Mulheres negras resgatam saberes africanos em oficina de tecnologias ancestrais

Mulheres negras resgatam saberes africanos em oficina de tecnologias ancestrais

Periferia em Movimento

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Projeto Ogunhê, feito por coletivo de São Bernardo do Campo (SP), discute importância de ofícios envolvendo natureza e espiritualidade africana

Por Vini Linhares

Orientação de reportagem: Gisele Brito. Edição de texto: Thiago Borges. Artes: Rafael Cristiano

Com caixas de leite e de papelão, Erica Arnaldo confecciona uma pequena estrutura de peças que se encaixam e se movem em um sistema de engrenagens. É a deixa para a atriz e arte educadora dialogar com o público sobre tecnologias ancestrais de povos africanos. E a tradição oral permite que esse conhecimento circule agora pela internet com o projeto Ogunhê. 

Engrenagem de papelão (Foto: Samira Sousa)

“Os ofícios artesanais são um dos grandes vetores da tradição oral”, explica a produtora cultural Karina Costa, uma das organizadoras do encontro. “Nas sociedades africanas, as atividades humanas possuem frequentemente um caráter sagrado ou oculto, principalmente as atividades que consistem em agir sobre a matéria e transformá-la, uma vez que tudo é considerado vivo”.

O termo “Ogunhê” é uma saudação a Ogum, orixá das tecnologias, do trabalho e da metalurgia. Promovido pelo coletivo Manidade – Sociedade de Manas com Humanidade com fomento da Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc em São Bernardo do Campo (SP), o projeto realiza oficinas e workshops para resgatar a memória, compartilhar saberes e apresentar a importância de ofícios e valores civilizatórios em torno dessas tecnologias, envolvendo a natureza e a espiritualidade africana. 

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Karina lembra que, por volta do século 13 e antes da colonização europeia, pessoas africanas que trabalhavam com ferragens precisavam sair de sua região para comercializar com outros povos. “E era dessa forma também que melhoravam a sua comunicação, que entendiam o que que tava acontecendo em outras nações (…) e essas novas notícias também alteravam toda a rotina daquela população”, explica.

Agora, a ideia é retomar esses fazeres em oficinas de experimentação artística com produção de objetos tridimensionais com materiais recicláveis, alinhada à urgência ambiental e à sustentabilidade. 

As engrenagens estão no todo e permitem criar um ritmo, formas e inúmeros possibilidades para que tenhamos vivências pluriversais – afinal, todes nós formamos uma organização coletiva que possui um movimento intrínseco, em engrenagens sociais que vão e vêm. 

“Tecnologia é tudo aquilo que está a auxílio da comunidade”, ressalta Mariana Calu, formada em turismo, pós-graduada em arte educação, empreendedora em temperos e participante na oficina.

A próxima atividade acontece no dia 4 de setembro, das 10h às 13h, na plataforma zoom, com interpretação em Libras (língua brasileira de sinais). Para participar, é preciso acompanhar a divulgação no instagram @coletivomanidade. Agradecemos ao Coletivo Manidade por nos proporcionar um encontro cheio de troca, emoção e aprendizado. Caminhamos daqui para um futuro antirracista. 

*Vini Linhares é participante do “Repórter da Quebrada – Uma morada jornalística de experimentações”, programa de residência em jornalismo da quebrada realizado pela Periferia em Movimento por meio da política pública Fomento à Cultura da Periferia de São Paulo

Colaboração

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