“Nóis já tá fervendo”: A reorganização escolar que vem de baixo

Batucada, saraus, teatro, cinema, oficinas, debates e participação ativa na tomada de decisões. O final de semana foi de programação cultural intensa e reflexão nas escolas estaduais ocupadas por estudantes na Grande São Paulo, que estão mostrando na prática a verdadeira reorganização que desejamos.

Desde a última segunda-feira (09/11) até a publicação desta matéria, pelo menos 18 escolas seguiam ocupadas. A primeira delas foi a E.E. Fernão Dias (Pinheiros, zona oeste), seguida da E.E. Diadema (na cidade de mesmo nome), E.E. Salvador Allende (Cohab José Bonifácio, zona leste), E.E. Heloísa Assumpção (Osasco), E.E. Castro Alves (zona norte), E.E. Valdomiro Silveira (Santo Andŕé), E.E. Dona Ana Rosa (Vila Sônia, zona oeste), E.E. Antônio Manuel Alves de Lima (Jardim São Luís, zona sul), E.E. Sílvio Xavier Antunes (Piqueri, zona norte), E.E. Oscavo Paulo (Bangu, Santo André), E.E. Comendador Miguel Maluhy (Campo Limpo, zona sul), E.E. Elizete Oliveira Bertin (Embu das Artes), E.E. Antônio Adib Chammas (Santo André), E.E. Cohab Inácio Monteiro III (zona leste), E.E. Mary Moraes (Portal do Morumbi, zona sul), E.E. José Lins do Rego (Jardim Ângela, zona sul), E.E. João Kopke (Luz, centro) e E.E. Coronel Antônio Paiva (Osasco).

O governo estadual entrou com o corte do fornecimento de água, cerco e repressão policial, mas a resistência segue firme e com trilha sonora própria da luta:

Além disso, estudantes de outras escolas prestam solidariedade aos secundaristas ocupantes e organizam manifestações. “Minha escola não será afetada mas eu sei que essa propota só vai afetar ainda mais a educação”, diz Raul Lopes, de 16 anos, que está no segundo ano do Ensino Médio da ETESP, centro de São Paulo.

“Reorganização é hipocrisia, não tem outra palavra”, diz Elcia Gomes da Costa, 17 anos, que estuda no terceiro ano do Ensino Médio na EE Adelaide Rosa, no Grajaú, Extremo Sul de São Paulo. “Falaram pra gente que eles querem fazer um teste, mas nós não somos cobaias do governo. E a educação já é precarizada”, completa.

Os boatos sobre a reorganização chegaram à escola de Elcia em outubro, mas ninguém entendeu direito. A unidade continuará com Ensino Médio pelos próximos dois anos e, a partir de 2018, deve ficar apenas com turmas do segundo ciclo do Fundamental.

“Essa reforma vai servir para demitir professor, cortar gastos. Mas como eles colocam preço na educação?”, questiona Elcia.

O governo de Geraldo Alckmin afirma que os professores efetivos cumprirão a mesma carga horária de aulas, mas é incerto o futuro dos docentes com contratos temporários.

Pelo menos 94 escolas devem ser fechadas em 2016 e 754 passarão a ter ciclo único, totalizando 2.196 escolas (43% do total) nesse modelo em todo estado.

A Secretaria da Educação do Estado alega diminuição de 2 milhões de alunos na rede estadual desde 1998 (hoje são 3,8 milhões de matriculados) e defende que a separação das unidades por faixa etária favorece a qualidade do ensino, com adoção de estratégias pedagógicas focadas.

Segundo avaliação do governo, as escolas com segmento único têm resultados de 14,8% a 28,4% superior à media da rede estadual. Porém, especialistas entrevistados pelo jornal O Estado de S. Paulo apontam que esse critério não basta para mudar todo o sistema. “Tudo indica que são outros interesses. Uma racionalização no sentido de se ter menos professores”, diz o professor Ocimar Alavarse, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP).

Mais do que isso, a mudança divulgada como benéfica ocorre sem consulta popular e democrática. “Essa reorganização vem de cima. As ocupações estão mostrando a reorganização que vem de baixo”, diz um integrante do coletivo O Mal Educado, que integra secundaristas na cidade de São Paulo e divulga informações sobre as tomadas das escolas. “A escola não é do estado, mas da comunidade, e o estado tem o dever de financiar a escola que a gente quer”, finaliza.

[box type=”info”] Que escola a gente quer?

Diante da reorganização imposta goela abaixo, sem informações precisas, o Cedeca Interlagos promove com a participação do Periferia em Movimento a terceira edição dos Encontros de Arte e Midiativismo. A ideia é discutirmos e produzirmos reportagens e outros conteúdos sobre a escola que queremos e que reorganização é essa, com participação dos coletivos O Mal Educado, Escola de Notícias, Poetas Ambulantes, da jornalista Claudia Belfort, do professor Alan Zas e do ativista Edu Graja.

Anotaí!

Quando? De 17 de novembro a 15 de dezembro, sempre às terças-feiras, das 14h às 18h

Onde? No Cedeca Interlagos – Rua Nossa Senhora de Nazaré, 51 – Cidade Dutra – Extremo Sul de São Paulo

Grátis. Não precisa se inscrever.

Mais informações aqui.[/box]

[box type=”info”]Escolas em luta no Extremo Sul

Nesta quarta-feira (18/11), estudantes de escolas estaduais do Grajaú, Cidade Dutra e Parelheiros planejam um ato para manifestarem-se contra a reorganização da rede.

Anotaí!

Quando? Quarta (18/11), a partir das 13h

Onde? Concentração na pracinha em frente à EE Carlos de Moraes Andrade – Rua Antônio Felipe Filho – Grajaú – Extremo Sul de São Paulo[/box]

  • Os protestos contra a reorganização das escolas estaduais
    que está sendo implementadas pelo Governo de SP são atos políticos organizados
    pelo PT com o único objetivo de colocar a opinião pública contra o governador
    Geraldo Alckmin. Eles não se preocupam com a educação, só querem desgastar a
    imagem do governador. A mentiras espalhadas pela Apeoesp e a participação do
    MTST e outros movimentos ligados ao PT nesses atos é a prova disso.

    • Elvis Magalhaes

      Apesar da tentativa do oportunismo de cavalgar a luta dos estudantes e dirigi-las para um projeto eleitoreiro, o que nós temos visto é o rechaço a estes oportunistas, principalmente da UNE/UBES e a radicalização da luta combativa e independente, o que deixa os governistas sem espaço e com medo de perder o controle.
      Viva a luta dos estudantes em SP!
      Abaixo o oportunismo!