Ainda não é possível mensurar o real impacto objetivo e subjetivo da quarentena imposta para prevenir o contágio de coronavírus sobre a produção artística – para além da interrupção de contratos de trabalho.

Porém, enquanto o distanciamento social vigora, obras produzidas antes dessa situação são apresentadas ao mundo.

E a Periferia em Movimento traz 12 indicações de músicas e videoclipes de artistas de quebrada que saíram desde o início de 2020 até agora. Você pode ouvir em nossa playlist no Spotify ou conferir mais detalhes abaixo, com os vídeos!

1. “Quarentena”, de MV Bill

Logo quando a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a situação de pandemia por coronavírus, o rapper carioca MV Bill gravou “Quarentena”. A música e o vídeo foram gravados pelo próprio artista de dentro de seu apartamento, na zona Oeste do Rio de Janeiro, próximo à Cidade de Deus, em função do isolamento social.

A letra aborda o pouco caso do presidente da República diante da ameaça do vírus e a ausência de um plano de contingência para proteger a população mais pobre.

2. “Solidão Mãe”, de Lena Silva

Com muito amor, dedicação e ancestralidade envolvida no desenvolvimento de uma composição autoral, a rapper Lena Silva lançou o videoclipe para homenagear sua mãe, Marilene Pereira da Silva, 60 anos, mulher preta, nordestina e periférica que carrega consigo as marcas da deficiência auditiva – fator que segundo Lena nunca interferiu na comunicação entre mãe e filha.

“Solidão Mãe” retrata o amor de mãe, filha e a vida de muitas mulheres negras e nordestinas que, sozinhas, lutam para criar seus filhos. A rapper escreveu a música há 04 anos, mas somente agora a obra ganhou vida com cenas que trazem ancestralidade, religião de matriz africana, a força da natureza, os costumes à beira dos rios das lavadeiras e a troca de amor, respeito e afeto entre mãe e filha.

3. “Tô que Tô”, de Apolo

No mais recente hit do rapper Apolo, o refrão traz reflexões sobre o mercado musical e o peso das experiências de sua vida. As estrofes ganham o acompanhamento de fino trato do trompetista Maurício Mith.

4. “Tu Não é Inferior”, do Filosofia de Rua

Formado pelos rappers DJ Man, Big Ugli C.I. e Canhoto, o grupo Filosofia de Rua quebra as algemas da consciência e autoestima de toda uma população que vive à margem da sociedade. A faixa do álbum Era pra Ser Assim (2019) ganha videoclipe do grupo, que retoma sua origem musical atemporal que conduz a momentos críticos da política nacional, desde o descaso com os direitos básicos da população à censura, que ampliam cada vez mais a segregação social e econômica do país.

Dirigido por Vras77 e co-dirigido por Sarah de Lauro, o videoclipe apresenta a realidade dos moradores das favelas Vietnã e Beira Rio, na periferia da zona Sul de São Paulo, retratando a luta de diferentes gerações para sobreviver em meio a miséria, demagogia de políticos, abandono e preconceitos. “A mensagem aqui é desmistificar a ideia de que moradores das periferias são ou se sentem inferiores”, explica DJ Man.

5. “Corpo Fechado”, de Indy Naíse e Jota.Pê

Escrita pela artista em 2018, num momento de desesperança diante do assassinato de Marielle Franco e Anderson, a música também pulsa fé. “Corpo Fechado” é uma prece para proteger corpos negros, para que este sangue seja estancado e a vida siga em paz.

Nascida em Juazeiro (BA), Indy Naíse é radicada em São Paulo e iniciou sua carreira em 2014. Seu repertório majoritariamente autoral, aborda questões que são emergenciais para o convívio em sociedade, tendo o foco na mulher negra, no racismo, machismo e desigualdade social.

6. “Versos da Beira do Córrego”, de Fino Du Rap e Ouroechá

Uma das 12 faixas do álbum Requebrada, no início do ano a música “Versos da Beia do Córrego” ganhou um videoclipe. O trabalho marca o encontro do rimador Fino Du Rap, com 20 anos de estrada no hip hop paulistano, com o trio instrumental Ouroechá, que completa 06 anos de experimentos influenciados pelos sons urbanos.

