Foto em destaque: José Cícero da Silva

Os últimos 10 anos foram de muita evolução para as periferias. E, apesar da mudança de rumos na política e a tomada de um outro viés ideológico, mais bruto e menos afetivo, os próximos 10 serão de aprendizado e reconstrução das bases com mais consolidação.

É assim que Alex Barcellos enxerga passado e futuro.

Com 39 anos, morador de Taboão da Serra (região metropolitana de São Paulo), ele é articulador e produtor cultural da Agência Solano Trindade, que promove o desenvolvimento das economias periféricas, solidária e da cultura com coletivos e movimentos das periferias paulistanas. “Esse trabalho conjunto da economia, algo tão importante e vital no desenvolvimento dos territórios periféricos e que estão à margem do grande centro”, conta.

E é por isso que Alex Barcellos faz parte de #NossoBonde, série que a Periferia em Movimento publica todas as segundas-feiras de 2019. Neste ano em que completamos uma década de jornalismo de quebrada, convidamos moradoras e moradores das quebradas que nos ajudaram a refletir sobre a realidade na perspectiva periférica ao longo desse período – e, também, pra saber como imaginam os próximos 10 anos.

“Economia solidária é mais do que geração de renda e emprego, e sim de transformação social”

Alex Barcellos, em entrevista em 2017

Nesses 10 anos que se passaram, Alex viu o crescimento de pequenos negócios, do desenvolvimento territorial, com mais acesso a moradia e transporte, mesmo que precário. Tudo isso, obviamente, fruto da luta de movimentos sociais, com mulheres à frente.

Foto: Cassimano
Festival Percurso de Economia Solidária, em 2015. Foto: Cassimano

Essas ações conjuntas, desde a poesia no sarau à oficina na escola, permitiram ampliar a troca de saberes e denunciar violências, como o feminicídio, o genocídio contra a juventude negra e periférica, o genocídio indígena e a LGBTfobia, por exemplo.

“De tantos coletivos que se somaram e se juntaram na parte cultural, com ações conjuntas de desenvolvimento de rede, da oportunidade de informação na comunicação periférica”, destaca.

Não por acaso, Alex vê o avanço da pauta conservadora como reação às conquistas das periferias: “Nessa disputa ideológica na maioria das vezes agressiva, perdemos um pouco de afetividade, humildade”, diz ele, para quem isso vai reverberar no futuro.

Por outro lado, é otimista: os próximos 10 anos serão também de crescimento e aprendizado. Assim esperamos, Alex.

Foto: José Cícero da Silva

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