Papo rápido sobre golpe e democracia EDITORIAL: Como falar de golpe à democracia quando os nossos continuam morrendo? De qualquer forma, não admitimos retrocesso. Chega de pagar veneno! Nenhum direito a menos!

Consideramos sim um golpe o processo que levou à queda da presidenta Dilma Rousseff porque não respeitou a escolha de 54 milhões de pessoas, que na última eleição confiaram seus votos em seu programa de governo – o “menos pior”?

Mas a democracia “representativa”, cujo poder muda de mãos para continuar sob o mesmo comando, de fato não nos representa e sim nos limita. Mesmo os governantes do PT, um partido de “esquerda”, pouco ou nada fizeram para impedir o genocídio negro e dos povos indígenas – isso quando não contribuíram para piorar esse cenário.

Como falar de golpe à democracia quando os nossos continuam morrendo?

O Estado Democrático de Direito não chegou por esses lados. Existir sem virar alvo já é privilégio. Golpe aqui é todo dia, desde sempre.

Mas não somos ingênuos ou ingênuas. A ascensão de Michel Temer só vai permitir que continuemos sendo golpeados, e com mais força. Agora, não tem disfarce. Tá tudo escancarado.

Conquistas históricas, frutos de muita luta, estão ameaçadas. E quem vai ficar sem estabilidade no trampo ou seguro desemprego quando as regras trabalhistas foram alteradas? Ou quem vai continuar trabalhando até os cabelos ficarem brancos, com o merecido repouso da aposentadoria ainda distante? E já questionam até o direito à saúde e à educação. Nós sabemos onde o chicote estrala mais forte.

Por isso, não vamos ignorar o que rola na política institucional (afinal, eles não vão ignorar e continuarão utilizando esses meios para manter seus privilégios). Portanto, desde já: #ForaTemer!

Por outro lado, cientes de que nossa luta não cabe nas urnas e que a democracia real deve ser construída diariamente, olho no olho, no sapatinho, mantemos nossos pés na rua.

Com todas as nossas limitações e contradições, a gente quer estar lado a lado de quem sempre resistiu e vai continuar resistindo aqui nas margens – pelo básico, pelo direito à identidade, contra o genocídio e o patriarcado, pela vida.

Chega de pagar veneno. Não aceitamos retrocesso. Nossa luta é por direitos.

O que já publicamos e que ajudam a complementar esse pensamento:

Brasil racista, máquina mortífera para o povo preto

Quem luta por nós?

Genocídio, o golpe permanente

Por quem nossas panelas batem