Trata-se de uma música que fala de esperança, de superar as dificuldades que se apresentam no caminho. E o clipe foi filmado no Bowl do Arariba, Jardim São Luís, Zona Sul de São Paulo, e no Morro do Cristo, em Taboão da Serra, com a participação das Clarianas, grupo musical formado pelas cantoras/atrizes Naruna Costa, Martinha Soares e Naloana Lima.

7. “Metamorfose”, de Alinega

Também lançado no início de 2020, em virtude do Dia da Visibilidade Trans, “Metamorfose” retrata de forma sensível a relação abalada entre mãe e filhe por causa da sua nova identidade de gênero . Confira o single de Alinega:

8. “Lágrimas de Crocodilo”, de Diomedes Chinaski

O pernambucano Diomedes Chinaski lançou o filme “Lágrimas de Crocodilo”, um curta metragem de quase 13 minutos que é protagonizado por um personagem nordestino que migra para São Paulo. O filme é uma adaptação de “Crocodiloboy”, primeiro disco do artista que coleciona diversas mixtapes lançadas. Na trilha sonora, trechos de faixas inéditas e inspirações embaladas por rap, jazz, soul, gospel e R&B.

Para além da atuação, o registro apresenta imagens documentais e entrevistas que retratam o processo ainda muito atual de migração dos cidadãos nordestinos para o centro-sul do Brasil. Isso fala, inclusive, sobre a própria experiência do músico que, para trabalhar e realizar o seu sonho, está longe da família e do seu filho, carregando uma série de questionamentos sobre essa escolha.

9. “G-funk do Helipa a Ceilândia”, com D’Grand Stilo

O grupo de rap paulistano é conhecido por sempre trazer intercâmbio com artistas de vários estados e até de outros países. Dessa vez, D’Grand Stilo tem um feat de Japão Viela 17, de Ceilândia (DF), rapper ícone do Gangsta Funk no Brasil; e de Duck Jam, um dos precursores do movimento hip hop no Brasil. O audiovisual filmado na noite paulistana tem a direção de Maurício Augusto. Confira:

10. “Respeita”, de Dirty Lion

O músico gaúcho Dirty Lion disponibilizou o videoclipe de seu mais novo trabalho, o single “Respeita”. Rodado na cidade de São Paulo, o vídeo traz as vozes das minorias e justiça social, e também o encanto cotidiano. O rap faz parte do álbum Kumatê Ray, previsto para ser lançado em 2021.

11. “O Pipa”, do MicroDub

Logo no começo do ano também, a banda MicroDuv lançou o EP “O Pipa”, com participação da cantora e instrumentista estadunidense Gracie Bassie. Também soltam a voz o singjay Ras Ital B e o cantor e MC Diggão Ragga, integrantes do MicroDub. “O nome do EP vem da letra da canção homônima, que relata a vida de um menino que escolheu ser ‘vapor’, uma triste e comum realidade nas periferias e favelas brasileiras”, explica o produtor Bidiztone. 

Com elementos da música brasileira – como o flow do funk presente na faixa-título – e batidas eletrônicas, além das fortes e onipresentes influências das raízes sonoras jamaicanas, o EP traz 4 faixas e também uma versão dub de “O Pipa”.

12. Projeto Atalhos Sonoros

Está no ar a nova coletânea dos estúdios das Fábricas de Cultura das zonas norte e sul de São Paulo. Chamada “Fábricas de Cultura e Tratore Apresentam: Atalhos Sonoros 2019”, a coletânea apresenta as 06 músicas gravadas durante o projeto no último ano. O público encontrará MPB, rap, samba, rock, música eletrônica e outros gêneros musicais que se misturam.

O projeto reuniu artistas já atendidos pelos estúdios das Fábricas e artistas com maior experiência no mercado musical, convidados pela Tratore. Em cada uma das 05 edições, 03 artistas ou bandas se encontraram pela primeira vez para trocar experiências e gravar músicas em conjunto. Atividades de formação também foram oferecidas aos artistas participantes e ao público em geral através de cinco edições da SIM Transforma, realizadas em parceria com a Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM São Paulo).

Participaram do projeto Atalhos Sonoros 2019 os artistas Gabrielz, Transcritos, Instinto Orgânico, Isadora Titto, Dri, Penha Pinheiro, Nomah Die, RTS, Primitivos SA e Akuma, além de Mauricio Pereira, Socorro Lira, Malka, Tintapreta e Paulo Bira, convidados pela Tratore.

Para ouvir, acesse: https://ffm.to/atalhossonoros2019

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