19 que espelha a segregação racial existente no País. “Somos nós, povo negro, moradoras e moradores de regiões periféricas, faveladas, quilombolas, pescadores e de comunidades tradicionais, ribeirinhas e em situação de vulnerabilidade social, sem dúvidas, o segmento populacional mais afetado pela doença”, continua.

Além disso, as organizações apontam o maior empobrecimento da população negra do século – a população negra que compõe mais de 10 milhões do total de 13,7 milhões de brasileiros desempregados. Um informe publicado pela ONU sobre o impacto da pandemia concluiu que, em 2020, o Brasil dobrou o número de pessoas em situação de extrema pobreza, elevando para mais de 20 milhões o número de mulheres e homens negros atirados para a pobreza extrema.

Entre as providências, a Coalizão Negra por Direitos exige ampla cobertura da vacina; imediata retomada do Auxílio Emergencial até o fim da pandemia e consequente aprovação de uma Renda Básica permanente, sem prejuízo do Bolsa Família; fortalecimento do benefício de prestação continuada; atendimento a todos os protocolos de proteção determinados pela Organização Mundial de Saúde enquanto perdurar a pandemia; erradicação da política genocida do governo contra a população negra e indígena; e o fim da Emenda Constitucional 95 (a PEC do Teto dos Gastos), que retirou investimentos da saúde e provocou o sucateamento do Sistema Único de Saúde (SUS).

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