Com quilômetros de muros coloridos, Grajaú tem destaque no “mapa” do graffiti paulistano

Com quilômetros de muros coloridos, Grajaú tem destaque no “mapa” do graffiti paulistano

Periferia em Movimento

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A pé, de trem ou de barco. Não importa como a pessoa chega ao Grajaú. Ela é recepcionada com cartões de visitas que são marca do distrito: os graffitis

Por Thiago Borges. Foto em destaque: Cristhiane Evangelista

A pé, de trem ou de barco. Pela avenida Belmira Marin, via trilhos da CPTM ou nas águas da represa Billings. Não importa a forma como a pessoa chega ao Grajaú. Ela é recepcionada com cartões de visitas que já são uma marca desse distrito localizado na periferia do Extremo Sul de São Paulo: os graffitis.

“O Grajaú é uma potência enorme do graffiti, mas não muito diferente de outras periferias. É uma cultura urbana e, conforme a cidade vai crescendo, essa cultura vai se expandindo também”, explica Wellington Neri, o Tim, artista e educador do Imargem. O coletivo atua há mais de uma década na região discutindo arte, meio ambiente e convivência, e cita iniciativas em outras partes da cidade, como o Arte e Cultura na Quebrada e o Grupo OPNI, da zona Leste paulistana.

Há cerca de 10 dias, o Imargem reuniu centenas de artistas de diferentes localidades para pintar um mural de mais 3 quilômetros de extensão nos muros da estação de trem do distrito e em escolas e condomínios do entorno. Foi o 12º Encontro Niggaz, um rolê que acontece desde 2004 na região em homenagem a um dos principais nomes da cena do graffiti.

Morador do Grajaú, Niggaz é considerado um precursor do graffiti, sendo o primeiro grafiteiro a cruzar a fronteira entre periferia e centro de São Paulo e tornando-se um dos ícones do muralismo na cidade. O artista morreu em maio de 2003. Em todos esses anos, mais de 2 mil artistas já se reuniram pra colorir muros do Grajaú em sua homenagem. “O papel do Niggaz é super relevante no que se reflete hoje”, observa Tim, que também cita outras referências, como Enivo e Jerry Batista.

Os 2 estiveram nesse último encontro, com nomes mais consolidados e também mais novos na cena. Por ali, passaram artistas do território, como Mariana Rosa, Thainá Índia e William Mangraff, entre outres. Esse último, aliás, recentemente participou da revitalização de um escadão próximo ao Pagode da 27 com a participação de crianças; e é um dos autores de um mural na Escola Municipal Teodomiro Toledo Piza.

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Gelson Salvador, Adriano Bizonho e Helder Holiveira, que formam Os Três, recentemente criaram graffitis nas paredes das escolas estaduais Eurípedes Simões, no Jardim Lucélia, e Tancredo Neves, no Jardim Novo Horizonte. E na entrada do CEU Navegantes, uma pintura destaca obras literárias.

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Do outro lado do CEU Navegantes, outra fachada é ocupada por uma obra de Mauro Neri, que ilustrou Laís, integrante do coletivo Navegando nas Artes. A pintura se confunde com a paisagem, que tem a represa onde o grupo coloca seus barcos à vela para navegar. A intervenção compõe o projeto Cultura e Educação nas Margens do Grajaú, feito pelo Imargem com apoio do Fomento à Cultura da Periferia. Em outro CEU, o 3 Lagos, Mauro homenageou profissionais da educação com a pintura da escritora e professora Maria Vilani. Novamente, a arte se confunde com a paisagem.

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Os graffitis estão marcados em toda parte, dos postes a pequenos portões. Mas segundo Tim, que é irmão de Mauro, a ideia é aproveitar também esses grandes espaços disponíveis no território para estabelecer esse diálogo e provocar alguma reflexão. Um dos mais recentes foi inaugurado na última sexta-feira (19/11), véspera do Dia da Consciência Negra, em parceria com o Instituto de Referência Negra Peregum.

A intervenção fica na empena da Escola Estadual Mariazinha Congílio, no Jardim Monte Verde. Localizada às margens da represa, a escola recebeu na fachada a obra “Matas Vivas Vidas Negras, salvem”, que simboliza a população preta em meio a realidade das florestas brasileiras. Dados do Censo, por exemplo, estimam que mais de 80% da população da Amazônia é negra.

“Trazer a Amazônia negra para um lugar como o Grajaú, dentro de uma área de proteção ambiental na Mata Atlântica, confirma que os biomas se conectam pela cultura, pela beleza e pelas mazelas das desigualdades sociais”, afirma Vanessa Nascimento, diretora executiva do Instituto.

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E não é por acaso que a sede da Periferia em Movimento, que também fica no distrito, é grafitada. Por aqui, buscamos expressar o que direciona nossa linha editorial com a contribuição dos traços de Mangraff, Mariana Rosa e Felipe Carvalho:

Grafitaço na casa da PEM com Will Mangraff

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