Foto em destaque: Banda Aláfia (por Vinicius Barros)

Da reflexão sobre a atual situação política do País às denúncias do sistemático genocídio negro e indígena que tem as periferias como palco da cena, passando pelo registro da afetividade entre quem não cabe no sistema e o resgate da ancestralidade: a Periferia em Movimento fez um apanhado de recentes lançamentos musicais de artistas das quebradas de São Paulo e de outras localidades brasileiras.

Segue a lista!

1. “Faca Fake”, da banda Aláfia

Conhecida pelo sambasoul de guerrilha, Aláfia lança seu novo single que é um aperitivo do novo álbum que a digna banda está preparando. Inspirada em nomes como Tim Maia, Leci Brandão, Racionais entre outros, a ideia da música é mostrar que “a faca é fake”, mas a poesia continua afiada.

“Procurei imagens que ilustrassem o atual momento do País, sempre tendo em mente a história da taça Jules Rimet. O Brasil foi o único que teve direito de possuí-la e permitiu que fosse roubada e derretida. Penso nos mitos e trapaças que compõem os fatos recentes. Por isso, nesse som falamos de corrupção e manipulação de massa”, explica Eduardo Brechó, vocalista e líder do grupo. É ele quem assina a composição.

Confira a música que tem participação do poeta Sergio Vaz, da Cooperifa:

2. “Pretos Novos”, de Thiago Elniño

Como um grito de basta ao genocídio negro no Brasil, o rapper Thiago Elniño Interpreta em suas rimas um personagem mais velho a denunciar o racismo. “Nesse som, estou dizendo que por mais que esteja difícil, a gente vai morrer lutando, cantando e acreditando que o dia dos pretos vai chegar. Aliás, morrer lutando é um traço de dignidade e respeito ancestral para nós”, ressalta.

No videoclipe dirigido por Lincoln Pires, um plano sequência impacta quando, logo nas primeiras imagens, mostra um jovem preto sendo velado dentro de casa.

3. “Os Pretinho Bem”, de Thiago Elniño e Tássia Reis

Outra de Thiago Elniño e que também antecede o próximo álbum do artista é o single “Os Pretinho Bem”, feito em parceria com a cantora Tássia Reis. Inspirado no boxeador Muhammad Ali, o rapper trata a questão da agressividade na luta contra o racismo e, ao mesmo tempo, a doçura e o carinho com o próprio povo. “Se estamos ativos e determinados em não aceitar que racistas nos calem, definitivamente, devemos estar mais ativos ainda no cuidado com os nossos”, diz.

O clipe da música retrata o dia a dia repleto de afetos – do pequeno Ben, sua mãe Luz Ribeiro e pai Gilberto Costa. Durante o clipe, Thiago e Tássia surgem em uma representação muito simbólica de entidades que protegem a família.

Assista:

4. “No foco”, de Robsoul

O professor e rapper natural do Grajaú, Extremo Sul de São Paulo, traz vivências da quebrada em um single cujo clipe foi gravado pelo coletivo audiovisual Graja na Cena mas que só agora foi lançado. As cenas foram gravadas na região, inclusive em uma ocupação por moradia.

Confira:

5. “El tiempo és mi enemigo”, do Conexão Diáspora

Os MCs Bixop (dos Estados Unidos) e Alomia (Colômbia) formam o Conexão Diáspora, que abordam a vida no Brasil. Em “El tiempo és mi enemigo”, versam em inglês e espanhol sobre a luta pela sobrevivência, correndo contra o tempo, superando as dificuldades do cotidiano e também da historia. A música pede movimento e se mistura ao ritmo da cidade, cenário do videockipe produzido por Jonathas Noh e direção geral do coletivo Quebrada Groove.

Assista:

6. “Ovelha negra”, de Shirley Casa Verde e Yzalú

Com uma estética retrô ao transitar das décadas de 1970, 1980 e 1990 até os dias atuais, a dupla Shirley Casa Verde e Yzalú protagonizam cenas inusitadas ao interpretarem personagens de época no clipe de “Ovelha Negra”, faixa do EP resultado dessa parceria – “Quântica”.

“Queremos com este clipe transmitir a leveza da nossa amizade, a cumplicidade que temos uma com a outra, uma irmandade mesmo e para, além disto, honrar os nossos ancestrais que estiveram antes de nós fomentando a arte e a música”, relata Yzalú, que assina a direção artística e executiva do videoclipe.

7. “Renovação”, do Rap Nova Era

Yzalú também participa da faixa “Renovação”, que dá nome ao terceiro disco do grupo Rap Nova Era. Como o próprio título sugere, esse é um marco para o grupo de rap de Salvador (Bahia). Se antes o objetivo era ressaltar a vivência contínua da violência, principalmente policial, agora a proposta é outra, mais preocupada com a musicalidade. O novo disco conta com 13 faixas e reúne outros grandes nomes do rap nacional, como DJ Cia, DBS Gordão Chefe, Godines e Vandal.

Conheça:

8. “Opará”, de Héloa

O segundo registro em estúdio da cantora Héloa tem o ritmo das águas e das marés como fio condutor principal das 10 faixas que compõem o álbum. Como resultado, traz o imaginário do Rio São Francisco, a magia do sertão, dos povos ribeirinhos, dos saberes tradicionais das matrizes africanas, indígenas e das diversas formas de resistência.

O samba duro, o afroreggae, o afrobeat, o ijexá e o forró são ritmos que se fundem. Em São Paulo, um show de lançamento já está agendado para o dia 06 de setembro, às 21h, no Auditório Ibirapuera.

Assista o videoclipe de “Agô”, o primeiro produzido para o projeto:

9. “Vem Dançar Comigo”, de Aparecido da Silva

O cantor lança seu primeiro EP, que conta com três canções com diferentes sensações e ritmos, explorando a essência de sambas antigos, do soul e da MPB. “Acho importante dizer que ser artista no Brasil, por si só, é um ato de resistência. Eu, artista negro, não só resisto como percebo que todo esse projeto nasce da impossibilidade e quebra, som a som, todas as barreiras e dificuldades”, diz.

Confira:

10. “Soul diva”, de Quelynah

Em seu novo álbum, a cantora e atriz originária do Grajaú que ficou conhecida pela série televisiva e filme “Antonia” passeia pelos ritmos da black music, incluindo soul, hip hop e samba rock nas 09 faixas que contam com produção de DJ Hum. Ouça:

11. “Feita Para Ser Amada”, de Alinega

De família preta, musicista e natural no município de Santo André, o rapper Alinega teve seu primeiro contato com o Hip-Hop através do break dance na escola e na igreja que frequentava, onde também começou a cantar. E na semana passada, lançou seu primeiro EP, “Feita Para Ser Amada”. O projeto expressa a visão do corpo preto, transmasculino, não binário e periférico.

Confere aí:

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