[ATUALIZADO] Greve Geral: Periferias marcham contra “reformas” Trabalhista e da Previdência Grajaú, Parelheiros, Jardim Ângela, Jardim São Luís... Marchas saem de diferentes pontos do Extremo Sul e se encontram no Largo do Socorro; confira como foram os atos

O Brasil literalmente parou nesta sexta-feira (28 de abril), quando centrais sindicais e movimentos sociais em todo País convocaram uma Greve Geral contra as propostas de “Reforma” da Previdência e “Reforma” Trabalhista, propostas pelo governo ilegítimo de Michel Temer e que retiram direitos de trabalhadores.

Nas periferias, as mobilizações começaram na véspera (leia mais abaixo) e o Periferia em Movimento esteve nas ruas logo cedo, com cobertura por nossa página no Facebook.

Às 05h da manhã, moradores da ocupação Jardim da União (no Extremo Sul de São Paulo) bloquearam a entrada da Chris Cintos, maior fábrica de cintos de segurança da América Latina e localizada na avenida Atlântica (no Socorro), impedindo a entrada de trabalhadores – reunidos em assembleia, a maior parte deles decidiu não entrar na empresa. Por volta das 08h, manifestantes saíram em marcha.

 

Bloqueio da Estrada de Itapecerica (Foto: Paulo Magrão)
Liberação de pessoas detidas em ato no Capão Redondo

Enquanto isso, manifestantes bloquearam a Estrada de Itapecerica, nas proximidades da Estação Capão Redondo do Metrô. Três pessoas foram detidas e liberadas no início da tarde.

Às 06h da manhã, moradores das ocupações Aristocrata e Anchieta (ambas no Grajaú) articulados ao Comitê de Resistência Cocaia e Região tomaram parte da avenida Belmira Marin e marcharam do Grajaú rumo à Ponte do Socorro. Lá encontrariam com grupos vindos do outro lado do Extremo Sul, no Jardim Ângela, Piraporinha e Jardim São Luís.

Às 10h, as duas marchas chegaram à Ponte do Socorro, onde o grupo do Jardim da União já se concentrava. 

Ato termina no Largo Treze (Foto: Helder França)

Cerca de 3 mil pessoas tomaram três pistas da Marginal Pinheiros e seguiram até a altura da Estação Santo Amaro da CPTM, onde subiram até o Largo Treze e encerraram o ato relembrando mobilizações históricas que aconteceram na região. Além dos movimentos populares, participaram do ato centrais sindicais, professores em greve, secundaristas, trabalhadores da saúde e da assistência social, entre outros.

CONFIRA AS FOTOS DO ATO PELA GREVE GERAL NO EXTREMO SUL

(Fotos: Cristiane Rosa)

 

 

Movimentação na véspera

O grupo de moradores da ocupação Jardim da União, que fez bloqueio de fábrica na madrugada, iniciou seus atos ainda na quinta-feira (27 de abril). A ocupação por moradia localizada no Grajaú, Extremo Sul de São Paulo, se uniu a indígenas Guarani Mbya de Parelheiros e comitês populares para uma marcha entre o Terminal Varginha até o o terminal de transferência de ônibus – o Passa Rápido Rio Bonito, na Cidade Dutra. Ao longo da tarde, aconteceram atividades culturais e rodas de conversa sobre as “reformas”.

VEJA AS FOTOS DA MARCHA DE QUINTA-FEIRA E DO ACAMPAMENTO:

(Fotos: Thiago Borges / Periferia em Movimento)

Quem paralisa?

Entre as categorias profissionais que prometem cruzar os braços na sexta-feira, estão bancários, motoristas e cobradores de ônibus, metroviários, professores das redes pública e privada de ensino, aeroviários, entre outros. No Extremo Sul, funcionários da rede conveniada de serviços sociais – como do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CEDECA Interlagos) – também paralisam.

Na tarde de sexta, às 17h, movimentos se reúnem a trabalhadoras e trabalhadores de diferentes pontos da cidade em um ato unificado no Largo da Batata. Clique e saiba mais.

Que “reformas” são essas?

Em discussão no Congresso, a “Reforma” Trabalhista propõe a mudança de mais de 100 artigos da CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) e coloca em risco a segurança mínima para os trabalhadores ao estabelecer a negociação direta entre patrão e empregado, o que pode dificultar a obtenção de férias, aumentar a jornada de trabalho para 12 horas por dia e permitir a redução de salários sem acordo coletivo.

Já a “Reforma” da Previdência enviada por Michel Temer ao Congresso sofreu diversas alterações após a resistência nas ruas. Ainda assim, quer dificultar a aposentadoria ao propor idade mínima de 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres pararem de trabalhar. E, para receber o valor integral na aposentadoria, o contribuinte precisa pagar o INSS durante 40 anos.

Enquanto um morador do Alto de Pinheiros (uma das regiões mais ricas da cidade de São Paulo) vive em média 80 anos, a expectativa de vida em Cidade Tiradentes (Extremo Leste) foi de 53 anos em 2015, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Os distritos do Extremo Sul de São Paulo, onde o CEDECA Interlagos atua, acompanham esse indicador. Com a maior população da cidade, o Grajaú tem a quarta pior expectativa de vida: um morador da região vive em média 56 anos. Em Parelheiros, a expectativa de vida em 2015 foi de 59 anos.