Por Thiago Borges

As periferias de São Paulo são mais negras e mais jovens do que a média da população da maior cidade do País. Também têm mais pessoas vivendo em favelas ou dividindo a mesma casa que nos bairros centrais e mais ricos, e estão mais distantes de postos de trabalho formal.

A diferença impacta inclusive na idade média ao morrer, que chega a mais de 22 anos: enquanto uma pessoa de Alto de Pinheiros (zona Oeste) vive em média até os 80,9 anos, em Cidade Tiradentes (Extremo Leste), ela chega em média aos 58,3 anos. A média da cidade é de 68,2 anos, bem acima do identificado em outras quebradas, como Anhanguera (58,6), Parelheiros (59,2), Iguatemi (60,1), São Rafael (60,3) e Grajaú (60,4).

Isso é o que revela o Mapa da Desigualdade 2021, publicado nesta quinta-feira (21/10) pela Rede Nossa São Paulo. Publicado desde 2012, o levantamento apresenta dados sobre os 96 distritos da capital paulista utilizando fontes públicas e oficiais sobre população, meio ambiente, mobilidade, direitos humanos, habitação, saúde, educação, cultura, esporte, infraestrutura e trabalho e renda. Clique aqui para baixar o mapa e aqui para baixar as tabelas.

Um dos indicadores novos é o que calcula a mortalidade por covid-19, que analisa o peso proporcional de mortes pela doença em 2020 em relação a todos os óbitos ocorridos no mesmo distrito.

Em 2020, os distritos que concentram maior proporção de óbitos são distritos com demografia mais jovem, como por exemplo o distrito de Iguatemi (com 48,7% de jovens e 20,8% de óbitos por covid-19), o que vai na contramão dos grupos de maior risco da doença (os mais idosos), evidenciando que o fator território teve peso significativo.

Quem vive nas quebradas?

Em relação a cor ou raça, 37% da população paulistana se autodeclara preta ou parda. Mas esse índice é maior em 42 distritos, sendo que apenas a Sé (com 38,3%) fica na região central. O percentual chega a 60% no Jardim Ângela (zona Sul) ante 5,8% em Moema (distrito rico também na zona Sul).

Com 390 mil habitantes, o Grajaú (Extremo Sul) continua sendo o distrito mais populoso da cidade e é o segundo mais negro, com 56,8% da população autodeclarada preta ou parda, que também é maioria em Parelheiros (56,6%), Lajeado (56,2%), Cidade Tiradente (56,1%), Itaim Paulista (54,8%), Jardim Helena (54,7%), Capão Redondo (53,9%), Pedreira (52,4%) e Guaianases (51,5%).

A população jovem também é maior nas margens da cidade. Metade da população de Parelheiros tem entre 0 e 29 anos – e 11,8% tem até 6 anos, apenas. Na média da cidade, 40,3% da população é jovem, mas esse número é maior em 41 distritos. Cidade Tiradentes (49,1%), Iguatemi (48,7%), Lajeado e Jardim Ângela (48,4%), Grajaú (47,8%), Jardim Helena (47,7%), Perus e Brasilândia (47,6%) e Anhanguera (47,2%) têm a maior concentração.

Aglomerada, desconectada e distante do trampo

O número de pessoas vivendo na mesma casa também é maior nas periferias: a média é de 3,3 pessoas no mesmo domicílio no Jardim Helena (zona Leste) contra 2 pessoas em média na Consolação (Centro). E enquanto 9,5% da população da cidade vive em favelas, no Jardim São Luís esse índice atinge 68,8%.

A média de distribuição de antenas de internet móvel na cidade chega a 4 por quilômetro quadrado, mas isso é muito maior no Itaim Bibi (48,3), enquanto o com menor acesso é Marsilac (apenas 0,02). Já por população, o número de antenas no Itaim Bibi chega a 49,8 para cada 10 mil habitantes, contra apenas 1 por 10 mil habitantes no Jardim Helena (zona Leste).

A oferta de emprego formal é maior no Centro: a Sé tem 112 vagas com carteira assinada para cada 10 habitantes do distrito, contra 0,4 vagas por 10 habitantes em Iguatemi (zona Leste). Isso significa que um contingente maior de pessoas precisa se deslocar diariamente para conseguir trabalhar em um emprego formal.

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