Fotos: Divulgação / FLINO

De forma totalmente on-line e grátis, 2 festas literárias promovidas por agentes culturais de periferias paulistanas geram uma “aglomeração virtual” nos próximos dias: a FLICT – Festa Literária de Cidade Tiradentes (no Extremo Leste de São Paulo); e a FLINO – Festa Literária Noroeste, que articula distritos dessa região.

Entre esta sexta-feira (27/11) e o próximo sábado (5/12), as 2 iniciativas promovem 7 dias de programação pela internet de forma totalmente gratuita, destacando a cena cultural periférica e trazendo debates importantes sobre temas que atravessam o cotidiano de quem vive nas quebradas.

Abaixo, a Periferia em Movimento aponta os destaques de cada evento.

Palavra Preta chama: Ocupação literárias

Realizada desde 2015 em parceria com os espaços de Cultura, Educação, Saúde e Assistência Social do distrito localizado no Extremo Leste da capital, a FLICT conta com grande participação dos moradores da região e reúne escritores, slammers, poetas, artistas e coletivos de diversas linguagens.

Em 2020, o evento acontece de forma on-line por conta da pandemia. Como tema, a FLICT adotou “Palavra Preta chama: Ocupação Literária”, abrangendo assuntos que impactam fortemente a população local, como a falta de amparo dos setores públicos de cultura para os artistas, o projeto de educação defasado, a violência policial contra jovens, bem como a perversidade das desigualdades sociais no território, que se maximizam neste contexto de pandemia; além de destacar protagonismo das pessoas pretas.

A programação começa às 15h desta sexta-feira (27/11), com uma contação de histórias com a Cia 4 Ventos, seguida por uma roda de conversa com Sueli Gonçalves e apresentação do Samba das Pretas.

No sábado (28/11), o destaque fica por conta de um sarau realizado por professores e estudantes da rede pública de ensino (às 19h) e o slam Letra Preta, promovido pelo coletivo Força Ativa (às 20h). E no último dia (domingo, 29/11), às 10h rola um encontro com o escritor Marcelino Freire. A programação termina a partir das 21h, com a apresentação musical de As Três Marias o Sol e a Lua.

Para assistir e conferir a programação completa, acesse o facebook e o instagram da FLICT.

Sarau Segunda Negra participa da FLINO (foto: Divulgação)

Ferve Território!

Depois de curtir a FLICT, é hora de conhecer e prestigiar a 1ª edição da FLINO – Festa Literária Noroeste, que ocorre na próxima semana – entre quarta-feira e sábado (de 2 a 5/12) – e reúne movimentos de Perus, Taipas, Morro Doce, Pirituba e os territórios indígenas do Jaraguá.

Com mais de 40 atrações, entre saraus, slam, feira do livro, contação de histórias, batalha de MCs e rodas de conversa, a FLINO também acontece de forma virtual a partir da articulação entre

De bibliotecas, CEUs, coletivos culturais e artistas independentes. O objetivo é fortalecer a cena cultural e literária da região e reforçar a importância dos movimentos negro, indígena e de mulheres.

Para Sandro Coelho, coordenador da Biblioteca Brito Broca, em Pirituba, a FLINO vem para demonstrar a força do território Noroeste, que já conta com diversos atores e coletivos ligados à literatura. “A literatura tem como função manter nossa sanidade mental, uma vez que nos transporta para lugares inimagináveis, incríveis, coisas que em épocas de pandemia a gente não consegue”, aponta.

José Soró em debate promovido pela Rede Jornalistas das Periferias, em outubro de 2018 (foto: Léu Britto)

Com 4 dias de programação, a FLINO será transmitida totalmente pelo facebook e youtube. A abertura acontece na quarta-feira (2/12), às 20h, com uma homensagem ao educador e articulador cultural José Soró, que morreu em 2019. A roda de conversa “Ferve Território” reúne Cleiton Ferreira (Comunidade Cultural Quilombaque), Valéria Pássaro (Casas Taiguara) e o educador Sérgio Francisco.

Já na quinta-feira (3/12), às 20h, acontece a roda de conversa “Territórios de Memórias”, que irá falar sobre a importância da literatura como guardiã das histórias e memórias das populações periféricas. Estarão nesta mesa Sheila Moreira (Centro de Memória Queixadas), Thaís Santos (Projeto Baobá – Comunidade Cultural Quilombaque) e Sandro Indaíz (Sarau Segunda Negra), com mediação de Julia Rolim, da Biblioteca Educador Paulo Freire – CEU Pêra Marmelo.

E na próxima sexta-feira (4/12), às 20h, ocorre a roda de conversa “Quilombos, Tekoas e Periferias”, sobre como a literatura é uma ferramenta de denúncia e resistência para populações negras e indígenas. Essa mesa contará com a presença da educadora e poeta Guiniver Santos, Antony Karai Poty (Guardiões da Floresta), da Tekoa Pyau, no Jaraguá, e da dramaturga Maria Shu, do Jaraguá, com mediação de Almir Moreira, do Sarau d’Quilo – Comunidade Cultural Quilombaque.

O evento termina no sábado (5/12), às 21h30, com o Sarau Noroeste, reunindo representantes dos saraus D’Quilo, Elo da Corrente, da Brasa, Segunda Negra e convidadas.

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